<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-19736506</id><updated>2012-02-11T17:00:51.328Z</updated><category term='depois de 30 anos de studo'/><category term='ue apa'/><category term='ue'/><category term='aprovação por todos os governos'/><category term='s'/><title type='text'>Fé e Compromisso</title><subtitle type='html'>divórcio ou casamento eterno?...</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://feecompromisso.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19736506/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://feecompromisso.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19736506/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Zé Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12611666981934870239</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>530</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19736506.post-4058986427079799381</id><published>2012-02-02T19:39:00.007Z</published><updated>2012-02-05T02:00:30.747Z</updated><title type='text'>DOIS EXEMPLOS COMO MUITOS OUTROS</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;No último &lt;/span&gt;&lt;i style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;post&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt; fiz referência a uma sociedade imoral para a qual todos damos o n sso contributo, maior ou menor.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Esta semana bastou pegar em dois jornais e ficarmos esclarecidos sobre alguns desses mecanismos, que ninguém diria imorais, mas que abrem o caminho, uma via bem larga para a dita imoralidade ou outra palavra equivalente mais actual.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Na esperança que o Miguel Esteves Cardoso não me leve a mal, aqui reproduzo um pequeno episódio que ele descreve na sua habitual e subtil (às vezes, bem manifesta) ironia. Foi publicado no &lt;a href="http://jornal.publico.pt/noticia/01-02-2012/venham-mais-sete-23874541.htm"&gt;Público&lt;/a&gt; de ontem,&amp;nbsp;com o título&amp;nbsp; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; mso-outline-level: 1; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;b&gt;Venham mais sete&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;“No PÚBLICO de ontem Cláudia Carvalho contava como a FNAC retirou a frase "Troque Os Maias por Meyer" por causa do número de protestantes no Facebook, que ficaram ofendidos por se ter confundido Eça de Queirós com Stephanie Meyer. A FNAC deveria ter-se recusado a ceder a pressões idiotas mas preferiu aproveitar o protesto para divulgar a campanha&amp;nbsp;&lt;i&gt;A Cultura Renova-se&lt;/i&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;A mim ofende-me o cartão FNAC, o tal "que faz parte de si", que, em conluio com a Credibom, cobra juros acima dos 25%. Mas não se fica por aí, como se verá. Em Dezembro pedi uma segunda via do meu cartão. Mandaram-me uma conta de €3,50. Como não paguei nesse mês, cobraram-me €7,00 de "penalizações": o dobro do que tinha custada a merda do cartão. Qual será a TAEG em que os juros são 200% por mês?&lt;br /&gt;O total devido era agora €10,50. Por amor à FNAC decidi deixar-me roubar. Só que paguei dois dias depois do prazo. Resultado: apareceu-me este mês mais uma conta de €7,00. Em dois meses os €3,50 do cartão tinham acumulado €14 de "penalizações".&lt;br /&gt;Telefonei para a Credibom, onde me disseram que estava tudo no contrato e que eu deveria ter lido o contrato. Os €10,50 que eu tinha pago tinham "regularizado a situação", mas, como eu me tinha atrasado, a "penalização" deste mês já tinha sido "lançada". Agora tenho de pagar mais 7 euros até ao dia 28 deste mês. Se pagar só no dia 1 de Março, cobrar-me-ão mais 7 euros. E assim sucessivamente, até à hora da minha morte. Ladrões”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Ladrões, parece-me pouco, porque o que está em causa não são os quantitativos, mas uma forma de imoral de sacanear dinheiro ao cidadão que ainda acredita na honestidade nos negócios. Belos tempos esses, em que bastava a palavra dada para tudo ficar decidido. Agora em vez da palavra, são letras miudinhas, numa linguagem hermeticamente grandinha sobre as quais basta apenas pôr uma assinatura. Culpa de quem assina? Está certo. Mas eu quero é denunciar os métodos trafulhas com que muitas destas coisas estão acontecer. E se houver dúvidas quanto à informação honesta (será que esta palavra ainda tem algum significado, hoje?) vamos ficar passar a outro exemplo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; line-height: 150%;"&gt;A comovente parelha EDP-Continente&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;A EDP que passou os tempos a chular-nos descaradamente por falta de concorrência, descobriu agora que vêm para aí mais empresas que bem podem estragar-lhe a vida ou pelo menos tirar-lhe clientes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Então tratou de inventar mais uma espécie de sacanice (eu cada vez tenho menos vocabulário para descrever estas inocentes manifestações de preocupação para com os clientes; NB: os clientes somos nós) para continuar a chular os incautos. De repente aparece a oferecer 10% do nosso gasto em electricidade (em electricidade, salvo seja, electricidade e n alcavalas que sempre andam atreladas aos serviços essenciais para o cidadão) em vales que eles próprios enviarão para um suposto cartão que os clientes terão do Continente ou qualquer outra magia virtual do género. A chatice é que apareceu a DECO, aqueles desmancha-prazeres, que lhes estragou a marosca e lá terão de inventar outra armadilha melhor disfarçada. Sim, porque agora a concorr~encia começa a apertar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Dou a palavra ao &lt;a href="http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/economia/edp-e-continente-rectificam-campanha-apos-alerta-da-deco"&gt;Correio da Manhã&lt;/a&gt;:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;“&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;Todos os consumidores de electricidade com potência contratada acima dos 3,45 kw [a maioria dos clientes domésticos] que adiram ao plano EDP-Continente já não podem regressar ao mercado regulado" da EDP Universal, advertiu em declarações à Lusa a jurista da DECO, Ana Tapadinhas. &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-image: initial; background-origin: initial; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm;"&gt;A DECO tem alertado para a "insuficiente" informação prestada pelas duas empresas sobre algumas das implicações de aderir àquela campanha, nomeadamente quanto ao facto de implicar uma mudança de contrato da EDP Universal para a EDP Comercial, o que obriga o aderente a passar de cliente do mercado regulado para o mercado liberalizado.&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;A tarifa liberalizada significa que os preços da electricidade deixam de ser fixados pela ERSE e passam a ser definidos pelo mercado, o que vai começar a acontecer a partir do próximo ano e até 2015, quando também os clientes que ainda não mudaram para um comercializador de mercado deixam de poder beneficiar das tarifas transitórias e dos acertos periódicos do regulador ERSE para minimizar o efeito da eventual volatilidade do mercado”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;Ladrões? Talvez não! Só publicidade enganosa? É um eufemismo muito interessante, que todos usam como se fosse a primeira regra da publicidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;E nós, os cidadãos, que temos sido tão fortemente pressionados para não sermos cidadãos mas nos contentarmos em ser apenas consumidores, não podemos ficar de braços cruzados mas temos de lutar como podermos para ajudar a limitar esta imoralidade, mais ou menos declarada ou disfarçada. Se todos levássemos a sério estas imoralidades e as puséssemos em causa, as denunciássemos, nos recusássemos a vender a alma por um prato de lentilhas de 10% de descontos suspeitos ou de um cartão de utilidade mais que duvidosa, todas estas vigarices iriam diminuindo, pelo menos, por redução de clientela.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Mas nós passamos a vida a vender-nos aos bocadinhos, sem dar por ela, até que percebemos que já é tarde e já nem alma temos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Por isso, os culpados não são só as estruturas de pecado, mas as pessoas, isto é, as ganâncias pessoais. Isto é, no fundo, os principais responsáveis somos nós porque nos deixamos cair alegremente no conto do vigário.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19736506-4058986427079799381?l=feecompromisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://feecompromisso.blogspot.com/feeds/4058986427079799381/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19736506&amp;postID=4058986427079799381&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19736506/posts/default/4058986427079799381'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19736506/posts/default/4058986427079799381'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://feecompromisso.blogspot.com/2012/02/dois-exemplos-como-muitos-outros.html' title='DOIS EXEMPLOS COMO MUITOS OUTROS'/><author><name>Zé Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12611666981934870239</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19736506.post-3431958316749844186</id><published>2012-01-30T00:43:00.000Z</published><updated>2012-01-30T00:43:51.503Z</updated><title type='text'>Em que sociedade vivemos?</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-right: -.05pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Uma série de acontecimentos, declarações oficiais, umas ofensivas dos mais pobres, outras subordinadas de tal modo ao dinheiro que esquecem as pessoas mais carenciadas, reformas imoralmente obscenas, nomeações que permitem disfarçadamente que os subsídios de Natal e de férias sejam recebidos, poderes ocultos ou nem tanto, enfim, uma sociedade onde se perdeu o norte, onde os valores da lealdade nacional, do serviço público, da solidariedade e sobretudo da centralidade da pessoa se perderam numa noite de nevoeiro.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Há coisas boas, muito boas, mas que não são contadas, que só os que vive próximo conhecem. Há uma ou outra excepção: apesar de tão pouco destacada é bonito ver o que está a acontecer na Sicasal, que bem poderia ser um exemplo a seguir por todo o país. Mas não é.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;Por isso e por outras coisas aqui partilho convosco a minha última crónica.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-right: -.05pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif; font-size: large;"&gt;UMA SOCIEDADE IMORAL&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-right: -.05pt; mso-outline-level: 1; tab-stops: -1.0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-right: -.05pt; mso-outline-level: 1; tab-stops: -1.0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;Depois de ter falado da necessidade de um diálogo sério entre todos para construirmos uma sociedade mais justa, passo a uma outra exigência: a da conversão ou mudança do estilo de vida. Eu sei que “imoral” é mais uma das palavras desvalorizadas. E penso que a Igreja católica tem alguma ou até muita responsabilidade: ao reduzir a moralidade apenas, ou quase, à esfera sexual, fez esquecer e não ensinou que se trata de um polvo que infecta todas as áreas da vida e envenena as relações sociais. Exceptuando o sexto e nono mandamentos (já será o Sermão da Montanha o miolo da nossa catequese?), e o quinto, por outras razões, o resto eram pecadilhos quase banais: roubar ou mentir, que importância tinha? E, contudo, o roubo instalou-se nas relações laborais, degradando pessoas, famílias e empresas, e nas fiscais, levando à fuga aos impostos, como se tal fuga fosse o acto mais banal numa sociedade humanamente organizada.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-right: -.05pt; tab-stops: -1.0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-right: -.05pt; tab-stops: -1.0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Por isso, quando olho para a nossa vida social hoje, lembro logo as palavras de João Paulo II, escritas num documento, que poucos conhecem (RP 16), e citadas noutro (SRS 36) que muitos (muitos, mesmo!?) terão lido. Quanto à forma, recorda-me o “velho” Estatuário do P.e António Vieira, que decorei nos tempos de menino para aprender como usar de modo adequado os verbos gramaticais para descrever um determinado gesto. Na citação do papa, os verbos também são adequados, dolorosamente adequados, para descrever as inúmeras formas de praticar ou alimentar a imoralidade numa sociedade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-right: -.05pt; tab-stops: -1.0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Começa por desmontar a ideia de que a culpa é das estruturas. É certo que há estruturas de pecado, mas foram criadas pelas pessoas. É certo que essas estruturas podem aparentemente autonomizar-se e controlar as pessoas. Mas isso não nos desculpabiliza: “A Igreja, quando fala de &lt;i&gt;situações&lt;/i&gt; de pecado ou denuncia como &lt;i&gt;pecados sociais&lt;/i&gt; certas situações ou certos comportamentos colectivos ou de grupos sociais, mais ou menos vastos, ou até mesmo de nações inteiras e blocos de nações, sabe e proclama que tais casos de &lt;i&gt;pecado social&lt;/i&gt; são o fruto, a acumulação e a concentração de muitos &lt;i&gt;pecados pessoais.&lt;/i&gt;”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-right: -.05pt; tab-stops: -1.0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Depois vem a enumeração desses “pecados pessoais” e é quase impossível que nenhum deles não nos encaixe na perfeição. Vou “partir” a citação em várias partes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-right: -.05pt; tab-stops: -1.0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Primeira: “Trata-se dos pecados pessoalíssimos de quem gere ou favorece a iniquidade ou dela desfruta”. Portanto, não basta ser autor material da “iniquidade”, também somos responsáveis quando a favorecemos, por acção ou omissão (“tão ladrão é o que vai à vinha como o que fica a guardá-la”) e, ainda pior, dela nos servimos: “desfrutar” do trabalho sujo dos outros, sem precisar de sujar as mãos, é muito mais limpo, deixa a consciência tranquila porque nada fizemos de mal; apenas aproveitámos “sabiamente” a ocasião que vida nos ofereceu.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-right: -.05pt; tab-stops: -1.0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Segunda: “(Trata-se) de quem, podendo fazer alguma coisa para evitar, eliminar ou, pelo menos, limitar certos males sociais, deixa de o fazer por preguiça, por medo e temerosa conivência, por cumplicidade disfarçada ou por indiferença”. Realmente há muita coisa que podemos fazer, mas não fazemos, para &lt;i&gt;evitar&lt;/i&gt;, impedir que o processo se inicie, &lt;i&gt;eliminar&lt;/i&gt;, cortar o mal pela raiz, ou, não sendo possível, pelo menos &lt;i&gt;limitar&lt;/i&gt; desvios e disfunções sociais, seja como cidadãos comprometidos seja como governantes responsáveis. Mas a acusação tem uma segunda parte terrível: por que acontece toda esta “maldade”? Por muitas razões: &lt;i&gt;preguiça&lt;/i&gt;, pois não estou para me incomodar e tenho mais que fazer; &lt;i&gt;medo&lt;/i&gt;, que tolhe tanta gente e tanta reacção (posso perder o emprego, não subir na carreira, não garantir o tacho político, …); &lt;i&gt;temerosa conivência&lt;/i&gt;, que tem muito a ver com o comodismo, com o estar a bem “com Deus e com o diabo”, mas também com o medo de perder alguma migalha que caia da mesa do poder; &lt;i&gt;cumplicidade disfarçada&lt;/i&gt;, fazendo de conta que não notamos o que está a acontecer mas sempre atentos para não perder a oportunidade; &lt;i&gt;indiferença&lt;/i&gt;, esta é o “pão nosso de cada dia”, pois “o problema não é meu” (de quem será?) ou “quem vem atrás que feche a porta”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-right: -.05pt; tab-stops: -1.0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Terceira: “(Trata-se) de quem procura escusas na pretensa impossibilidade de mudar o mundo”. Esta desculpa é talvez a mais repetida e de modo consciente: afinal que posso eu fazer para alterar esta situação? Quem sou eu para mudar o mundo? Irrita-me este paleio alienante. A pergunta está mal feita. Devia ser: “o que podemos nós, nós todos, fazer para mudar o mundo?”. E depois, realmente ninguém muda nada no mundo, se não começar por se mudar a si próprio: nos seus vícios de estimação, nos seus comodismos, no seu estilo de vida. Isto é, nenhuma sociedade pode mudar se as pessoas não mudarem. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-right: -.05pt; tab-stops: -1.0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Quarta: “E (trata-se), ainda, de quem pretende esquivar-se ao cansaço e ao sacrifício, aduzindo razões especiosas de ordem superior”. Esta desculpa é mais subtil, pois apela ao meu cansaço (mas se tiver de andar cem quilómetros por semana para tirar um curso que me garanta maior salário, o cansaço desaparece, não!?) e ao meu sacrifício, que é tão doloroso e… para quê? Para ficar tudo igual? Isso é para malucos, não para mim que tenho a vida organizadinha!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-right: -.05pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Repare-se na quantidade de ditados populares que citei e muitos mais poderia ter referido. Ora quando certas atitudes chegam ao patamar dos provérbios é porque já foram interiorizadas pelas pessoas, já se tornaram banalidades em que ninguém repara, já fazem parte do ambiente e, por isso, nem damos conta da sua gravidade e injustiça. Afinal fazem parte da prata da casa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19736506-3431958316749844186?l=feecompromisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://feecompromisso.blogspot.com/feeds/3431958316749844186/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19736506&amp;postID=3431958316749844186&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19736506/posts/default/3431958316749844186'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19736506/posts/default/3431958316749844186'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://feecompromisso.blogspot.com/2012/01/em-que-sociedade-vivemos.html' title='Em que sociedade vivemos?'/><author><name>Zé Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12611666981934870239</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19736506.post-7436941579628046043</id><published>2012-01-17T21:09:00.000Z</published><updated>2012-01-17T21:09:59.216Z</updated><title type='text'>PROTEGER O MEU PATRIMÓNIO</title><content type='html'>Estas últimas semanas têm sido pródigas na proclamação pública de frases que, em tempos próximos futuros, poderão vir a fazer parte de uma antologia de sabedoria balofa.&lt;br /&gt;Desse ramalhete, gostaria de reflectir um pouco sobre "preciso de defender o meu património". Não está em causa quem a disse, até porque, nisso, foi mais honesto que os outros que fizeram a mesma coisa pelos mesmos motivos mas acharam que não deviam explicações a ninguém.&lt;br /&gt;Mas eu até acho que deviam. De qualquer modo, esta expressão choca-me como cidadão e como cristão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que significa o "&lt;b&gt;meu&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;" naquela expressão? &lt;br /&gt;Primeira pergunta: será que foi o próprio que construiu tudo aquilo que tem sem o apoio de nenhum dos seus colaboradores (para já até deixo de lado os familiares)? Ninguém deu uma lágrima de suor para que alguém construa um património? Será que qualquer empresa, seja ela qual for, é feita apenas com o esforço do empresário? Para nada contam as milhares de horas de serviço, tantas vezes mal remunerado, dos seus operários, dos seus clientes, dos seus fornecedores?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segunda pergunta: será que aquele património é só dele? Não estão os bens da terra destinados a todos. Agora cito, de cor, dois documentos da Igreja: "Deus criou a terra e tudo o que ela contém para uso de todos" (GS 69), "sem excluir nem privilegiar ninguém"(CA 31). São os primeiros que chegam, só porque chegam primeiro, que adquirem o direito de tomar como seu o que é para bem de todos? Bem sabemos que uns têm mais talentos, mais competências (embora o nosso ministro Crato discorde), mais capacidade para fazer render os talentos que tem. Mas isso torna-o dono dos seus talentos e autoriza-o a utilizá-los unicamente para serviço próprio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ligando as duas questões, o que faria um empresário se não utilizasse parte desse património mundial que ao longo de milénios foi desenvolvendo novas tecnologias, novas ideias, que ele não inventou e possivelmente nunca seria capaz de inventar? Vivemos numa ilha deserta, onde cada um vive só com o que tem ou desenvolvemo-nos como pessoas, como trabalhadores, com o contributo solidário de todos? Uns partilharão pouco, outros, muito. Mas é do somatório de todos os contributos que nasceu este património riquíssimo que cada geração recebe, ajuda ou deve ajudar a aumentar de modo a poder passá-lo mais grandioso às gerações futuras e não apenas aos filhos sanguíneos ou aos amigos de peito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, há um outro aspecto. Ele não ganhou nada por ter nascido neste país, ter aproveitado as estruturas sociais que lhe permitiram fazer desabrochar esses talentos, que outros não têm, mas que precisam de condições para surgirem? Não lhe foi dado um povo? Quantos apátridas gemem por esse mundo fora desejando um espaço para si. Não lhe foi dada uma cultura, que o estimulou a desenvolver-se segundo os padrões locais? Quantos são obrigados a emigrar para longes terras e longes culturas, perdendo-se num emaranhado de códigos e normas que não entendem?&lt;br /&gt;É bem possível que, com a globalização "de serviço", estejamos a perder a consciência destes bens imateriais que formam a nossa identidade, a nossa raiz mais funda.&lt;br /&gt;É bem possível que com esta globalização neoliberal, onde só o dinheiro conta, muitos se percam em perene adoração ao deus dinheiro, pouco importando as vítimas que irão sendo crucificadas em seu nome e para seu sustento.&lt;br /&gt;É bem possível que com a ganância de não perder o "meu património" muitos tratem da sua vida esquecendo que estão a roubar os seus concidadãos que os ajudaram material e espiritualmente a ser eles próprios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sei que devo ser meio maluco por estar a defender estes pontos de vista.&lt;br /&gt;Mas como podemos construir uma humanidade onde todos, por sermos humanos, temos, os mesmos direitos fundamentais? Por que razão é mais grave a morte de meia dúzia de turistas do cruzeiro nas costas da Itália do que á de milhares de mortos à fome e à sede no Sudão ou na Somália?&lt;br /&gt;Como podemos construir uma Europa - de que um dos valores fundadores era a abertura aos outros e o acolhimento fraterno - se cada um puxa para a sua quinta e só vê os defeitos e os danos causados pelos outros mas nunca vê o que eles trouxeram de positivo para a construção de uma Europa democrática, defensora dos direitos humanos, prenhe de descobertas nos campos científicos e de inovações nas criações artísticas.&lt;br /&gt;Por que será que não olhamos para o outro, mesmo pobre e andrajoso, como nosso irmão, pois talvez tenha sido o nosso estilo de vida que o atirou para esse estado, em vez de o tratarmos como um perigoso à solta do qual é preciso fugir rapidamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que dramática continua a ser a pergunta de Javé a Caim: "Onde está o teu irmão?".&lt;br /&gt;Ou será que com a morte de Abel somos todos descendentes de Caim?  &lt;br /&gt;RECUSO-ME A ACEITAR ISSO.&lt;br /&gt;Até porque há milhões de gestos de carinho, de amizade, de partilha, de fraternidade, alguns até desencadeados agora pela crise, que provam o contrário.&lt;br /&gt;O HOMEM SUPERA SEMPRE O HOMEM?&lt;br /&gt;Não sei, mas sei que o Homem vai sempre superar o próprio Homem, pois há nele uma bondade natural que ninguém pode apagar de modo definitivo. Só precisa que lhe sejam criadas condições para que uma flor nasça num charco de entulho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19736506-7436941579628046043?l=feecompromisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://feecompromisso.blogspot.com/feeds/7436941579628046043/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19736506&amp;postID=7436941579628046043&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19736506/posts/default/7436941579628046043'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19736506/posts/default/7436941579628046043'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://feecompromisso.blogspot.com/2012/01/proteger-o-meu-patrimonio.html' title='PROTEGER O MEU PATRIMÓNIO'/><author><name>Zé Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12611666981934870239</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19736506.post-7593833850134961568</id><published>2012-01-06T12:39:00.001Z</published><updated>2012-01-13T15:16:38.235Z</updated><title type='text'>2012 - Ano para viver mais intensamente</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; line-height: 115%;"&gt;A revista Ecclesia pediu-me um comentário sobre 2012. Estive para recusar, pois não sou bruxo. Mas acabei por aceitar porque acredito que o futuro somos também nós que o construímos, mas para isso temos de estar atentos a mecanismos e dinâmicas que têm o péssimo hábito de, aproveitando-se da nossa ignorância, descuido ou comodismo, nos (quererem) controlar se os deixarmos à solta. Também sei que é muito difícil resistir a estas forças mais ou menos ocultas, mas essa é mais uma razão para estarmos mais &amp;nbsp;mais atentos e ser mos mais proactivos (aprendi há uns tempos esta palavra e tenho andado a divulgá-la) na nossa obrigação e missão de construtores de futuros.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; line-height: 115%;"&gt;Na esperança que algumas das afirmações que faço possam proporcionar algum debate útil aí deixo o texto.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; line-height: 115%;"&gt;2012 – O ANO DE TODOS OS CENÁRIOS&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; line-height: 115%;"&gt;Foi-me pedido um comentário quanto à “&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-family: Arial; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT;"&gt;possibilidade de existirem ondas de indignação ao nível da rua” e se “são meios para resolver os problemas que afetam a sociedade portuguesa?”.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-family: Arial; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; line-height: 115%;"&gt;Se nunca foi fácil fazer futurologia, muito menos o é para os próximos, pois todos os cenários são possíveis. Há aspectos que temos garantidos: mais fome, mais famílias “falidas”, mais &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-family: Arial; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT;"&gt;desempregados, numa palavra, mais sofrimento. Mas, talvez o pior, seja &lt;/span&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-image: initial; background-origin: initial; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 10pt; line-height: 115%;"&gt;a falta de expectativas, de “futuros credíveis” e “amanhãs que cantam”, de confiança em nós e nos outros, enfim, a falta quase patológica de esperança.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; line-height: 115%;"&gt;Mas como terei de dizer mais qualquer coisa, começo pelas “manifestações, tumultos”. Não me refiro a manifestações pacíficas, que irão acontecer e multiplicar-se. Mas a um cenário mais negro para o qual podemos aduzir razões de vária ordem. Por um lado, basta olhar o que acontece pelo mundo; por outro, temos as palavras de &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-family: Arial; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT;"&gt;João Paulo II: “&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; line-height: 115%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT;"&gt;Uma sociedade onde este direito (de ganhar o pão com o suor do próprio rosto) seja sistematicamente negado, as medidas de política económica não consintam aos trabalhadores alcançar níveis satisfatórios de ocupação, não pode conseguir nem a sua legitimação ética nem a paz social” (CA 43).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; line-height: 115%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT;"&gt;No entanto, para que tal aconteça não basta haver potenciais razões justificativas. A situação só se tornará incontrolável se atingir o “ponto de não retorno”, isto é, o&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #222222; font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-family: Arial; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT;"&gt; momento a partir do qual um movimento se torna impossível de travar. O que irá passar-se no próximo futuro vai depender muito de ser ou não atingido este ponto de não retorno, que depende de algumas condições. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #222222; font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-family: Arial; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT;"&gt;À primeira chamaria o “&lt;i&gt;índice de sacrifício&lt;/i&gt;” e nada melhor que dar um exemplo para o tornar inteligível. Suponhamos que há um corte de 10% nos salários. Isto significa que quem ganha 800 euros sofre um corte de 80 euros; quem ganha 4000, terá uma redução de 400 euros. È evidente para todos que os 80 euros fazem muito mais falta a quem ganha 800 do que os 400 a quem ganha 4000. Isto é, o grau de sacrifício, que facilmente se transforma em sofrimento, é muito maior no que ganha menos. Apesar da percentagem do corte ser igual, o grau de sacrifício é profundamente desigual. Por isso, há quem afirme que os maiores salários para estabelecer alguma equidade neste índice (que não pode ser “igual” para todos) deveriam ser penalizados em 70%. Este desequilíbrio pode adquirir um peso tal que mobilize mesmo os mais indecisos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #222222; font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-family: Arial; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT;"&gt;Uma segunda é a do “&lt;i&gt;mínimo vital&lt;/i&gt;”, isto é, o mínimo necessário para que cada pessoa possa viver com dignidade. Este mínimo varia muito com as sociedades mas também com condições culturais, familiares, etc.. Mas, maior ou menor, sem ele as pessoas são capazes de tudo, como nos mostram os balseiros, os &lt;i&gt;boat people&lt;/i&gt; ou os magrebinos. É tal o seu desespero que se lançam numa aventura suicida pois sabem que correm enormes riscos de morrer. Mas preferem morrer a lutar por uma vida digna do que morrer em casa de braços cruzados, minados pela angústia e a desesperança. O exemplo talvez não tenha grande aplicabilidade entre nós, mas nunca se sabe até onde o desespero pode levar as pessoas, mesmo causticadas pelos azares da vida.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #222222; font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-family: Arial; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT;"&gt;Um terceiro factor é o que chamaria uma “&lt;i&gt;governação adequada&lt;/i&gt;”, englobando neste adjectivo muitos comportamentos. Todos sabemos como a governação é difícil, a nível pessoal (anos sem vida de família e sem amigos, …), mas também político (sucessivos desafios novos e imprevisíveis, a pressão de tomar decisões “sobre o momento”,…). Mas isso não conta na hora de ter confiança nos governantes. Estes, como outros antes e outros depois, não podem tomar medidas violentas sem terem uma palavra pedagógica, uma explicitação convincente e mobilizadora e sem praticarem, com seriedade, um diálogo difícil (é certo) mas um diálogo fictício que não passe de um monólogo impositivo. Os cidadãos têm de ser convencidos de que as medidas tomadas respeitam, razoavelmente, o critério da justiça e da equidade. Os governantes não podem dar razões objectivas que justifiquem slogans como “são sempre os mesmos a pagar a crise”. Não podem cair na imoralidade de olhar só os números e esquecer as pessoas que estão por detrás: a obsessão dos défices tem de ser substituída pela obsessão das pessoas. E não devem tomar medidas pensando apenas nos lucros imediatos que podem, a médio e a longo prazo, tornar-se muito mais danosas do que os danos que pretendiam evitar. Estou a pensar no que me pareceu (mas quem sou eu!?) um erro geoestratégico – a “venda a EDP” à China – tendo com único argumento conhecido o muito dinheiro que supostamente daí advirá. Porque uma proposta que dê mais dinheiro não é necessariamente a melhor solução para os nossos problemas. Porque a China não dá aquele dinheiro pelos nossos “lindos olhos ”. E, pior que tudo, porque abrimos a porta a uma cultura que nada tem a ver connosco, a um país que pacientemente vai tecendo as malhas de um domínio mundial e tem uma subtileza maquiavélica que pode pôr em causa, a prazo, a nossa identidade: ser “peão” da EU (senhora Merkell!)?) vai tirar-nos soberania, ser “peão” da China vai deturpar-nos a identidade. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #222222; font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-family: Arial; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT;"&gt;Perante estas três condições é, pois, muito difícil imaginar o que poderá fazer um povo de brandos costumes. Somos um povo com um profundo défice de cidadania, um olímpico desprezo pelo bem comum, uma preocupação quase única sobre os nossos privilégios e direitos. Quase ninguém, a começar pelos políticos, assume como critério primeiro e estruturante a centralidade da pessoa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #222222; font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-family: Arial; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT;"&gt;Só uma palavra sobre a questão dos tumultos sociais. Não creio que eles&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-family: Arial; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT;"&gt; sejam um meio eficaz para resolver os nossos problemas. Porque uma coisa é a contestação dos cidadãos, pensada, crítica, criativa e propositiva, outra são as manifestações do tipo “Maria vai com as outras”. Por outro lado, considero que manifestações pacíficas, grupos activos de opinião, lobbies “não manipulados” sobre a opinião pública, utilização correcta dos meios de comunicação, são um instrumento indispensável para o exercício da sã cidadania e também um meio para os responsáveis despertarem para a o grau de gravidade da situação, tomarem consciência da real realidade e se aperceberem da “distância” a que estamos do tal “ponto de não retorno”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-family: Arial; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT;"&gt;No entanto, temos de nos confrontar com esta pergunta-chave: são os tempos que são maus ou somos nós que não estamos à altura dos acontecimentos?&lt;span style="color: #222222;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19736506-7593833850134961568?l=feecompromisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://feecompromisso.blogspot.com/feeds/7593833850134961568/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19736506&amp;postID=7593833850134961568&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19736506/posts/default/7593833850134961568'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19736506/posts/default/7593833850134961568'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://feecompromisso.blogspot.com/2012/01/2012-ano-para-viver-mais-intensamente.html' title='2012 - Ano para viver mais intensamente'/><author><name>Zé Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12611666981934870239</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19736506.post-4584212054226913708</id><published>2012-01-01T22:44:00.001Z</published><updated>2012-01-13T15:10:52.498Z</updated><title type='text'>TEMOS DE ENCONTRAR ESPAÇO PARA A ALEGRIA</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 13pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;span style="font-size: 14px;"&gt;Como tristezas não pagam dívidas, temos de encontrar, especialmente neste ano, espaços para uma verdadeira alegria. A vida, mesmo nas maiores dificuldades, torna-se mais suportável se for levada com (alguma) alegria. Além disso, não devemos desligar do verdadeiro massacre a que estamos sujeitos por profetas de desgraças que&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;, serif; font-size: 15px;"&gt;todos os dias&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;, serif; font-size: 14px; line-height: 13pt;"&gt;nos arranham os tímpanos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 13pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;span style="font-size: 14px;"&gt;A vida vai ser difícil, já todos o sabemos. Mas não vai ficar melhor se só a olharmos desfeitos pela tristeza e pela angústia. Por isso aqui deixo mais uma das minhas crónicas. Temos de responder &lt;b&gt;SIM,&lt;/b&gt; não só com palavras mas sobretudo com a vida à pergunta provocatória do título&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 13pt; mso-outline-level: 2;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 13pt; mso-outline-level: 2;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;, serif; font-size: 10pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 13pt; mso-outline-level: 2;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;i&gt;AINDA HÁ ESPAÇO PARA A ALEGRIA?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;o:p&gt;&amp;nbsp;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;, serif; line-height: 14.25pt;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;, serif; line-height: 14.25pt;"&gt;O ano que agora começa não vai ser propriamente um tempo festivo. Por isso, poderá parecer ao leitor que este tema é uma dolorosa provocação. Mas não é: falo muito a sério. Até porque o terceiro domingo do Advento, altura em que escrevo, nos convida à alegria.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 14.25pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A alegria é um sentimento sem o qual os humanos não podem viver. Mesmo na noite mais escura, em que a dor, o sofrimento e o choro encharcam a nossa alma, se não encontrarmos um espaçozinho para a verdadeira a alegria, dificilmente suportaremos tal situação. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 14.25pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; É claro que há várias formas de alegria e nem todas produzem esse efeito libertador.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 14.25pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Há a alegria de aviário, que não tem consistência, usa-se quando a circunstância a exige, mas não tem nada por detrás. É como a carne dos frangos produzidos em série, obrigados a crescer à pressão, com um sabor sem sabor, filhos de hormonas e antibióticos insonsos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 14.25pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Há a alegria industrializada, que estrondeia nas vielas da noite, alimentada a combustíveis etílicos ou a passas que não são de uva. É hoje muito estimada por industriais legais de drogas ilegais que se ajavardam na sua distribuição bem lucrativa e muito desejada porque gera euforias momentâneas a quem as usa e dá-lhe bravata para tomar atitudes das quais, em estado sóbrio, se envergonharia se a vergonha anda existisse.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 14.25pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Há a alegria amarela, que se espelha num sorriso dessa cor, para disfarçar uma desilusão ou vir em socorro da vítima de uma qualquer partida de colegas ou da vida. Por detrás está a frustração que se quer esconder e se possível ignorar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 14.25pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Há a alegria “de café” que, na sua ambiguidade, tanto pode ser um acto superficialidade balofa como uma genuína manifestação de contentamento, que reforça as relações interpessoais. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 14.25pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Há a alegria franca que ressoa na gargalhada cristalina. Brota do fundo da nossa dimensão lúdica e ajuda a suportar com estoicismo angústias e medos que a vida nos põe a cada curva.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 14.25pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Há a alegria interior que faz “pouco ruído” mas sempre se pode encontrar na limpidez de um olhar tão transparente que chega ao fundo da alma. O olho é o espelho da alma. Quantos doentes, às vezes em estado quase terminal, continuam a irradiar um olhar sereno, a apresentar uma face risonha, a iluminar os que estão á sua volta. Só esta alegria é capaz de ultrapassar as maiores dificuldades. Não se trata de uma alegria exterior que disfarça a amargura nem de uma alegria hipócrita que pensa enganar a dura realidade fugindo ou ignorando-a. É, antes, a alegria dos fortes, que aceitam que a vida é formada de tempos felizes e tempos dolorosos e que uns e outros têm de ser vividos com a serenidade, que evita angústias doentias ou euforias alienantes. Esta alegria nasce do fundo de nós próprios, do facto de estarmos vivos, de acreditarmos em nós próprios, de nos reconhecermos “pessoa”, sujeito livre e consciente da vida e da história &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 14.25pt; margin: 0cm; text-align: justify; text-indent: 22.7pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;i&gt;Neste ano vamos precisar muito de aprender a viver e a expressar esta alegria. Sim, é necessário expressá-la para nos ajudar não só a cada um de nós, mas também a contagiar os que vivem perto de nós. Esta pode ser, em tempos de crise, para nós cristãos, uma forma privilegiada de evangelização, de ajuda aos outros. Até porque só temos razões para viver esta alegria, pois sabemos que, em Jesus Cristo, todos e todo o mundo foram salvos do desastre definitivo. Soprem vendavais, brilhe o sol, rujam tempestades, sorria a vida, irrompam crises, fervilhem mudanças, nós acreditamos que tudo isso são acidentes, bons ou maus, do caminho que leva à libertação definitiva. Ou não acreditamos? Há muitos anos li uma frase, cujo autor já esqueci, que me marcou profundamente: “Se os cristãos acreditam que estão salvos, por que (raio) não têm cara disso?” Onde está a alegria de nos sentirmos libertos de modo definitivo?&lt;/i&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19736506-4584212054226913708?l=feecompromisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://feecompromisso.blogspot.com/feeds/4584212054226913708/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19736506&amp;postID=4584212054226913708&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19736506/posts/default/4584212054226913708'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19736506/posts/default/4584212054226913708'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://feecompromisso.blogspot.com/2012/01/temos-de-encontrar-espaco-para-alegria.html' title='TEMOS DE ENCONTRAR ESPAÇO PARA A ALEGRIA'/><author><name>Zé Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12611666981934870239</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19736506.post-4309086590545608160</id><published>2011-12-30T18:09:00.000Z</published><updated>2011-12-30T18:09:23.588Z</updated><title type='text'>ESTOU FURIOSO: “Fora com os Portugueses. Venham os Chineses”</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Eu não percebo nada de economia. Mas também não se sinto diminuído por isso.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Mas quando vejo o Governo, por unanimidade (é curioso este conceito de transparência pregado por Passos Coelho, pois, segundo o Expresso da semana passada, Vítor Gaspar discordou), aprovar a venda dos 20% da EDP à China, fiquei muto incomodado e apeteceu-me prender os ministros por crime de lesa pátria. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Já vou enumerar as minhas razões para atitude tão drástica. Mas antes tenho de recordar outro aspecto. O governo tomou esta decisão apenas a pensar no dinheiro. Esta ganância cega que faz com que qualquer proposta com mais uns milhões de euros é melhor para o país só pode significar uma tacanhez de espírito que eu não imaginava em pessoas de elite. Claro, todos sabemos que um percurso universitário mesmo que chegue a catedrático dá (supostamente) saberes mas não dá sabedoria, a sabedoria da vida. Eu sei que nos falta dinheiro, muto dinheiro, mas vender a alma por mais uns milhões, pode dar-nos um alívio passageiro, mas também pode tirar-nos algo de estruturante como povo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Mas vamos à questão de fundo. Porque é que eu sou contra? Antes impõe-se perguntar quem sou eu. Eu sou apenas um cidadão português, que tem muito orgulho em sê-lo, que se orgulha da sua identidade portuguesa, que admira a nossa história mesmo nos seus fracassos. Sou só isto. De contas sei algumas que aprendi numas cadeiras em Matemática há quase 50 anos e pouco mais. Mas sei que o dinheiro, o deus tirano que todos adoram, não resolve, antes pelo contrário, problemas imateriais. Só os esconde, danifica e torna insignificantes.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Eu sou visceralmente contra esta negociata, que considero um gravíssimo erro geoestratégico. por três razões principais:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;1) Porque uma proposta que dê mais dinheiro ou promessas dele não é necessariamente a melhor solução para os (nossos) problemas. Além de que ninguém sabe se as promessas dos chineses não são como as dos nossos políticos: mãos cheias de nada, quando estão em causa os interesses próprios. Aliás para este aspecto vigarista dos chineses logo alertou a Amnistia Internacional portuguesa. E quanto a direitos humanos temos a ampla praça de Tiananmen, sempre que for necessário repor a ordem social.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;2) Porque a China não dá todo aquele dinheiro pelos nossos “lindos olhos ”. Eles não estão nada preocupados com Portugal, um grão de areia comparado com o Everest. E podia até dar dez ou vinte mais que não os afectava nada. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;3) Mas pior que todo, porque abrimos a porta a uma cultura que nada tem a ver connosco, a um país que pacientemente vai tecendo as malhas de um domínio mundial e tem uma subtileza maquiavélica que pode pôr em causa, a prazo, a nossa identidade. É que ser “peão” assumido, como aliás, mais cedo ou mais tarde, todos iremos ser na EU (mesmo a Alemanha com a senhora Merkell ou sem ela perceberá que só podemos ser Europa em conjunto, isto, todos sendo “peões” uns dos outros ou então desaparecemos do mapa da história), “apenas” nos vai retirar (alguma) soberania. Mas isso está já a acontecer de qualquer modo num mundo globalizado. Mas meter aí a China, ser “peão” da China, vai, a mais curto prazo que imaginamos, violentar, se não mesmo destroçar, a nossa identidade. Começam com uma empresa, depois vão indo, indo (sempre escorrendo com euros que esbulham os olhos dos nossos governantes e de muitos compatriotas) e qualquer dia somos uma península chinesa, sem qualquer poder, mais um Chinjiang qualquer, onde valores, ancestrais e muito dignos sem dúvida, acabarão por se impor aos nossos valores menos ancestrais e muito diferentes mas também muito dignos que são os nossos, herdados dos três grandes pilares – Atenas, Jerusalém e Roma – e enriquecidos por outros contributos que foram sendo integrados e miscigenados mas com coerência e não subtilmente e sem darmos por isso.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Abrir uma fresta aos Chineses permite-lhes ocupar pacificamente o nosso território nacional, sem derramar uma gota de sangue. Que o cidadão comum não veja isso, não é de admirar, pois vivemos em tal défice de cidadania que não enxergamos para lá do vão da nossa porta. Mas que os governantes, primeiros defensores do bem comum e da identidade nacional, não o vejam é muito, muito grave.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Parei aqui para acalmar e aproveitei para dar uma vista de olhos ao Expresso. E mais furioso fiquei quando li um comentário de João Vieira Pereira de que respigo três frases:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;“É verdade que estamos a precisar muto de dinheiro mas quando um ativo estratégico como este é vendido temos de olhar para lá da carteira. É curioso que Vítor Gaspar, o ministro que mas precisa de dinheiro, tenha sido o único a não preferir o maior encaixe fnanceiro”. Quer dizer, VG é o único ministro com perpetivas a longo prazo, com algum projecto para Portugal; aos outros basta-lhes “dê-me uma esmolinha!” Que tristeza!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;“Há quem diga que demos uma lição aos alemães pois ao vender aos chineses mostrámos que não nos subjugamos aos interesses germânicos. Pois não, preferimos os interesses chineses, baseados num partido comunista com uma agenda escondida. Os investimentos chineses são preteridos em todo o mundo (…), mas em Portugal recebemo-los de braços abertos”. Atenção: nós somos uns verdadeiros machões latinos comme il faut.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;“A EDP tem duas das suas maiores forças de crescimento no Brasil e nos EUA. A entrada da China Three Gorges Corporation irá afetar estes investimentos já que a EDP não mais vai ser vista como uma empresa portuguesa, não acham srs. ministros? A E.On tinha como estratégia tornar a EDP a maior empresa de renováveis no mundo. A China Three Gorges tem como objetivo tornar-se ela mesma a maior empresa de renováveis no mundo. Uma pequena diferença, não concordam, srs. ministros? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Em contraste, com este chamamento dos chineses, estamos a mandar embora os portugueses. Emigrem, diz Passos Coelho. E lá vem o eco de outros governantes: Emigreeem! Emigreeeeem! Isto chama-se acreditar no nosso país e na sua viabilidade milenar!!!! Se o primeiro-ministro e o seu governo não acreditam nos portugueses, quem vai acreditar? Não é isto o mesmo que afirmar que o país não vale nada, quando a prioridade devia ser mostrar que a vale a pena apostarmos em Portugal?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;E eu que penso que a maior riqueza de um povo são as pessoas e tanto mais quanto mais qualificadas elas forem, fico desolado com estas políticas e outras como as do (não) incentivo à produção, sem as quais nenhum deste tremendo esforço, a que estamos mais ou menos obrigados, vai resolver nada! E sem esquecer as políticas ditas sociais enquanto se resumem a iniciativas assistenciais. Todos os países “decentes” procuram criar condições para reter os seus melhores “cérebros”. Porque perceberam que a maior riqueza são as pessoas: “Se outrora o factor decisivo da produção era a terra e mais tarde o capital, visto como o conjunto de maquinaria e de bens instrumentais, hoje o factor decisivo é cada vez mais o próprio homem, isto é, a sua capacidade de conhecimento que se revela no saber científico, a sua capacidade de organização solidária, a sua capacidade de intuir e satisfazer a necessidade do outro” (João Paulo II, CA 32)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19736506-4309086590545608160?l=feecompromisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://feecompromisso.blogspot.com/feeds/4309086590545608160/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19736506&amp;postID=4309086590545608160&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19736506/posts/default/4309086590545608160'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19736506/posts/default/4309086590545608160'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://feecompromisso.blogspot.com/2011/12/estou-furioso-fora-com-os-portugueses.html' title='ESTOU FURIOSO: “Fora com os Portugueses. Venham os Chineses”'/><author><name>Zé Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12611666981934870239</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19736506.post-2806192422424127673</id><published>2011-12-26T19:35:00.008Z</published><updated>2011-12-27T20:49:01.761Z</updated><title type='text'>A BELEZA DESTE NATAL</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS',sans-serif;"&gt;O Natal, que ontem celebrámos, foi um dos mais bonitos da minha vida.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS',sans-serif;"&gt;Bonito por fora, pois tivemos um dia de sol radioso emoldurado por cúpula de azul imaculado. As casas, as paisagens apresentavam um brilho que refrescava a alma. As pessoas, que fui encontrando, respiravam alegria e felicidade. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS',sans-serif;"&gt;Mas sobretudo bonito por dentro (de mim). Como há bastantes domingos que não podia ir à uma celebração eucarística, esta teve um encanto especial. Não só por podermos ir em família, o que nem sempre é fácil. Mas por poder manifestar e testemunhar a fé em conjunto. Muitas vezes pensamos muito na “minha fé”. Pois claro, eu tenho de ter a minha fé, a minha relação especial e radical com o Deus em quem acredito. Mas a minha fé não é minha; é a fé da minha comunidade; foi ela que ma transmitiu ao aceitar-me no seu seio. E por isso eu não posso vivê-la em plenitude se não o fizer no seio da comunidade. Mas não é só celebrar a nossa fé. É comungar a nossa comunhão com Cristo e com os irmãos. É dar o abraço da paz, sinal de que estamos de coração limpo para abraçar o Cristo que vamos comungar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS',sans-serif;"&gt;Nestes últimos seis anos, dos quais devo ter passado quase metade no hospital, muitas vezes, pessoas caridosas e carinhosas me “foram levar a comunhão”. Mas, e peço desculpa se escandalizo alguém, não tem nada de semelhante. Mas o Jesus não é o mesmo? É! Mas esse já eu tenho comigo, e ainda mais quando estou amarrado à cama do hospital. Mas para comungar na enfermaria não só não há ambiente físico – a barulheira das visitas (e ainda bem que lá vão visitar os seus familiares ou amigos), a televisão em altos berros com as queridas todas Júlias, Fátimas, Gouchas – como também não consigo – defeito meu – criar espaço e silêncio interior que me abstraiam de tudo aquilo e me permita saborear o nosso Deus que quis fazer-se pão para nos alimentar. Além do mais, mesmo quando em casa comungo, juntamente com a minha mãe que está praticamente imobilizada, em que o ambiente é o melhor possível, em que depois ficamos os dois a meditar e a partilhar o dom da Palavra e o dom do Pão e a interiorizar toda essa força espiritual única; mesmo aí, dizia, não é a mesma coisa do que celebrar com e na comunidade. Aliás sempre tive dificuldade em perceber bem a comunhão fora da celebração eucarística. Parece-me que autonomizamos a hóstia consagrada, como se nada tivesse a ver com a comunidade celebrante e orante. A primeira vez que esta questão se me colocou – e que eu nunca me preocupei muito em aprofundar – foi há muitos anos, quando li uma vida do santo cura de Ars. Num domingo, aconteceu que uma pessoa, que acabara de comungar, por razões que não viriam ao caso, saiu imediatamente da Igreja. Então o nosso santo cura mandou dois acólitos de velas acesas acompanhar aquela pessoa. Até onde, já não sei. Mas, quando ela perguntou a que propósito vinha aquele acompanhamento foi-lhe dito que como levava Nosso Senhor dentro de si devia ser acompanhada por duas velas. Pelo contexto, poderemos inferir que estaria em causa a hóstia que ainda não tivera tempo de ser digerido pelos sucos gástricos. Pois se não for por isso, ficava a minha pergunta: mas Jesus Cristo não está sempre comigo!?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS',sans-serif;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;Mas deixemo-nos de altas teologias. Até porque, falando deste tema, estou também a colocar o tema das celebrações dominicais sem Eucaristia, que não substituem a celebração eucarística, o que se torna um problema muito grave já que “a Eucaristia faz a Igreja e a Igreja faz a Eucaristia”. Por isso, o Concílio proclamou que “nenhuma comunidade cristã se edifica sem ter a sua raiz e o seu centro na celebração da santíssima Eucaristia, a partir da qual, portanto, deve começar toda a educação do espírito comunitário. Esta celebração, para ser sincera e plena, deve levar não só às várias obras de caridade e ao auxílio mútuo, mas também à acção missionária, bem como às várias formas de testemunho cristão&lt;/span&gt;” (PO 6).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS',sans-serif;"&gt;Mas voltando à celebração de domingo senti beleza em toda ela: no ambiente, nos cânticos, na homilia, no abraço da paz. Mas vou aqui recordar a beleza das leituras: cada uma delas no seu registo, todas juntas formavam um caleidoscópio que nos alegra a inteligência e a alma.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS',sans-serif;"&gt;Logo na primeira leitura surge &lt;b&gt;aquele cântico de alegria de Isaías&lt;/b&gt;: &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS',sans-serif;"&gt;Que formosos são sobre os montes&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 35.4pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS',sans-serif;"&gt;os pés do mensageiro que anuncia a paz, &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 35.4pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS',sans-serif;"&gt;que traz a boa-nova, que apregoa a vitória!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 35.4pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS',sans-serif;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&amp;nbsp;Que diz a Sião: «O rei é o teu Deus!»&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Ouve: as tuas sentinelas gritam, cantam em coro,&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 35.4pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS',sans-serif;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;porque vêem cara a cara o Senhor, que regressa a Sião.&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;Irrompei a cantar em coro, ruínas de Jerusalém,&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 35.4pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS',sans-serif;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;que o Senhor consola o seu povo, resgata Jerusalém&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;.&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;(&lt;/span&gt;Is.&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;52,7-9&lt;span class="apple-converted-space"&gt;)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS',sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS',sans-serif;"&gt;Essa alegria repete-se no &lt;b&gt;Salmo&lt;/b&gt;, de que destaco a segunda parte:&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS',sans-serif;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;Aclamai o Senhor, terra inteira,&lt;/span&gt; gritai, vitoriai, cantai, tocai:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 35.4pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS',sans-serif;"&gt;tangei a cítara para o Senhor,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 35.4pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS',sans-serif;"&gt;a cítara juntamente com os outros instrumentos&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 35.4pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS',sans-serif;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;com clarins e ao som de trombetas aclamai o Rei e Senhor&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt; (Sl 4.5-6)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS',sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS',sans-serif;"&gt;A segunda leitura, tirada dos primeiros versículos da &lt;b&gt;Carta aos Hebreus&lt;/b&gt;, lembra que com a entrada de Deus na história humana, como um de nós, ele trouxe consigo a revelação definitiva: &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 35.4pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS',sans-serif;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;Muitas vezes e de muitos modos, falou Deus aos nossos pais, nos tempos antigos, por meio dos profetas.&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;Agora, n&lt;/span&gt;esta etapa final, falou-nos pelo seu Filho, a quem nomeou herdeiro de todas as coisas, o mesmo que, por ele tinha criado o mundo.&lt;/i&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt; (Heb.&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;1,1-2).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS',sans-serif;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS',sans-serif;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;E finalmente vem aquele poema literariamente tão belo e teologicamente tão profundo, que nos deixa extasiados e assustados. Este &lt;/span&gt;&lt;b style="line-height: 150%;"&gt;Prólogo do evangelho de João&lt;/b&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt; procura descrever toda a grandeza e profundidade do mistério de Deus mas também dos homens.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS',sans-serif;"&gt; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;i&gt;No princípio já existia a Palavra;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS',sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; a Palavra estava com Deus&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS',sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; e a Palavra era Deus. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 35.4pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS',sans-serif;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;No princípio Ela estava com Deus.&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br style="background-color: rgba(255, 255, 255, 0.917969);" /&gt; Por Ela tudo foi feito; &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 35.4pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS',sans-serif;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;e sem Ela nada foi feito.&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Ela continha a vida&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 70.8pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS',sans-serif;"&gt;e essa vida era a Luz dos homens;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 35.4pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS',sans-serif;"&gt;essa Luz brilha nas trevas, &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 35.4pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS',sans-serif;"&gt;e as trevas não a compreenderam.&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS',sans-serif;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;Apareceu um homem, enviado por Deus, que se chamava João; este vinha como testemunha, para dar testemunho da Luz e por ele todos chegasse à fé. Não era ele a Luz, era apenas testemunho da Luz.&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;A Luz &lt;/span&gt;verdadeira, a que ilumina todo o homem, estava chegando ao mundo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 35.4pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS',sans-serif;"&gt;Ela estava no mundo&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 35.4pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS',sans-serif;"&gt;e, embora o mundo fosse deito por meio dela,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 35.4pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS',sans-serif;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;o mundo não a conheceu.&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Veio para a sua casa&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 35.4pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS',sans-serif;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;mas os seus não a receberam.&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Aos que a receberam,&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 35.4pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS',sans-serif;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;tornou-os capazes de ser filhos de Deus.&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS',sans-serif;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;Aos que lhe dão a sua adesão, estes não nascem da linhagem humana, nem por impulso da carne, nem por vontade de um homem, mas nascem de Deus.&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 35.4pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS',sans-serif;"&gt;E a Palavra se fez carne,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 70.8pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS',sans-serif;"&gt;armou a tenda entre nós&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 70.8pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS',sans-serif;"&gt;e contemplámos a sua glória, &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 70.8pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS',sans-serif;"&gt;a glória de Filho único do Pai,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 70.8pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS',sans-serif;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;cheio de amor e fidelidade.&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS',sans-serif;"&gt;Dele dava testemunho João quando clamava:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS',sans-serif;"&gt;«Este era aquele de quem eu disse: O que vem depois de mim passou-me à frente, porque existia antes de mim».&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 35.4pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS',sans-serif;"&gt;Porque da sua plenitude&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 70.8pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS',sans-serif;"&gt;todos nós recebemos&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 70.8pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS',sans-serif;"&gt;antes de tudo um amor que responde ao seu amor.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS',sans-serif;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;Porque a Lei foi dada por Moisés, o amor e a fidelidade tornaram-se realidade em Jesus o Messias. A Deus jamais alguém o viu; é o Filho único, que é Deus e está ao lado do Pai, quem o deu a conhecer&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;.&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;(&lt;/span&gt;João&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;1,1-18&lt;span class="apple-converted-space"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19736506-2806192422424127673?l=feecompromisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://feecompromisso.blogspot.com/feeds/2806192422424127673/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19736506&amp;postID=2806192422424127673&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19736506/posts/default/2806192422424127673'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19736506/posts/default/2806192422424127673'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://feecompromisso.blogspot.com/2011/12/beleza-deste-natal.html' title='A BELEZA DESTE NATAL'/><author><name>Zé Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12611666981934870239</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19736506.post-5198380585260529649</id><published>2011-12-24T21:35:00.000Z</published><updated>2011-12-24T21:35:05.517Z</updated><title type='text'>BIBLIA: UM LIVRO FASCINANTE</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Convido os leitores a lerem o &lt;a href="http://jornal.publico.pt/noticia/24-12-2011/biblia-sete-historias-de-uma-paixao-23672964.htm"&gt;artigo&lt;/a&gt; do António Marujo no &lt;i&gt;Público&lt;/i&gt; de hoje, no qual resume as opiniões de vários intelectuais e artistas sobre a Bíblia: &lt;b&gt;Bíblia Sete histórias de uma paixão&lt;/b&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Não resisto a copiar para aqui algumas das muitas interessantes ideias. Porque é bem possível que muitos nunca tenham lido a Bíblia e possivelmente muito poucos a meditem regularmente. Isto, apesar do Concílio, ter insistido muito nessa “obrigação”. Lembra que a Bíblia é a alma da teologia e da pregação: “&lt;i&gt;As Sagradas Escrituras contêm a palavra de Deus, e, pelo facto de serem inspiradas, são verdadeiramente a palavra de Deus; e por isso, o estudo destes sagrados livros deve ser como que a alma da sagrada teologia. Também o ministério da palavra, isto é, a pregação pastoral, a catequese e toda a espécie de instrução cristã, na qual a homilia litúrgica deve ter um lugar principal, com proveito se alimenta e santamente se revigora com a palavra da Escritura.&lt;/i&gt;” (DV 24). Depois “&lt;i&gt;exorta com ardor e insistência todos os fiéis, mormente os religiosos, a que aprendam «a sublime ciência de Jesus Cristo» com a leitura frequente das divinas Escrituras, porque «a ignorância das Escrituras é ignorância de Cristo». Debrucem-se, pois, gostosamente sobre o texto sagrado&lt;/i&gt;” (DV 25). Finalmente recomenda a sua difusão devidamente preparada: “&lt;i&gt;Façam-se edições da Sagrada Escritura, munidas das convenientes anotações, para uso também dos não cristãos, e adaptadas às suas condições; e tanto os pastores de almas como os cristãos de qualquer estado procuram difundi-las com zelo e prudência.&lt;/i&gt;” (DV 25). Note-se a famosa frase de S. Jerónimo: «a ignorância das Escrituras é ignorância de Cristo». É verdade. Talvez por isso, nós os católicos conhecemos tão mal Jesus. E ninguém pode amar quem não conhece. Nem segui-lo na sua proposta de conversão dos corações e de construção de um mundo onde todos sejam amados e respeitados.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Agora, com a devida vénia, volto ao artigo do Marujo. &amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Para &lt;b&gt;Luis Miguel Cintra&lt;/b&gt;, a Bíblia trata-se de “um texto genial, mesmo do ponto de vista literário; a escrita dos evangelhos é absolutamente deslumbrante”. Para lá desse aspecto formal, impressiona-o a permanente ligação do humano ao divino: “Há, nessa escrita, uma ligação à actividade humana. O que é fundamental no cristianismo é o&amp;nbsp;&lt;i&gt;incarnatus est&lt;/i&gt;&amp;nbsp;[Ele incarnou], a ligação do humano com o divino. O evangelho fala do encontro daquele que foi Deus na terra”. E dá vários exemplos – o baptismo de Jesus, a anunciação – e até no AT, que traça “uma espécie de história de um povo em diferentes níveis de compreensão”, com a qual “comovo-me também, porque ligam mais uma vez o divino ao humano”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Tolentino de Mendonça&lt;/b&gt; refere vários livros dos 72 que compõem a Bíblia, mas “penso que à hora da minha morte gostaria que me lessem o Cântico dos Cânticos”, esse “epitalâmio, um canto de admiração trocado por dois enamorados, um sussurro e uma extraordinária meditação acerca do amor”. Trata-se de um poema no qual “o amor está sempre a ser proposto e reproposto: nunca é construção terminada. Há um ritmo incessante de movimentos, quase vertiginoso em alguns momentos. O amor faz destes enamorados nómadas, buscadores e mendigos. Todo o diálogo de amor é uma conversa entre mendigos”, sintetizado na famosa frase: “Grava-me como selo no teu coração, como selo no teu braço, porque forte como a morte é o amor” (Ct 8,6).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Alice Vieira&lt;/b&gt;, apesar da sua formação republicana, laica e anticlerical, não resiste à beleza e sabedoria eterna dos Salmos: “Está para lá de tudo, ninguém tem dúvida de que é o grande livro da Bíblia. É grande literatura, onde a palavra é muito bem utilizada. O autor é o maior poeta de todos, consegue chegar até hoje como se escrevesse agora. Estão lá as nossas angústias e medos, o nosso desespero, mas também a nossa felicidade e a nossa esperança”.&amp;nbsp;E faz uma sugestão algo inesperada: “O que acho é que as pessoas deviam ler um bocadinho mais a Bíblia... Quando se está chateado ou a precisar de reflectir sobre qualquer coisa, abre-se a Bíblia ao acaso e encontra-se sempre algo que vem ao nosso encontro.&lt;br /&gt;Levo sempre a Bíblia comigo”. &amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Esther Mucznik&lt;/b&gt;, da comunidade judaica, destaca as duas vertentes que a encantam: “A Bíblia é absolutamente fascinante: retrata a condição humana com todas as suas imperfeições e violências, mas também com o seu lado sublime. É um testemunho da caminhada espiritual de um povo. Essa caminhada tem uma vertente geográfica, da Mesopotâmia até Canaã, e uma vertente espiritual, do politeísmo ao monoteísmo”. Para lá do livro do Êxodo, o livro fundante do povo judeu, destaca o livro de Job, pela sua universalidade, pelo que “é extremamente moderno”, e do qual se podem fazer duas leituras fundamentais: “A mais comum é a eterna questão do bem e do mal: Job é temente a Deus e Deus castiga-o. Job contesta, argumenta, Deus responde e pergunta-lhe: "Mas quem és tu para contestar os meus desígnios?" Porque os desígnios de Deus são insondáveis ao entendimento humano. A segunda leitura é a que mais me interessa: no final do livro, Job volta à felicidade. Há um final feliz, porque, ao longo de todo o texto, Job nunca aceita a culpa. "Denegrindo-nos, é como se denegríssemos a obra divina", como diz Job”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Mas a nota que mais destaca é a contínua referência ao diálogo, à interrogação e à dúvida: “O que mais gosto, em Job como também nos profetas, não é que eles dizem "ámen", mas estabelecem um diálogo com Deus, por vezes um diálogo com dúvidas. Ser humano, com todas as capacidades que Deus nos dá, de colaboradores seus, de aperfeiçoamento do mundo, implica também a dúvida. Também Abraão negoceia com Deus, por exemplo na questão da destruição de Sodoma. Mas até me identifico mais com Moisés, que é um homem de dúvida, que discute se a sua escolha para liderar o povo é a melhor. A dúvida leva-nos mais longe, leva-nos a perguntar, a interrogar Deus também”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Dimas de Almeida&lt;/b&gt;, pastor protestante, não destaca nenhum livro porque a Bíblia é “uma polifonia”. Por isso, “prefiro evitar criar um cânone dentro do cânone, gostaria de seguir a pluralidade do cânone, que é tão rico, tão conflitual, que até podemos dizer que há teologias em conflito, o que é extremamente salutar. Prefiro tentar aguentar a tensão inerente à diversidade dos textos e, em vez de eleger um único texto, gostaria antes de ter como minha eleição a pluralidade do cânone”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Teresa Toldy&lt;/b&gt;, teólogo católica, destaca o livro do Êxodo, “é um dos meus fascínios e conta uma história única, que é de toda a humanidade. Tudo o que é o melhor e o pior da humanidade está ali e isso é fascinante. É como se fosse um pano de fundo para os tempos que vivemos agora”. Dos Evangelhos recorda episódios que a fascinam: “a história dos discípulos de Emaús, após a ressurreição de Jesus, reinterpretando o que acontecera, o que eles vêem e não vêem, o que acontece quando eles reconhecem Jesus, tudo isso é espantoso. E o relato de quando Jesus aparece a Maria Madalena, depois de ressuscitar, comove-me profundamente. Tal como o prólogo do Evangelho de S. João, não só do ponto de vista teológico, mas da cadência poética do texto, em qualquer língua em que se leia. Por exemplo, o texto, no original grego, diz que Deus acampou no meio da humanidade. Isso é fascinante.”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Será que a maioria dos católicos se sente assim fascinado pela Bíblia, andam sempre com ela, a ela recorrem nos momentos de alegra e nos de tristeza. É que «a ignorância das Escrituras é ignorância de Cristo».&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;SANTO NATAL PARA TODOS&lt;/b&gt; com muita alegra, muita paz interior e muito amor.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;!--[if !supportLineBreakNewLine]--&gt;&lt;br /&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;!--[if !supportLineBreakNewLine]--&gt;&lt;br /&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19736506-5198380585260529649?l=feecompromisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://feecompromisso.blogspot.com/feeds/5198380585260529649/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19736506&amp;postID=5198380585260529649&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19736506/posts/default/5198380585260529649'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19736506/posts/default/5198380585260529649'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://feecompromisso.blogspot.com/2011/12/biblia-um-livro-fascinante.html' title='BIBLIA: UM LIVRO FASCINANTE'/><author><name>Zé Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12611666981934870239</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19736506.post-3907318244807149104</id><published>2011-12-22T14:15:00.000Z</published><updated>2011-12-22T14:15:47.693Z</updated><title type='text'>NATAL e CIDADANIA</title><content type='html'>Apesar de já ter mandado a mensagem de Natal da Comissão Diocesana Justiça e Paz aos meus amigos, parece-me importante deixá-la aqui no meu blog.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 2.85pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: -webkit-auto;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: -0.05pt; margin-top: 0cm; text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14.0pt;"&gt;Natal - Estímulo para uma Cidadania plena&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: -0.05pt; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt;"&gt;1. Se o Natal existe tal como o temos, é porque este modelo de celebração responde a algum tipo de necessidades humanas. Ora, pesem todas as teorias, e são muitas, necessidades basicamente necessidades, sem cuja satisfação não podemos sequer subsistir, só há duas: de pão e de afeto. Ao pão associamos o conjunto dos bens materiais que nos permite uma existência digna, uma participação social por direito próprio, uma radical igualdade com os demais; ao afeto associamos o conjunto de bens sociais, psicológicos, culturais e espirituais que nos faz sentir desejados, acolhidos, amados, e nos remete sempre para uma indizível plenitude de comunhão com os outros, com a vida, com a criação, com o transcendente, com Deus.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt;"&gt;Ora o Natal, na sua génese e história antropológica, religiosa e cultural, reenvia-nos sempre para este mundo do afeto, da comunhão, da plenitude de vida, do Absoluto. É isso que torna o Natal um “tempo especial”, é essa a sua magia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt;"&gt;2. Desde o seu nascimento, Jesus quis viver entre os últimos da sociedade: comeu com os desprezados, tocou os leprosos, participou nas alegrias e sofrimentos dos humildes, denunciou e combateu as injustiças de uma sociedade organizada à medida dos senhores do mundo. Tal como então, também hoje há dois grupos de pessoas bem definidas: de um lado, os pobres, os ignorantes, os desprezados, os «não justos» que esperam uma palavra de amor, de afeto, de esperança e de libertação; do outro, os ricos, os poderosos, os que vivem isolados e distantes dos mais débeis, certos de que já possuem tudo o que precisam para ser felizes e, portanto, não necessitam de nenhum salvador.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt;"&gt;3. Enquanto membros da Comissão Diocesana Justiça e Paz percebemos na Incarnação de Deus em Jesus de Nazaré a mais radical de todas as respostas à nossa necessidade de pão e de afeto: Deus e o homem tornaram-se &lt;i&gt;aliados&lt;/i&gt; na construção do Reino da justiça e da paz, da fraternidade e da verdade, do bem no tempo presente e da jovialidade por toda a eternidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt;"&gt;A esta luz, queremos desafiar-nos e desafiar os nossos coetâneos à utopia de um Natal vivido na verdade das relações, na sobriedade que se abre à solidariedade, na gratuidade da presença amiga, junto de familiares, de amigos e dos últimos da sociedade. Em boa verdade é essa a mística do presépio, como tantas vezes no-lo ensinaram os poetas, mesmo aqueles que se confessam agnósticos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt;"&gt;4. Contudo, para responder universalmente e reequilibrar entre si as respostas tanto às necessidades de pão como às necessidades de afeto, não chegam as boas vontades e gestos individuais, nem sequer das várias iniciativas da chamada sociedade civil por mais meritórios que sejam. É preciso que aqueles que gerem “o bem comum”, nos governos, na administração pública e nas empresas, nas escolas e na comunicação social, nos tribunais ou nas forças de segurança, trabalhem ativamente sobre as estruturas concretas que podem facilitar este processo. O Natal obriga-nos, em nome da Incarnação do Senhor Jesus e em nome do homem e da mulher concretos, incarnados, histórica e culturalmente situados, a reclamar dos agentes privilegiados da vida coletiva a luta sem tréguas pelo bem de todos e de cada um.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt;"&gt;5. Estamos a viver o Natal num tempo de &lt;i&gt;crise&lt;/i&gt;, uma crise real, que mergulha na pobreza e no desespero muitos dos nossos irmãos e transporta consigo uma profunda mudança de paradigma. Esta circunstância obriga-nos a deixar também um desafio às comunidades cristãs, de que fazemos parte. Muitas vezes, sem nos apercebermos disso, somos levados na grande “onda” do modo comum de vida que nos rodeia. A própria fé cristã, mesmo quando se exprime no voluntarismo religioso, tantas vezes se deixa envolver pelo individualismo, pelo hedonismo, pelo consumismo. A solidariedade, a caridade e a comunhão estão longe de ser práticas assimiladas na Igreja, mesmo quando partilhamos generosamente alguns bens. Mas nós acreditamos que no Natal, em Jesus, Deus quis incarnar no meio dos pobres e com eles iniciar a nova humanidade, onde a fraternidade acabasse com a divisão discriminatória e injusta e trouxesse a libertação para todos. E sabemos que, como Povo de Deus, nos compete prolongar as ações amorosas de Jesus, que tornem presente e eficaz na sociedade a força libertadora do Reino de Deus. Assim sendo, de que lado estamos? Somos ricos ou pobres, oprimidos ou opressores, distantes ou próximos, livres ou escravos do consumismo?&amp;nbsp; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt;"&gt;6. Para todos, o Natal é um tempo de forte dinâmica. Os desafios que nos lança, de modo especial aos crentes, não podem ficar-se pela sua dimensão intelectual, nem por gestos pontuais, mas devem atingir as próprias bases em que assenta a nossa sociedade tão globalizada: o Natal ou se torna numa vivência sempre renovada ao jeito de Jesus de Nazaré ou não é Natal.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt;"&gt;Esses desafios estão apontados no modo como Deus incarnou na nossa história, no Menino que nasceu em Belém:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: -0.05pt; margin-top: 0cm; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt;"&gt;- &lt;b&gt;solidariedade máxima&lt;/b&gt; - Deus assume a condição daqueles que quer tornar felizes. Deus não nos salva de cima, mas vem construir connosco a nossa própria história de libertação e &lt;i&gt;portanto nós devemos viver a solidariedade não com um sentimento de compaixão vago e pontual mas como estilo de vida permanente e responsável por todos, procurando construir a História a partir dos mais carenciados e em estreita cooperação com eles&lt;/i&gt;;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: -0.05pt; margin-top: 0cm; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt;"&gt;- &lt;b&gt;construção da paz&lt;/b&gt; - o Seu nascimento foi acompanhado pelo desejo divino da paz, um bem tão frágil mas tão necessário: “Paz na terra aos homens de boa vontade” e &lt;i&gt;esse Menino, “Príncipe da Paz”, desafia-nos a sermos construtores da paz, na nossa família, com os nossos amigos e inimigos, em todos os âmbitos da nossa sociedade&lt;/i&gt;;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: -0.05pt; margin-top: 0cm; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt;"&gt;- simplicidade&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt;"&gt; - a gruta onde quis nascer desafia-nos à simplicidade, a &lt;i&gt;uma simplicidade de vida que passa pela sobriedade e moderação na utilização dos recursos da natureza, mas também simplicidade interior que supera medos indefinidos, incompreensões mútuas, falta de esperança e de sentido para a vida e que potencia uma sociedade cada vez mais assente na transparência, honestidade, acolhimento do outro, luta pela justiça e respeito pelos direitos fundamentais e pela dignidade inviolável de cada pessoa e de cada povo&lt;/i&gt;;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: -0.05pt; margin-top: 0cm; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt;"&gt;- &lt;b&gt;prioridade aos deserdados deste mundo&lt;/b&gt; - nasce pobre, numa noite fria e o &lt;i&gt;Seu&lt;/i&gt; &lt;i&gt;nascer como pobre e abandonado numa noite tão fria desafia-nos a dar a prioridade máxima aos deserdados deste mundo, aos marginalizados e excluídos, aos explorados por um sistema que absolutiza o dinheiro nas suas mais variadas formas, secundarizando a pessoa, o trabalho como vocação e realização pessoal, a criatividade de cada um, a igualdade de oportunidades;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: -0.05pt; margin-top: 0cm; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt;"&gt;-&lt;b&gt; absoluto de vida&lt;/b&gt; - Deus encarna, nasce feito carne e cultura humana e o &lt;i&gt;Seu nascimento desafia-nos a construir uma cultura da vida, uma vida em abundância, em todos os seus momentos e circunstâncias, para todos, seja para a geração presente seja para as gerações futuras, que nada mais podem fazer que herdar o mundo que lhe deixarmos e como lho deixarmos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: -0.05pt; margin-top: 0cm; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: -0.05pt; margin-top: 0cm; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt;"&gt;7. Em resumo, nesta época de solidariedade e amor, somos chamados a testemunhar a responsabilidade, a repartição de bens e dons, a fraternidade e a gratuidade; a desencadear comportamentos individuais e comunitários de honestidade pública e privada no desempenho das funções de cada um; a respeitar a honradez nos compromissos assumidos; a rejeitar qualquer colaboração nas várias formas de economia paralela e a combate-la por todos os meios legais e morais; a estimular o exercício decidido da cidadania, própria e alheia, no respeito pela solidariedade e a subsidiariedade; a dedicar uma especial atenção às velhas e às novas formas de pobreza.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt;"&gt;8. O Deus-Menino &lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="color: #222222;"&gt;veio para fazer desaparecer todas as situações de opressão e violência e abrir uma nova era, uma era de paz, justiça e fraternidade. Reconhecido e acolhido pelos “últimos”,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #222222;"&gt; &lt;span class="apple-style-span"&gt;foi recusado e condenado pelos poderosos. Para todas as gerações, para todas as sociedades, também para nós, o Menino do presépio será sempre "sinal de contradição" (Lc 2, 34).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: -0.05pt; margin-top: 0cm; text-align: right;"&gt;&lt;span style="color: #222222; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt;"&gt;Coimbra, 13 de Dezembro de 2011&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 2.85pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19736506-3907318244807149104?l=feecompromisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://feecompromisso.blogspot.com/feeds/3907318244807149104/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19736506&amp;postID=3907318244807149104&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19736506/posts/default/3907318244807149104'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19736506/posts/default/3907318244807149104'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://feecompromisso.blogspot.com/2011/12/natal-e-cidadania.html' title='NATAL e CIDADANIA'/><author><name>Zé Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12611666981934870239</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19736506.post-7814502444933805589</id><published>2011-12-12T01:31:00.004Z</published><updated>2011-12-12T02:05:48.102Z</updated><title type='text'>DIREITOS HUMANOS</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;span style="color: #333333;"&gt;Foi a 10 de Dezembro de 1948 que a ONU adoptou a&amp;nbsp;&lt;b&gt;Declaração Universal dos Direitos Humanos&lt;/b&gt;.&amp;nbsp;Abalados pela barbárie recente e com o intuito de construir um mundo sobre novos fundamentos, os governantes das várias nações procuraram chegar a um acordo que se revelou bastante difícil dado que estavam em confronto duas ideologias representadas pelo bloco “ocidental” e pelo bloco comunista. Depois de longos debates foi alcançado um compromisso, cujo primeiro artigo afirma solenemente: "&lt;i&gt;Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade&lt;/i&gt;".&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;span style="color: #333333;"&gt;Congratulamo-nos vivamente com mais esta conquista da humanidade, mas é bom não esquecer outros lutadores pelos direitos humanos, sobretudo na era dos Descobrimentos. Um dos mais famosos foi o dominicano&amp;nbsp;&lt;b&gt;Antonio de Montesinos&lt;/b&gt;, que, como um célebre sermão, desencadeou uma verdadeira revolução.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #333333;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;span style="color: #333333;"&gt;No dia 21 de Dezembro de 1511, quarto domingo do Advento, perante os senhores coloniais, proferiu o chamado “&lt;b&gt;Sermão do Advento&lt;/b&gt;”, no qual comentava a passagem bíblica “Eu sou a voz que clama no deserto” (Jo 1,23) que fazia parte das leituras desse dia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;span style="color: #333333;"&gt;Começou por avisar os presentes da dureza das palavras que iria proferir não a título pessoal mas como voz de Cristo e que, portanto, deviam ser ouvidas com toda a atenção:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-image: initial; background-origin: initial; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;i&gt;«Para vos dar a conhecer (os pecados gravíssimos nos quais com tanta insensibilidade estais continuamente mergulhados e neles morreis) subi a este púlpito, eu que sou voz de Cristo no deserto desta ilha, e, portanto, convém que a ouçais com atenção, não de qualquer maneira, mas com todo o vosso coração e com todos os vossos sentidos. Ela será a mais nova que nunca ouvistes, a mais agreste e dura e a mais espantosa e perigosa que jamais pensastes ouvir”&lt;/i&gt;&lt;span style="color: #333333;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-image: initial; background-origin: initial; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;span style="color: #333333;"&gt;E o que tem esta voz a dizer?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-image: initial; background-origin: initial; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="color: #333333;"&gt;Todos&amp;nbsp;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;vós estais em pecado mortal e nele viveis e nele morrereis, devido à crueldade e tirania que usais com estas gentes inocentes.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="color: #333333;"&gt;&amp;nbsp;&lt;i&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;Dizei-me, com que direito e baseados em que justiça, mantendes em tão cruel e horrível servidão estes índios?&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&amp;nbsp;&lt;i&gt;Com que autoridade fizestes tão detestáveis guerras a estes povos que estavam nas suas terras mansas e pacíficas e tão numerosas e&lt;/i&gt;&amp;nbsp;&lt;i&gt;os consumistes com mortes e destruições inauditas?&lt;/i&gt;&amp;nbsp;C&lt;i&gt;omo podeis tê-los tão oprimidos e fatigados, sem lhes dar de comer nem os curar nas suas enfermidades, causadas pelos excessivos trabalhos que lhes impondes, que os fazem morrer, ou melhor dizendo, que vós matais para poder arrancar e adquirir ouro cada dia? E que cuidado tendes para que sejam catequizados e conheçam o seu Deus e criador, sejam baptizados, oiçam a missa e guardem as festas e os domingos?&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-image: initial; background-origin: initial; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;span style="color: #333333;"&gt;E depois vem a pergunta que ainda hoje tem infelizmente actualidade, não na letra escrita, mas na prática realizada:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-image: initial; background-origin: initial; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-image: initial; background-origin: initial; color: #333333;"&gt;Não são eles acaso homens?&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="color: #333333;"&gt;&amp;nbsp;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;Não têm almas racionais?&lt;/span&gt;&amp;nbsp;N&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;ão sois vós obrigados a amá-los como a vós mesmos?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="color: #333333;"&gt;&amp;nbsp;&lt;i&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;Será que não entendeis isso? Não sentis isto?&lt;/span&gt;&amp;nbsp;Como estais adormecidos num sono tão letárgico e profundo? Tende por certo que no estado em que estais não vos podeis salvar mais que os mouros ou turcos que carecem e não querem a fé de Jesus Cristo&lt;/i&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-image: initial; background-origin: initial; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;span style="color: #333333;"&gt;Este sermão foi possivelmente a primeira voz a denunciar a situação de exploração a que estavam submetidos os habitantes daquelas terras da ilha de Hispaniola, uma ilha que está hoje dividida entre o Haiti e a República Dominicana. Um dos primeiros efeitos foi a “conversão” de&amp;nbsp;&lt;b&gt;Bartolomé de las Casas&lt;/b&gt;&amp;nbsp;que depois se tornou o grande defensor dos índios.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-image: initial; background-origin: initial; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-image: initial; background-origin: initial; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;span style="color: #333333;"&gt;Mas estas palavras não podiam deixar ninguém sossegado, mesmo a grandes distâncias. Elas abalaram a consciência das&amp;nbsp;&lt;b&gt;autoridades espanholas&lt;/b&gt;, que se sentiram obrigadas a promulgar as "Leis de Burgos" (1512) e as "Leis de Valladolid" (1513), para melhorar as condições dos nativos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-image: initial; background-origin: initial; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;span style="color: #333333;"&gt;Claro que nada disto serviu para atemorizar a ganância de tanto espanhol que continuava a explorar e a escravizar os índios, até porque a Corte espanhola ficava muito distante e eles tinham tempo e liberdade para tudo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-image: initial; background-origin: initial; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;span style="color: #333333;"&gt;Por isso, também o papa&amp;nbsp;&lt;b&gt;Paulo III&lt;/b&gt;&amp;nbsp;teve de tomar posição, pelo menos por duas vezes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;span style="color: #333333;"&gt;A primeira para afirmar que os índios também têm alma e, portanto, não podem ser reduzidos à escravatura, no&lt;i&gt;Breve&amp;nbsp; Pastorale officium&lt;/i&gt;&amp;nbsp;(29.Maio.1537) dirigido ao Arcebispo de Toledo:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="color: #333333;"&gt;Tivémos conhecimento de que (...) Carlos (V), imperador dos romanos &amp;nbsp;(...) para reprimir aqueles que, levados pela ambição, desenvolveram uma teoria desumana sobre o género humano, proibiu por edito público todas essas teses para que ninguém presuma que pode reduzir a escravos os Índios ocidentais ou meridionais ou privá-los dos seus bens. Mandamos a esses que atendam a que os Índios, mesmo que vivam fora da Igreja, não podem ser privados nem da sua liberdade nem da posse dos seus bens, visto que são homens capazes (de alcançar) a fé e a salvação, nem devem ser reduzidos à escravatura mas antes convidados para a vida por meio da pregação e do bom exemplo. Além disso, mandamos que reprimas esses crimes tão condenáveis de tais ímpios e que providencies com a tua solicitude, para que (os Índios) não se tornem, levados pelas injúrias e danos, mais resistentes, mas antes mais desejosos da fé de Cristo que devem abraçar.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="color: #333333;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-image: initial; background-origin: initial; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;span style="color: #333333;"&gt;A segunda, dirigida a toda a Igreja, com a publicação da&lt;i&gt;&amp;nbsp;Bula Sublimis Deus&lt;/i&gt;&amp;nbsp;(2.Junho.1537):&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-image: initial; background-origin: initial; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="color: #333333;"&gt;O homem é, por sua natureza, capaz de receber a fé em Cristo, e todos os que participam da natureza humana têm aptidão para receber esta mesma fé (...). O inimigo do género humano (...) imaginou um meio desconhecido até agora para impedir que a palavra de Deus seja pregada às nações para a sua salvação.&amp;nbsp; Incitou alguns dos seus satélites que, no desejo de saciar os seus apetites, tiveram a audácia de afirmar que devem ser reduzidos à escravatura estes índios (...) que foram descobertos na nossa época, sob o pretexto de que são como animais brutos e incapazes de receber a fé católica (...). Carregam-nos com maiores trabalhos que aos animais irracionais que utilizam (...). Considerando que estes índios, que são evidentemente homens verdadeiros, não só são capazes de receber a fé cristã, como acodem a esta fé com presteza, e desejando aplicar a este assunto os remédios oportunos declaramos&amp;nbsp; (...), em virtude da nossa autoridade apostólica, que estes índios, assim como todos os outros povos que no futuro cheguem ao conhecimento dos cristãos, embora estejam ainda fora da fé cristã, não devem ser privados da sua liberdade nem do uso dos seus bens; que, pelo contrário, devem poder usar desta liberdade e destes bens e gozar livremente deles; e que não devem ser reduzidos à escravatura. Haverá que convidar esses índios e os demais povos a receber a fé cristã pela pregação da Palavra de Deus e pelo exemplo de uma vida virtuosa&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="color: #333333;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-image: initial; background-origin: initial; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;span style="color: #333333;"&gt;Poderia estar aqui, na opinião dos Dominicanos, o "embrião" da Declaração dos Direitos Humanos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19736506-7814502444933805589?l=feecompromisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://feecompromisso.blogspot.com/feeds/7814502444933805589/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19736506&amp;postID=7814502444933805589&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19736506/posts/default/7814502444933805589'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19736506/posts/default/7814502444933805589'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://feecompromisso.blogspot.com/2011/12/direitos-humanos.html' title='DIREITOS HUMANOS'/><author><name>Zé Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12611666981934870239</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19736506.post-995357279660423781</id><published>2011-12-07T14:46:00.000Z</published><updated>2011-12-07T14:46:42.255Z</updated><title type='text'>JUSTIÇA NO MUNDO</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 42.55pt; mso-outline-level: 1; tab-stops: -1.0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Segoe UI&amp;quot;; mso-bidi-font-weight: bold; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;No penúltimo &lt;i&gt;post &lt;/i&gt;comecei a falar do documento do Sínodo dos Bispos de 1971.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 10pt;"&gt;Talvez parecesse estranho a &amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 13px;"&gt;algum leitor que eu tenha despendido tanto tempo&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 13px; text-align: -webkit-auto;"&gt;&amp;nbsp;com a doutrina da colegialidade. Mas queria deixar claro como a Cúria romana sabe dar volta aos assuntos que põem em causa o seu&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 13px;"&gt;poder &amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 13px;"&gt;&amp;nbsp;milenar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 42.55pt; mso-outline-level: 1; tab-stops: -1.0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 13px;"&gt;Este texto tem a particularidade de ser &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 13px;"&gt;possivelmente o único em que a colegialidade foi vivida na sua pureza original. Não foi a Cúria que fiscalizou o documento&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 13px;"&gt;. Não foi o Papa que lhe deu os&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 13px; text-align: -webkit-auto;"&gt;retoques finais&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 13px;"&gt;nem o escreveu na sua totalidade, depois de um ano de reflexão, como passou a acontecer com todos os Sínodos seguintes. &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 13px;"&gt;Foram&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 13px;"&gt;realmente os Bispos reunidos em Sínodo que o debateram, escreveram e aprovaram. E foi assim que&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 13px;"&gt;foi publicado.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 42.55pt; mso-outline-level: 1; tab-stops: -1.0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 13px;"&gt;Uma segunda nota que queria referir tem a ver com o total esquecimento a que foi votado. Não sei se tem alguma coisa a ver com a violência profética do seu conteúdo. Mas é uma hipótese a não descartar. De qualquer modo, parece-me que crónica que se segue é uma boa introdução a este problema e também ao começo da reflexão sobre o documento, que irei fazer fazendo com alguma regularidade durante algum tempo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 42.55pt; mso-outline-level: 1; tab-stops: -1.0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Segoe UI&amp;quot;; mso-bidi-font-weight: bold; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 42.55pt; mso-outline-level: 1; tab-stops: -1.0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Segoe UI&amp;quot;; mso-bidi-font-weight: bold; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;ESQUECIMENTO SIGNIFICATIVO&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 42.55pt; mso-outline-level: 1; tab-stops: -1.0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 13px;"&gt;Fez no passado dia 30 de Novembro, quarenta anos que os bispos, reunidos em Sínodo, publicaram o documento “A Justiça no Mundo”. Aborda não só da justiça no mundo, mas também na Igreja e dá grande relevo às relações da justiça com a evangelização.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 42.55pt; tab-stops: -1.0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Segoe UI&amp;quot;; mso-bidi-font-weight: bold; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;Trata-se de um documento em tom profético, muito atento à realidade eclesial e social. E, estranhamente ou não, é um texto que foi ignorado, até me apetecia dizer ostracizado, já que, tanto quanto sei (mas não li tudo!?), nunca o vi citado nem referido nos principais documentos do Magistério nem ouvi falar dele em encontros de formação, homilias e afins. É como se tivesse havido uma conspiração de silêncio e silenciamento contra ele. Será pelo seu conteúdo?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 42.55pt; tab-stops: -1.0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Segoe UI&amp;quot;; mso-bidi-font-weight: bold; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;A ideia central é esta: “&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 10pt;"&gt;A acção pela justiça e a participação na transformação do mundo aparecem-nos claramente como uma dimensão constitutiva da pregação do Evangelho, que o mesmo é dizer, da missão da Igreja, em prol da redenção e da libertação do género humano de todas as situações opressivas” (6). É uma frase extremamente violenta para o nosso comodismo pastoral e a nossa inércia missionária, mas muito clarinha: não há autêntica evangelização sem &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Segoe UI&amp;quot;; mso-bidi-font-weight: bold; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;a luta pela justiça. Até os próprios bispos da altura se assustaram com a palavra “luta” e a substituíram por “acção”. Uma ou outra reflectem uma força profética que chamaria de subversiva relativamente às nossas formas de evangelização: para muitos, evangelização reduz-se à catequese. Há até secretariados diocesanos que se chamam de “evangelização e catequese”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 42.55pt; tab-stops: -1.0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Segoe UI&amp;quot;; mso-bidi-font-weight: bold; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;Luta pela justiça e evangelização não encaixam bem na mentalidade de muitos cristãos. Ligar a fé à justiça é aceitável, pois podemos ficar pela esfera dos conceitos e sabemos que a justiça plena não é atingível neste mundo. Mas ligar fé e luta pela justiça já é mais complicado. Luta implica compromisso doloroso, potencial perda de regalias legítimas, perseguições: “Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça porque deles é o Reino do Céu” (Mt 5,10). Nem com uma recompensa absoluta estamos muito disponíveis para esta luta, quanto mais para perder a cabeça como João Baptista e tantos profetas antigos e actuais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 42.55pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Segoe UI&amp;quot;; mso-bidi-font-weight: bold; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;Parece-me, pois, muito interessante esta mudança do centro de gravidade: da &lt;i&gt;justiça&lt;/i&gt; para a &lt;i&gt;luta pela justiça&lt;/i&gt;. De algum modo, o texto confirma esta alteração: “&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 10pt;"&gt;Perante esta situação do mundo hodierno, marcado pelo grande pecado da injustiça, sentimos a nossa responsabilidade nela, ao mesmo tempo que experimentamos a nossa impotência” (30).&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Segoe UI&amp;quot;; mso-bidi-font-weight: bold; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt; Há aqui implícita a ideia de que a justiça plena nos escapa, mas lembra a nossa responsabilidade em muitas injustiças. E essas devemos combatê-las e eliminá-las dentro do possível. Amartya Sem, no seu livro “A Ideia de Justiça”, escreve algo semelhante: “&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt;"&gt;O que nos toca, e é razoável que o faça, não é o darmo-nos conta de que o mundo fica aquém de um estado de completa justiça (…) mas o facto de que, à nossa volta, existam injustiças manifestamente remediáveis e que temos vontade de eliminar”. Sem esta percepção, Gandi ou Luther King nunca teriam desafiado impérios. Não se trata, pois, de conseguir um mundo perfeitamente justo, mas de querer remover as injustiças evidentes na medida do possível. Precisamos de identificar e combater a “injustiça superável”. Contudo é mais cómoda a primeira posição, mesmo para teóricos da justiça: “Muitas teorias concentram-se em como chegar a fundar “instituições justas” deixando um papel secundário para os aspectos comportamentais”. Isto é, esquecem-se e nós também esquecemos do mais importante: as pessoas e as suas circunstâncias. Ora centrarmo-nos na vida real das pessoas traz muitas implicações até no que toca à natureza e alcance da própria ideia de justiça.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 42.55pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt;"&gt;O “nosso” texto assume a segunda perspectiva: “&lt;span class="apple-style-span"&gt;Apercebemo-nos de que existe no mundo uma série de injustiças que constituem o núcleo dos problemas do nosso tempo e cuja solução exige canseiras e responsabilidades a todos os níveis da sociedade”. Por isso, “a nossa acção deve ter como objectivo, em primeiro lugar, aqueles homens e nações que, devido a formas diversas de opressão e por força da índole própria da sociedade actual, são vítimas silenciosas da injustiça e, mais ainda, vítimas da injustiça sem voz” (20). Muito significativa esta referência às duas situações: vítimas “silenciadas”, porque não as deixamos falar, não lhe damos voz, não cabem nos nossos noticiários, e “silenciosas”, porque não sabem ou não podem falar ou até já desistiram de o fazer perante tanta porta fechada que se lhes deparou. Mas os bispos não ignoram que vivemos numa &lt;/span&gt;"injustiça estrutural", na qual têm também grande responsabilidade os "sistemas e mecanismos injustos" (5; 13), verdadeiras "barreiras e círculos viciosos que se opõem à promoção colectiva (e são) obstáculos objectivos à conversão dos corações" (16,34,52), sem a qual não pode haver uma autêntica luta pela justiça.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 42.55pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 13px;"&gt;A luta pela justiça não é inata. Portanto, exige uma educação permanente por parte da família e da sociedade. Mas também da Igreja, através da “&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-style-span" style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 13px; text-indent: 30px;"&gt;Liturgia da Palavra, a catequese e a celebração dos Sacramentos”, especialmente a Eucaristia que “constitui a comunidade e a põe ao serviço dos homens” (59). Mas também pela prática da justiça no seu interior a todos os níveis: “o nosso exame de consciência estende-se ao estilo de vida de todos: bispos, presbíteros, religiosos e religiosas e leigos. Impõe-se perguntar se, entre as populações pobres, o pertencer à Igreja não será um meio de acesso a uma ilha de bem-estar, num contexto de pobreza” (49).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 42.55pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 13px;"&gt;Um documento destes estava obrigatoriamente condenado a ser esquecido tanto pelos responsáveis como pelos irresponsáveis. Não é evidente!?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19736506-995357279660423781?l=feecompromisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://feecompromisso.blogspot.com/feeds/995357279660423781/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19736506&amp;postID=995357279660423781&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19736506/posts/default/995357279660423781'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19736506/posts/default/995357279660423781'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://feecompromisso.blogspot.com/2011/12/justica-no-mundo.html' title='JUSTIÇA NO MUNDO'/><author><name>Zé Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12611666981934870239</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19736506.post-908193090628435791</id><published>2011-12-04T11:26:00.002Z</published><updated>2011-12-04T11:28:35.857Z</updated><title type='text'>TEMPO DE VIGILÂNCIAS</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Para os católicos, começou no passado domingo um novo ano litúrgico. No primeiro domingo, a palavra de ordem do Evangelho foi “Vigiai”. O Evangelho refere-se à atenção com que devemos estar atento a uma repentina chegada do Senhor. A história, contudo, já nos ensinou que essa vinda não estará tão iminente como as primeiras comunidades acreditavam. Mas a “ordem” mantém-se. Estar atento aos sinais dos tempos é uma exigência que o Concílio Vaticano II atribui à Igreja: “&lt;span class="apple-style-span"&gt;Para levar a (sua) missão, é dever da Igreja investigar a todo o momento os sinais dos tempos, e interpretá-los à luz do Evangelho; para que assim possa responder, de modo adaptado em cada geração, às eternas perguntas dos homens acerca do sentido da vida presente e da futura, e da relação entre ambas. É, por isso, necessário conhecer e compreender o mundo em que vivemos, as suas esperanças e aspirações, e o seu carácter tantas vezes dramático” (GS 4).&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;“Vigiai” na Igreja&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;Um primeiro campo no qual os cristãos devem procurar fazer um adequado discernimento é a Igreja a que pertencem. Vivemos hoje uma profunda crise eclesial, que, não o podemos esquecer, tem muito a ver com a crise da sociedade, desnorteada com a rapidez a que se sucedem mudanças profundas. Mas há também razões internas. Por exemplo, num recente inquérito realizado &lt;/span&gt;para descobrir quais as razões que levam os jovens a abandonar a Igreja, o&lt;span class="apple-style-span"&gt; &lt;/span&gt;Grupo Barna a&lt;span class="apple-style-span"&gt;pontou várias conclusões, das quais destaco apenas uma: &lt;/span&gt;a formação que eles recebem não é profunda nem suficiente e, sem bases sólidas, toda essa formação se perde quando chegam aos 20 anos de idade. E esta formação tipo verniz não se pratica só com os jovens mas também com adultos. Seria bom que todos vigiássemos, denunciássemos esta catequese tão superficial e fizéssemos alguma coisa para a ajudar a mudar esta situação estrutural. “Vigiai” para que a formação se torne mais adequadas ao nosso tempo e às características das crianças e dos jovens (e dos adultos) de hoje. É que se não sabem(os) em quem acreditam(os) que rumo podem(os) dar à vida, com que critérios? Claro este é um exemplo. Mas outros podiam ser as estruturas já caducas que entravam o acesso pleno à Eucaristia, sem a qual não há comunidade cristã, ou a falta de liberdade de expressão não só dos teólogos mas nas próprias estruturas de comunhão (aqui pode-se falar mas ninguém ouve!)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;“Vigiai” na sociedade&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Outro campo que requer a nossa vigilância é a nossa sociedade. A situação é tão gravosa que não podemos ficar dependentes dos nossos políticos, esperando que as soluções nos sejam entregues de mão (mal) beijada. É por isso que me pareceu merecedora de toda a consideração a chamada “greve geral” da semana passada. Eu até nem lhe chamaria greve, já que não teve as características das greves clássicas. Não houve palavras de ordem típicas. Não fez reivindicações de tipo salariais ou de “direitos adquiridos”. Muita gente que participou não tinha a ver com os sindicatos: grupos que se foram juntando à manifestação, reformados, gente anónima, indignados. Aliás achei interessante a justificação de um amigo meu: “Nunca fiz uma greve. Desta vez vou fazer uma greve, mas uma greve de valores”.Por isso digo que não se tratou propriamente de uma greve, mas mais de uma manifestação de protesto, de um grito de vigilância. Bem sei que há muita gente que, dadas as dificuldades que atravessamos, reprovou esta manifestação porque um dia sem trabalhar ainda empobrece mais a nossa situação. Além disso, não vai resolver nenhum problema. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Pesando tudo isto devo dizer que também eu participaria nesta “greve geral” ou melhor nesta “greve de valores” por várias razões, deixando já de lado a falta de cumprimento das promessas eleitorais porque infelizmente acontece em todos os partidos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;b&gt;1)&lt;/b&gt; É inevitável que temos de tomar medidas de grande austeridade. Mas quando o Governo ultrapassa em muito as já violentas medidas da troika, nós temos o direito de “Vigiai”, reclamar, discordar a menos que nos expliquem bem as razões e nos garantam que elas têm uma elevada percentagem de endireitar o país. Pior ainda: se ficarmos só pelos sacrifícios e não criarmos condições para a nossa economia se expandir iremos ficar ainda me piores condições. Ora muitos e de quase todos os quadrantes acham que o Orçamento 2012 vai nesse sentido suicida. “Bom aluno” submetido à senhora Merkel atirando milhares de pessoas para o desemprego, taxando o trabalho mas mal beliscando o capital; castigando os mais frágeis e deixando quase incólume os ricos. Temos de “Vigiar”, reclamar, levantar a voz. Além disso há várias maneiras de cumprir o aprovado com a troika: umas mais monetaristas, outras mais “sociais”. E a mim parece-me que a opção vai muito no primeiro sentido (ver &lt;b&gt;3)&lt;/b&gt;). Acusam-nos, talvez com razão que andámos a gastar acima das nossas possibilidades, mas a verdade é que temos dois milhões de pobres e muitas centenas de milhares que sobrevivem com menos de 750 euros por mês. Por isso devemos “Vigiar” e gritar bem alto estas realidades. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;b&gt;2)&lt;/b&gt; Usando uma expressão do Pacheco Pereira, “um país não pode ser administrado como uma empresa porque uma empresa não é democrática, nem tem que ser”. As soluções não podem resumir-se a despedimentos ou a diminuição de salários. A democracia tem como fim último a construção do bem comum e a máxima coesão social procurando que todos possam viver com dignidade e disponham de igualdade de oportunidades. Temos de “Vigiar” e defender com unhas e dentes a construção e a prioridade a dar ao bem comum.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;b&gt;3) &lt;/b&gt;Embora tenhamos alguma dificuldade em perceber a real política dos nossos governantes, dadas as flutuações no discurso sincrónico de vários ministros ou diacrónico do mesmo ministro, uma coisa me preocupa, apesar dos meus parcos conhecimentos na matéria. Mas quando temos um ministro das finanças que, diz-se nos jornais, é fã de Milton Friedman, o grande inspirador da destruição das políticas sociais de Reagan e de Tatcher, quando se percebe que pertence a uma escola monetarista, fico com receio que ele esteja a preparar uma espécie de golpe de estado soletradamente mas persistentemente que transforme o Estado de direito num Estado fiscal ou monetarista: o acerto rigoroso dos números torna-se a prioridade primeira. Não duvido que ele acredite convictamente no que está a fazer. Não duvido do enorme esforço e até nd sofrimento pessoal que tudo isto lhe cause. Mas temos de “Vigiar”, porque não podemos deixar que a moeda seja mais importante que as pessoas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;b&gt;4)&lt;/b&gt; Tudo isto exige um permanente “Vigiai”, até como exercício de cidadania: não podemos cair na tentação de por estarmos tão mal devemos estar caladinhos e não baralhar ainda mais em nome da estabilidade social. Não podemos ficar amordaçados pelo receio de que a nossa palavra possa perturbar ainda mais as coisas. Porque ou participamos todos – cada um do modo que pode e sabe – na (re)construção do nosso país ou então a solução será sempre a de meia dúzia de tecnocratas, que podem ter muito saber técnico mas muito pouco saber “humano”. É que a pessoa é a principal riqueza de qualquer sociedade e a sua centralidade tem de faz parte da solução e nunca pode ser atirada para o caixote dos problemas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;“Vigiai” na Europa&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Finalmente a vigilância não pode ficar-se dentro das nossas fronteiras. A Europa está a viver uma crise profunda por causa não só dos eternos egoísmos nacionais, mas também porque os “responsáveis europeus agiram muito pouco e demasiado tarde” talvez maniatados por &lt;span style="color: #222222;"&gt;“uma combinação entre a obstinação da visão alemã do controlo monetário e da ausência de visão clara por parte dos outros países” (J. Delors). Quando se tratou da Grécia e depois de Portugal ignoraram a situação como se se tratasse apenas de dois meninos mal comportados. Não tiveram rasgo nem visão para perceber que não se tratava de insignificantes casos pontuais mas que eram pontas de um iceberg profundo que colidia com toda a zona europeia, que se enquadrava na guerra contra o euro, que envolvia e em profundidade todos e toda a gente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #222222;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;É certo que não temos uma verdadeira consciência europeia. Também é verdade que pouco ou quase nada se tem feito junto dos cidadãos para que a cidadania europeia ganhe raízes. E os (ir)responsáveis não perceberam que a Europa só se pode fazer com os europeus e nunca contra eles e a sua indiferença. Não há democracia sem diálogo. Não há democracia sem que as partes envolvidas se sintam chamadas a participar e a colaborar. Este é mais um campo onde o “Vigiai” se torna também muito urgente por parte dos “cidadãos da Europa”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #222222;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Mas também não se percebe por que razão Irlanda, Grécia, Portugal, Espanha e Itália não se tenham juntado seriamente, num forte lobby comum, lutando com determinação para que os outros percebessem que o assunto era de todos. Também não se percebe que 25 governos tenham de se sujeitar, impavidamente, à vontade dois “tiranozitos”. Este é mais um campo onde o “Vigiai” se torna também urgente envolvendo todos os cidadãos, governantes, deputados para transformarmos uma cada vez menos Europa numa cada vez mais Europa.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19736506-908193090628435791?l=feecompromisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://feecompromisso.blogspot.com/feeds/908193090628435791/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19736506&amp;postID=908193090628435791&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19736506/posts/default/908193090628435791'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19736506/posts/default/908193090628435791'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://feecompromisso.blogspot.com/2011/12/tempo-de-vigilancias.html' title='TEMPO DE VIGILÂNCIAS'/><author><name>Zé Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12611666981934870239</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19736506.post-2189813318968760229</id><published>2011-12-01T00:49:00.000Z</published><updated>2011-12-01T00:49:43.608Z</updated><title type='text'>Documento a não esquecer</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Faz hoje (30.Nov)&amp;nbsp;exactamente&lt;span class="Apple-style-span" style="text-align: -webkit-auto;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&amp;nbsp;40 anos que foi publicado o documento “&lt;a href="http://www.vatican.va/roman_curia/synod/documents/rc_synod_doc_19711130_giustizia_po.html"&gt;A Justiça no Mund&lt;/a&gt;o”, aprovado no Sínodo dos Bispos de 1971.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Antes de reflectir este texto verdadeiramente profético, gostaria de dar alguns elementos sobre o Sínodo do Bispos. Ele é o primeiro resultado visível da &lt;b&gt;doutrina da colegialidade episcopal&lt;/b&gt;, muito discutida no Concílio Vaticano II. E, já agora, aproveito para começar a preparar os 50 anos da abertura do Concílio cuja celebração acontecerá a 11 de Outubro de 2012.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;A doutrina da colegialidade é apresentada em dois documentos, mas particularmente no documento sobre a Igreja (Constituição dogmática &lt;b&gt;Lumen Gentium&lt;/b&gt;: LG).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Apesar dos longos e calorosos debates e até algumas “manobras”, acabou por ser aprovada com larga maioria. Esta doutrina, muito antiga mas também muito esquecida, afirma que:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-left: 21.3pt; text-align: justify; text-indent: .35pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;- qualquer bispo, pela sua sagração episcopal e comunhão com o papa e com os outros bispos, é constituído membro do colégio episcopal: “&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;i&gt;E o uso já muito antigo de chamar vários Bispos a participarem na elevação do novo eleito ao ministério do sumo sacerdócio insinua-a já também. É, pois, em virtude da sagração episcopal e pela comunhão hierárquica com a cabeça e os membros do colégio que alguém é constituído membro do corpo episcopal&lt;/i&gt;” (22a)&lt;/span&gt;;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-left: 21.3pt; text-align: justify; text-indent: .35pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;- o colégio episcopal, com a sua cabeça, o papa, e nunca sem ela, é o sujeito do pleno e supremo poder sobre a Igreja universal: “&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;i&gt;A Ordem (ou Colégio) dos Bispos, que sucede ao colégio dos Apóstolos no magistério e no governo pastoral, e, mais ainda, na qual o corpo apostólico se continua perpetuamente, é também juntamente com o Romano Pontífice, sua cabeça, e nunca sem a cabeça, sujeito do supremo e pleno poder sobre toda a Igreja, poder este que não se pode exercer senão com o consentimento do Romano Pontífice&lt;/i&gt;” (22b)&lt;/span&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Os principais argumentos podem resumir-se de um modo simplificado nos seguintes: &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-left: 21.3pt; text-align: justify; text-indent: .35pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;- Jesus Cristo instituiu não um apóstolo mas um grupo, os Doze, para o representar: “&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;i&gt;O Senhor Jesus, depois de ter orado ao Pai, chamando a Si os que Ele quis, elegeu doze para estarem com Ele e para os enviar a pregar o Reino de Deus; e a estes Apóstolos constituiu-os em colégio ou grupo estável e deu-lhes como chefe a Pedro, escolhido de entre eles&lt;/i&gt;” (19a)&lt;/span&gt;;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-left: 21.3pt; text-align: justify; text-indent: .35pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;- tal como os apóstolos não eram vigários de Pedro, também os bispos não são meros vigários do Papa, mas governam a Igreja particular (a diocese) com poder próprio, e a Igreja universal através do colégio que formam com o papa e os outros bispos; porque o colégio episcopal sucede ao colégio apostólico: “&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;i&gt;A Ordem dos Bispos, que sucede ao colégio dos Apóstolos no magistério e no governo pastoral, e, mais ainda, na qual o corpo apostólico se continua perpetuamente&lt;/i&gt;” (22b)&lt;/span&gt;;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-left: 21.3pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;- o episcopado não é uma dignidade, como o cardinalato, mas é a plenitude do sacramento da Ordem: “&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;i&gt;pela consagração episcopal, se confere a plenitude do sacramento da Ordem, aquela que é chamada sumo sacerdócio e suma do sagrado ministério na tradição litúrgica e nos santos Padres&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;” (21b)&lt;/span&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Também no Decreto sobre os Bispos (&lt;b&gt;Christus Dominus&lt;/b&gt;), onde se desenvolve a “nova” teologia do Episcopado, se afirma, em consonância com a LG, a doutrina da colegialidade. Qualquer Bispo é responsável não só pela sua diocese mas também deve ter solicitude e responsabilidade &lt;b&gt;pastoral por toda a Igreja universal: “&lt;/b&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;i&gt;Os Bispos, como legítimos sucessores dos Apóstolos e membros do colégio episcopal, considerem-se unidos sempre entre si e mostrem-se solícitos de todas as igrejas, pois cada um, por instituição divina e por exigência do múnus apostólico, é responsável por toda a Igreja, juntamente com os outros Bispos&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;“&lt;/span&gt; (6).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 2.2pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Daqui resultam consequências jurídico-canónicas: a reorganização e internacionalização da Cúria (9); o direito de qualquer Bispo a participar no Concílio (4); além disso, na sua diocese, o bispo tem o poder necessário para exercer as suas funções pastorais e dispensar de leis gerais se tal sirva o bem espiritual dos fiéis (8). &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 2.2pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 2.2pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Foi, pois, com satisfação mas também com alguma expectativa, que os padres conciliares ouviram Paulo VI afirmar no Discurso de Abertura da IV e última Sessão do Concílio Vaticano II (14.Set.1965): “&lt;span class="apple-style-span"&gt;A segunda coisa (que queria dizer-vos) é o anúncio, que Nos alegramos de vos comunicar, da instituição, desejada pelo Concílio, dum Sínodo episcopal que, composto por Bispos nomeados na sua maioria pelas Conferências episcopais, com a Nossa aprovação, será convocado, segundo as necessidades da Igreja, pelo Romano Pontífice para sua consulta e colaboração quando, para o bem geral da Igreja, isso Lhe parecer oportuno”&lt;/span&gt;. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 2.2pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 2.2pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Havia ali claras fendas na doutrina da colegialidade: os bispos nomeados careciam da aprovação do Papa; não era permanente, mas apenas quando o Papa achasse oportuno. Para um colégio episcopal, que sucedia ao colégio apostólico e estava chamado a ser&amp;nbsp;responsável pelo pleno governo da Igreja er&amp;nbsp;realmente muito pouco.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 2.2pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;No dia seguinte, 15.Set., Paulo VI promulgava o “&lt;a href="http://www.vatican.va/holy_father/paul_vi/motu_proprio/documents/hf_p-vi_motu-proprio_19650915_apostolica-sollicitudo_sp.html"&gt;&lt;i&gt;motu proprio&lt;/i&gt; &lt;b&gt;&lt;i&gt;Apostolica Sollicitudo&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/a&gt;”, no qual justificava a criação do Sínodo dos Bispos: “&lt;i&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;Portanto, depois de ter considerado bem todas as coisas, pela Nossa estima e reverência para com todos os Bispos católicos e com o fim de lhes dar a possibilidade de participar mais aberta e eficazmente na Nossa solicitude pela Igreja universal,&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="text-align: -webkit-left;"&gt;'motu proprio'&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="float: none; text-align: -webkit-left;"&gt;&amp;nbsp;e&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt; em virtude da Nossa autoridade apostólica, erigimos y constituímos nesta cidade de Roma um conselho estável de Bispos para a Igreja universal, sujeito directa e imediatamente à Nossa autoridade, ao qual designamos com o nome próprio de&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;b style="text-align: -webkit-left;"&gt;Sínodo dos Bispos&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="float: none; text-align: -webkit-left;"&gt;.&lt;/span&gt;” &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;Seguem-se depois as regras gerais pelas quais o Sínodo se deve reger de que destaco a primeira: “&lt;i&gt;O&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt; Sínodo dos Bispos, por meio do qual os Bispos eleitos das diversas partes do mundo prestam uma ajuda mais eficaz ao Pastor Supremo da Igreja, constitui-se de tal forma que seja: a) um instituto eclesiástico central; b) que represente todo o episcopado católico; c) perpétuo por sua natureza, e d) quanto à estrutura, desempenha a sua função no tempo determinado e segundo as circunstâncias&lt;/i&gt;”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;E a terceira também não era muita animadora:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;“&lt;i&gt;O&lt;/i&gt;&lt;i&gt; Sínodo dos Bispos está sujeito directa e imediatamente à autoridade do Romano Pontífice, a quem compete além disso:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 1.0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;1. convocar o Sínodo sempre que o considere conveniente, designando inclusivamente o lugar onde deverão celebrar-se as reuniões;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 1.0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;2. ratificar a eleição dos membros…;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 1.0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;3. determinar as questões de que deverá tratar-se, pelo menos seis meses antes, se for possível, da celebração do Sínodo;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 1.0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;4. determinar o envio da matéria, que deve ser tratada, àqueles que deverão assistir ao debate de tais questões;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 1.0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;i&gt;5. presidir ao Sínodo por si mismo ou por delegados seus&lt;/i&gt;”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Como se vê tudo ficaria controlado. E o dito colégio episcopal não tinha qualquer parecença com o colégio apostólico. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Mas fiquemo-nos por aqui. O Sínodo foi um pedido do Concílio para aplicar uma verdadeira colegialidade. Mas afinal o Papa (e a Cúria ao seu serviço) é que detinha todo o poder.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;No próximo comentário vamos ao nosso Sínodo de 1971 e ao seu Documento Final.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Calibri, sans-serif; font-size: 11pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19736506-2189813318968760229?l=feecompromisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://feecompromisso.blogspot.com/feeds/2189813318968760229/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19736506&amp;postID=2189813318968760229&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19736506/posts/default/2189813318968760229'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19736506/posts/default/2189813318968760229'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://feecompromisso.blogspot.com/2011/12/documento-nao-esquecer.html' title='Documento a não esquecer'/><author><name>Zé Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12611666981934870239</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19736506.post-4665882360212345116</id><published>2011-11-24T00:04:00.000Z</published><updated>2011-11-24T00:04:32.336Z</updated><title type='text'>A cidadania "enterrada"</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 42.55pt; mso-outline-level: 1; tab-stops: -1.0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: x-small;"&gt;Não podemos continuar a lamentar-nos como se nada pudéssemos fazer. Temos de nos assumir como cidadãos, protagonistas da construção possível da nossa sociedade. Dependemos de outros, pois vivemos num mundo globalizado e sem fronteiras, mas também dependemos muito de nós, do nosso querer, da nossa vontade de fazer alguma coisa de útil por uma sociedade que&amp;nbsp;está cada vez mais marcada pela injustiças, pelas desigualdades, pela marginalização e, pior ainda, pelo medo de actuar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 42.55pt; mso-outline-level: 1; tab-stops: -1.0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: x-small;"&gt;Por isso na crónica que se segue compara a nossa atitude geral à do servo que recebeu um talento e o enterrou em vez de o pôr a render.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 42.55pt; mso-outline-level: 1; tab-stops: -1.0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Segoe UI&amp;quot;; mso-bidi-font-weight: bold; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 42.55pt; mso-outline-level: 1; tab-stops: -1.0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Segoe UI&amp;quot;; mso-bidi-font-weight: bold; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;O TERCEIRO TALENTO&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 42.55pt; mso-outline-level: 1; tab-stops: -1.0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Segoe UI&amp;quot;; mso-bidi-font-weight: bold; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&lt;o:p&gt;&amp;nbsp;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 13px;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 13px;"&gt;A parábola dos talentos não é apenas um texto para crentes. É uma parábola muito actual tendo em conta a crise que vivemos. Aliás, as parábolas e a mensagem de Jesus não são apenas “religiosas”. O seu substrato fundamental é “fazer a vontade do Pai”, é apresentar e pôr em prática os valores do Reino de Deus. E basta ler os Evangelhos para perceber que a tal “vontade do Pai” é um mundo mais justo: não manda fazer igrejas de pedra, mas tornar os homens felizes; não aponta regimes políticos, mas propõe uma sociedade mais justa e mais fraterna.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 42.55pt; mso-outline-level: 1; tab-stops: -1.0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Segoe UI&amp;quot;; mso-bidi-font-weight: bold; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Dito isto, deixo duas ou três ideias que me são sugeridas pela parábola (Mt 25,15-29).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 42.55pt; mso-outline-level: 1; tab-stops: -1.0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Segoe UI&amp;quot;; mso-bidi-font-weight: bold; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Todos recebem talentos: “chamou os servos” e não “chamou alguns servos”. Todos nós, seres humanos, temos talentos, bens, dons, carismas, o que quer que seja. Já ouvi muita gente queixar-se: “Mas o que hei-de fazer? Eu não sei nada!” Como se os talentos viessem atrelados a um qualquer canudo universitário. Quanta sabedoria de vida tenho encontrado em gente sem habilitações literárias e tanta pulhice de vida em doutores encartados! Esta é a primeira lição: todos temos talentos pelo simples facto de sermos seres humanos e não por sermos doutores. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 42.55pt; mso-outline-level: 1; tab-stops: -1.0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Segoe UI&amp;quot;; mso-bidi-font-weight: bold; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Todos temos talentos diferentes: “um, três, cinco”. Cada um possui talentos específicos, que ninguém mais tem, porque cada um de nós é “único e irrepetível”, que o diga o nosso DNA ou as nossas vivências. O que significa que, se eu não partilhar os meus talentos, empobreço toda a humanidade, pois o meu contributo perde-se. Portanto, cada um de nós tem uma obrigação moral com a humanidade: torná-la mais rica dando-lhe o que só ele lhe pode dar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 42.55pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Segoe UI&amp;quot;; mso-bidi-font-weight: bold; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Se há vários talentos é porque há várias respostas para os mesmos problemas. Assim, as soluções mais adequadas só podem resultar do diálogo, sempre dialéctico mas indispensável. Este diálogo, esta capacidade de ouvir os outros, deve aprender-se, logo, na família e na escola, e depois multiplicar-se nos vários níveis e âmbitos da sociedade. Ele é o caminho para um futuro novo, que depende de nós, de todos nós. Um futuro mais justo, um desenvolvimento integral e solidário da pessoa e dos povos. Citaria um documento do Sínodo dos Bispos (“A Justiça no Mundo”), que faz 40 anos no próximo dia 30: um texto ostracizado por papas, bispos, padres e leigos que é urgente reler mesmo hoje, neste mundo tão marcado pela injustiça. Talvez o seu esquecimento tenha a ver com a sua afirmação central: “&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Calisto MT&amp;quot;;"&gt;A acção pela justiça e a participação na transformação do mundo aparecem-nos claramente como uma dimensão constitutiva da pregação do Evangelho” (6). A luta pela justiça não é exclusiva de ninguém porque exige o contributo de todos os talentos, na sua variedade, multiplicidade e criatividade interactivas. É uma luta contínua, porque a justiça plena nunca será alcançada; é uma luta dolorosa, porque exige sofrimento, mudança de vida, pessoal, grupal e social. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 42.55pt; mso-outline-level: 1; tab-stops: -1.0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Segoe UI&amp;quot;; mso-bidi-font-weight: bold; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Uma terceira lição é a do comportamento dos servos, talvez a grande lição da parábola. Dois pegam nos talentos e fazem-nos render. Arriscam perdê-los, mas só assim podiam fazê-los render. Por isso, são louvados e ganharam a confiança do seu senhor. O terceiro só pensou em não perder o talento para poder devolvê-lo íntegro ao seu senhor: enterrou-o para ficar bem guardado. Tão bem guardado que nada fez com ele. Foi considerado “servo mau e preguiçoso”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 42.55pt; mso-outline-level: 1; tab-stops: -1.0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Segoe UI&amp;quot;; mso-bidi-font-weight: bold; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Olhando para a nossa sociedade e para a nossa Igreja nós somos, na generalidade, o terceiro servo. Não fazemos nada. Guardamos. Conservamos. “Enterramos o nosso talento”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 42.55pt; mso-outline-level: 1; tab-stops: -1.0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Segoe UI&amp;quot;; mso-bidi-font-weight: bold; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Não arriscamos na procura de novas soluções para uma sociedade em constante mudança. Conservamos os nossos hábitos de vida. Cruzamos os braços em atitude fatalista, acusando culpados passados mas repetindo erros e atitudes. Não pegamos o destino nas nossas mãos, não lutamos, por entre ondas encapeladas, pelo controlo da nossa barca. Mantemos as estruturas e os sistemas injustos, deixamo-nos levar pelo “discurso único”. Viol(ent)amos a cidadania. Esperamos messias que não existem. Ignoramos as nossas forças interiores. Esquecemos que a democracia participativa exige esforço, vontade moral. Enterramos o talento, na esperança de que, metendo a cabeça e o talento na areia, a realidade se alterará por si só no melhor sentido. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 42.55pt; mso-outline-level: 1; tab-stops: -1.0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Segoe UI&amp;quot;; mso-bidi-font-weight: bold; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Também, na Igreja, enterramos o talento sob a capa seráfica da “conservação da fé”. Para que nada se perca e a possamos entregar ao Senhor na sua pureza original, guardamo-la tão bem, que de nada serve para transformar a nossa vida, converter os nossos corações, ajudar a construir um mundo mais próximo do Reino de Deus. &lt;a href="" name="top"&gt;Uma “fé conservada” pode ser um pecado de omissão: “enterrar” a fé para que nada se perca e mantenha a sua integridade. “Enterrar a fé” é não perceber que o que Deus quer é um mundo novo e não uma “fé conservada”, que nos faz correr o risco de não sairmos dos nossos esquemas desactualizadas, de nos ficarmos pelos nossos problemas internos, de não seduzir ninguém, de não trazer a frescura e a novidade (a “Boa Nova”) proféticas a um mundo carente de salvação e sentido de vida e futuro, perdido num nevoeiro de dúvidas, angústias e medos.&lt;/a&gt; Pode ser “religiosamente correcto” mas não traz nada de novo, nada de belo, nada de criativo. E pode até ser um pecado contra o Espírito Santo, que sempre “sopra onde e quando quer” e nos ungiu a todos para o imitar. Uma “fé conservada” pode tornar-se numa falta de fé, que nos faz nem quentes (inflamados e devorados pelo amor de Deus ao mundo) nem frios (disfarçados de crentes que apenas querem ganhar o céu do modo mais simples). Mas a esses o Espírito avisa: “Porque és morno – nem frio nem quente – vou vomitar-te da minha boca” (Ap 3,16).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19736506-4665882360212345116?l=feecompromisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://feecompromisso.blogspot.com/feeds/4665882360212345116/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19736506&amp;postID=4665882360212345116&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19736506/posts/default/4665882360212345116'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19736506/posts/default/4665882360212345116'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://feecompromisso.blogspot.com/2011/11/cidadania-enterrada.html' title='A cidadania &quot;enterrada&quot;'/><author><name>Zé Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12611666981934870239</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19736506.post-8466867727431133595</id><published>2011-11-08T15:58:00.000Z</published><updated>2011-11-08T15:58:46.654Z</updated><title type='text'>ANDAMOS TODOS GREGOS</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 42.55pt; mso-outline-level: 1; tab-stops: -1.0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Quando preparava a minha habitual crónica quinzenal, ainda se falava com muita insistência e barulho sobre o referendo na Grécia. Pessoalmente, como se deduz do último parágrafo da crónica que se segue, fico alguma sensação de perda já que a União Europeia e sobretudo os seus tão mesquinhos líderes certamente sofreriam um tal "coice" que pensariam finalmente se queriam sobreviver como Europa ou ficar cada um na sua quinta de estimação.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 42.55pt; mso-outline-level: 1; tab-stops: -1.0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Quando acabei soube que afinal o referendo já não se realizaria. É com certeza mais politicamente correcto. Mas assim vai ficar tudo quase na mesma.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 42.55pt; mso-outline-level: 1; tab-stops: -1.0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 42.55pt; mso-outline-level: 1; tab-stops: -1.0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;&lt;i&gt; &amp;nbsp; Sempre sonhei com uma Europa a sério. Gosto de ser europeu, cidadão de uma Europa que soube colocar a dignidade humana no centro (teórico, pelo menos), &lt;/i&gt;&lt;i&gt;acreditando na pessoa, sujeito livre e responsável pelo seu destino individual mas também pelo futuro da sociedade. Que soube criar sistemas sociais razoavelmente justos, praticar a tolerância apesar das dificuldades de integração, cada vez mais defensivas e menos pró-activas. Que mantém uma consciência, talvez difusa, da sua unidade interna fundada não na satisfação das necessidades económicas mas na vivência de valores espirituais comuns, nascidos das três fontes clássicas – Jerusalém, Atenas e Roma – a que se foram juntando afluentes que engrossaram uma Europa grávida de sabedoria e responsabilidade. Não da Europa que “deu novos mundos ao mundo”, mas duma Europa que se dê aos mundos num diálogo fraterno e respeitador, capaz de partilhar o que tem de melhor e de, com a mesma simplicidade e humildade, aceitar o melhor dos outros, na certeza de que a conjugação destas energias materiais mas sobretudo culturais torna a humanidade mais unida e mais fraterna, menos preocupada com o presente e mais com as gerações não nascidas que apenas herdarão aquilo que lhe deixarmos. Portanto, embora me sinta cidadão do mundo, gosto de ser europeu, enquanto a Europa for capaz de enriquecer o património moral, social e político da humanidade. Gosto muito de ser português e gostaria de ser português europeu, cidadão português que pertence à Europa de pleno direito sem perder as suas especificidades próprias.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 42.55pt; tab-stops: -1.0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A presente crise pôs a nu uma Europa tão desfigurada que não me atrai e que rejeito. Revolta-me o predomínio dos interesses egoístas dos cidadãos incapazes de viver na solidariedade e de promover o bem comum nacional. Como me revolta igualmente o predomínio dos interesses egoístas das nações e dos seus governantes incapazes de viver na solidariedade e de promover o bem comum internacional. Este aliás foi o pecado original da formação da Europa moderna. Apesar de tantas ideias nobres dos seus fundadores, do clima de paz e desenvolvimento que foi mantido durante várias décadas, não podemos esquecer as palavras certeiras de Pio XII, no Natal de 1954: “No último decénio do pós-guerra, um grande anseio de renovação espiritual animou os espíritos: unificar fortemente a Europa, partindo das condições naturais de vida dos seus povos, em ordem a pôr termo às rivalidades tradicionais entre uns e outros e a assegurar a protecção comum da sua indepen­dência e pacífico desenvolvimento. Esta nobre ideia não era motivo de querelas e desconfiança ao mundo extra-europeu, na medida em que este olhava com bons olhos a Europa. Além disso, havia a persuasão de que a Europa facilmente encontraria em si mesma a ideia animadora da própria unidade. Mas os acontecimentos posteriores e os acordos recentes, que se espera hão-de abrir o caminho à paz fria, já não têm como base o ideal de mais vasta unificação europeia. Julgam muitos, de facto, que a alta política vai regressar ao tipo de Estado nacio­nalístico, fechado em si mesmo, centralizador das forças, irre­quieto na escolha das alianças, e portanto não menos pernicioso do que aquele que teve o seu auge no século passado.”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 42.55pt; text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; É este egoísmo feroz e os interesses eleitoralistas dos governantes europeus que no actual contexto vêm aprofundar ainda mais a crise. “Todos os governantes estão desamparados e paralisados perante o dilema entre, por um lado, os imperativos dos grandes bancos e das grandes agências de notação e, por outro, o seu medo face à perda de legitimação democrática junto das suas populações frustradas” (Habermas). Mas penso que devemos ir mais fundo: a fragmentação política (cada Estado puxa, com a força que tem, para o seu lado) que se vai arrastando na Europa mas sobretudo na “aldeia global” está em “contradição com o crescimento sistémico de uma sociedade global multicultural”. E pelo meio, a agravar a situação está a disparidade entre o poder político, assente numa legitimidade democrática, e o poder económico, tentacular, autárquico, cuja legitimidade democrática ninguém legitimou. Além disso, estes dois poderes vivem em mundos diferentes, com tão bem explicou Bento XVI: “A actividade económica não pode resolver todos os problemas sociais através da simples extensão da lógica mercantil. Esta há-de ter como finalidade a prossecução do bem comum, do qual se deve ocupar também e sobretudo a comunidade política. Por isso, tenha-se presente que é causa de graves desequilíbrios separar o agir económico — ao qual competiria apenas produzir riqueza — do agir político, cuja função seria buscar a justiça através da redistribuição.” (CinV 36).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 42.55pt; text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Sarkozy tem razão quando diz "se há um problema na Europa não é de excesso de liderança, é de défice de liderança". Só que está enganado na solução pois ela não pode passar por “um líder e meio”. Nem passa por manobras dilatórias dos governantes nem pela rejeição populista do projecto europeu. Não basta irmos para a rua “indignados”. Temos de saber o que queremos. Temos que querer ser europeus, ter vontade de ser europeus, pois há que aceitar inevitáveis limitações de soberania em nome da solidariedade e da subsidiariedade. Temos que acreditar convictamente na Europa, “europeizar a Europa”, como diz J. Fischer mas num sentido mais profundo. E, sobretudo os governantes têm de deixar de “brincar à Europa”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 42.55pt; text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Talvez o referendo grego pudesse ter sido a nossa salvação a longo prazo. Porque seria tal o coice (imagine-se só o que fez o seu anúncio) que todos seríamos forçados a trabalhar no essencial – construir a Europa a sério – e a deixar-nos de querelas inúteis, estéreis e autofágicas.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19736506-8466867727431133595?l=feecompromisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://feecompromisso.blogspot.com/feeds/8466867727431133595/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19736506&amp;postID=8466867727431133595&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19736506/posts/default/8466867727431133595'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19736506/posts/default/8466867727431133595'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://feecompromisso.blogspot.com/2011/11/andamos-todos-gregos.html' title='ANDAMOS TODOS GREGOS'/><author><name>Zé Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12611666981934870239</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19736506.post-4933833998918937991</id><published>2011-10-25T00:41:00.001Z</published><updated>2011-12-12T02:09:05.667Z</updated><title type='text'>O DIREITO À INDIGNAÇÃO</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 42.55pt; mso-outline-level: 1; tab-stops: -1.0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Book Antiqua', serif;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;Algo de novo está a acontecer por essas cidades fora, por milhares de praças. Ninguém sabe bem o que é nem onde pode ir dar. Mas algo está a mexer. Sem grande esforço vem-nos à memória o Maio de 68, os tempos da “imaginação ao poder”. Diz-se que a história não se repete. Mas repetem-se os tempos de mudanças, ou melhor, os instantes subtis, suficientemente curtos, para “mudar de agulha” do comboio e desviá-lo para novas paisagens.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 0cm; margin-right: 42.55pt; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-image: initial; background-origin: initial; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; font-size: 10pt;"&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-image: initial; background-origin: initial; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; color: #222222; font-size: 10pt;"&gt;Esta movimentação original e espontânea poderá ter mergulhado as suas raízes nas revoltas inesperadas de povos onde não nos pareciam possíveis. Mas esta é a riqueza dos povos “novos”. Não são como a velha e caquética Europa, onde até os indignados precisaram de ser estimulados. A Europa perdeu a iniciativa. Foram jovens árabes, que arriscaram a vida, por uma vida a sério. Foram pessoas árabes que disseram NÃO a ditaduras intermináveis. Foram recebidos à bala, mas continuaram com a força do seu sonho. Talvez não saibam o que querem, mas sabem que não querem o que tinham. Depois a indignação foi-se alastrando. Chegou aos países ditos democráticos, com uma democracia formal, um tigre de papel, que dá cobertura a todos os desmandos dos poderosos. Uma democracia que funciona muito na base do que dizia Obama a propósito da crise: “M&lt;/span&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-image: initial; background-origin: initial; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; font-size: 10pt;"&gt;uitas coisas que estiveram na base da actual crise não eram necessariamente ilegais, mas sim imorais, inoportunas e imprudentes”. É isto. Não eram ilegais, mas eram imorais. É contra esta farsa de democracia que muito se indignam. Não sabem o que querem, mas sabem que têm de protestar, de se indignar contra tantos &lt;/span&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-image: initial; background-origin: initial; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; font-size: 10pt;"&gt;desmandos e falcatruas, que têm de acordar da letargia que os adormeceu, que têm de lutar pelo bem comum e pela transparência contra meia dúzia de senhores do mundo. &lt;/span&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-image: initial; background-origin: initial; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; color: #333333; font-size: 10pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 0cm; margin-right: 42.55pt; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-image: initial; background-origin: initial; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; color: #333333; font-size: 10pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;&lt;/span&gt;O que vai acontecer? O sistema sabe que lhe basta ter paciência e esperar que aos indignados lhes passe a onda. Já assistiu a várias arremetidas e tem sobrevivido. Como o camaleão sabe bem como adaptar-se. E se não estivermos atentos ele adapta-se mesmo!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 0cm; margin-right: 42.55pt; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-image: initial; background-origin: initial; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; color: #333333; font-size: 10pt;"&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;É neste ponto que é preciso parar para pensar um pouco. Saber o que não se quer é importante e será sempre um primeiro passo. Mas o que vem a seguir? Não queremos esta democracia? Então qual queremos? &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-image: initial; background-origin: initial; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; font-size: 10pt;"&gt;A indignação não pode esgotar-se em manifestações e passeatas, por maiores e mais oportunas que sejam, sobretudo, na nossa sociedade contemporânea. As manifestações são indispensáveis para ajudar a dar força à indignação e a perceber que não estamos sozinhos. São um meio para estimular a coragem dos medrosos, o compromisso dos hesitantes e a esperança dos desiludidos. Essa força é sempre necessária para quem quer afrontar o sistema, para quem quer lutar pela justiça e pela paz, para quem quer viver a solidariedade. Estas lutas são sempre de “sangue, suor e lágrimas”. Todas as conquistas em prol da dignidade do homem e da mulher custaram muitas vítimas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 0cm; margin-right: 42.55pt; margin-top: 0cm; text-align: justify; text-indent: 22.7pt;"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-image: initial; background-origin: initial; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; font-size: 10pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Mas para prosseguir o caminho é preciso saber minimamente para onde queremos ir. O “só sei que não quero ir por aí” é muito pouco. Porque as opções e os caminhos são infinitos, pois ainda não estão determinados. Somos nós que os construímos, mas com que pedras?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 0cm; margin-right: 42.55pt; margin-top: 0cm; text-align: justify; text-indent: 22.7pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-image: initial; background-origin: initial; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; font-size: 10pt;"&gt;A sensação que se tem é que agora os indignados continuam indignados mas têm um sonho de que ignoram o conteúdo, agarram-se a uma utopia de que não vêm o fundo, olham um futuro que se perde nas nuvens e nem sequer têm a certeza de que este esforço vale a pena, até porque os resultados, mesmo quando surgem, nunca são imediatos: os frutos são sempre lentos a amadurecer. Perante tantas violações impunes da dignidade das pessoas e dos povos, perante uma organização social sempre feita à medida de meia dúzia, é difícil &lt;/span&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-image: initial; background-origin: initial; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; font-size: 10pt;"&gt;revitalizar a sensibilidade social e reforçar a vontade moral de lutar e de reagir. Há um caminho que precisa de ser percorrido construindo-o, pedra a pedra, grão a grão. E só o percorre de forma comprometida quem procura conhecer as necessidades dos outros e se dispõe a acolher os outros como um dom. Só se pode construir, fomentando a cultura da responsabilidade de todas as pessoas, a todos os níveis, envolvendo todos os cidadãos e instituições sociais. É preciso criar novos paradigmas e estruturas políticas, económicas, financeiras, mas também culturais e éticas. A injustiça, hoje, tem dimensões planetárias. Precisamos, portanto, de assinar um compromisso com a solidariedade, a fraternidade, a gratuidade, que permita soluções novas, criativas, libertadoras que alterem radicalmente estilos de vida, leis e de regras sociais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 0cm; margin-right: 42.55pt; margin-top: 0cm; text-align: justify; text-indent: 22.7pt;"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-image: initial; background-origin: initial; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; font-size: 10pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Por isso, este era o tempo oportuno para que movimentos culturais e religiões nos fornecessem um ponto de apoio, nos “alavacassem” (palavra hoje tão usada hoje) com suficiente força interior para um longo caminho que nos espera. Que nos apontassem caminhos credíveis e inteligíveis. Estamos carenciados de místicos, poetas e profetas, de gente que seja capaz de ler para lá das aparências do imediato e olhe o longo-prazo com a sabedoria dos tempos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 0cm; margin-right: 42.55pt; margin-top: 0cm; text-align: justify; text-indent: 22.7pt;"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-image: initial; background-origin: initial; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; font-size: 10pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Mas, concretamente, onde estão as religiões? Para onde estão a olhar? Para o futuro ou para o passado? Para a resolução dos seus problemas internos ou para a libertação da humanidade? Para a sua preciosa doutrina desincarnada e a-histórica ou para os desafios sempre novos que a história nos coloca? Para o sábado ou para o homem? Estimulem com confiança e ousadia sem receios, procurando não extinguir o que de bom daqui poderá nascer.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 0cm; margin-right: 42.55pt; margin-top: 0cm; text-align: justify; text-indent: 22.7pt;"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-image: initial; background-origin: initial; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; font-size: 10pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;As manifestações dos indignados são certamente um sinal dos tempos; mas são apenas um sinal. São um grito de revolta; mas apenas um grito. Se não for assumido por toda uma sociedade e por toda uma humanidade, ficaremos condenados a que tudo fique na mesma.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Book Antiqua', serif;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19736506-4933833998918937991?l=feecompromisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://feecompromisso.blogspot.com/feeds/4933833998918937991/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19736506&amp;postID=4933833998918937991&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19736506/posts/default/4933833998918937991'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19736506/posts/default/4933833998918937991'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://feecompromisso.blogspot.com/2011/10/o-direito-indignacao.html' title='O DIREITO À INDIGNAÇÃO'/><author><name>Zé Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12611666981934870239</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19736506.post-7061454561941721210</id><published>2011-10-13T23:43:00.000Z</published><updated>2011-10-13T23:43:53.753Z</updated><title type='text'>49 ANOS DEPOIS</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Façam de conta que ainda é o dia 13, embora já passem largos minutos da meia-noite.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É &amp;nbsp;que gostaria de deixar aqui uma notinha para recordar que fez 49 anos que começou o Concílio Vaticano II. E como explico na minha crónica, que reproduzo a seguir, se 11 de Outubro é a data oficial de abertura, onde se destaca aquela lufada de ar fresco que foi o discurso do bom papa João XXIII, acho que verdadeiramente o Concílio só começou no dia 13, quando o cardeal Liénart com uma pequenina observação baralhou por completo os trabalhos e deu cabo de toda a organização tão cuidadosamente preparada pela Cúria Romana.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aí fica a minha crónica&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 42.55pt; mso-outline-level: 1; tab-stops: -1.0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;b&gt;ATRIBULAÇÕES ECLESIAIS DO CONCÍLIO VATICANO II&lt;/b&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 42.55pt; mso-outline-level: 1; tab-stops: -1.0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif; font-size: 13px;"&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;&lt;/span&gt;Celebra-se mais um aniversário do Concílio, discretamente, apesar de ter sido o maior acontecimento eclesial dos últimos séculos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 42.55pt; mso-outline-level: 1; tab-stops: -1.0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;A sua abertura foi a 11 de Outubro de 1962. Mas, eu diria, que só começou a 13. Quando se distribuíam as listas das Comissões, que o Santo Ofício preparara cuidadosamente, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;o cardeal Liénart pediu a palavra. Ao ser-lhe recusada, insistiu: "Peço desculpa, mas vou falar": que a votação seja adiada por alguns dias para nos conhecermos melhor e preparar as nossas listas. Esta coragem de dizer “não” no momento oportuno, estas cinco palavras forçaram o adiamento e, assim, o Espírito Santo, e não a Cúria, passou a presidir aos trabalhos do Concílio, garantindo a liberdade de expressão e a certeza de que não haveria tabus nem coacções e de que a Igreja se iria repensar seriamente. Todos, na Igreja e na sociedade, devíamos aprender esta lição de “fortaleza”: não ter medo de falar e de fazer, nem ficar apenas à espera de directrizes do “alto”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 42.55pt; mso-outline-level: 1; tab-stops: -1.0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Depois de quatro anos de debates acalorados, veio o pós-Concílio desvelando muitos problemas que andavam escondidos. E logo surgiu a acusação: “depois do Concílio; logo, por culpa do Concílio”. Entretanto, o fervor inicial se foi esbatendo. Também não se fez a recepção do Concílio: quantos católicos conhecem, sequer, os documentos? E o Papa e a Cúria parecem cada vez mais marcados pelo receio de qualquer mudança e de perder estruturas passadas. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 42.55pt; mso-outline-level: 1; tab-stops: -1.0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Bento XVI conta-nos a sua experiência pessoal. “&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black; font-size: 10pt;"&gt;Também eu vivi os tempos do Concílio com grande entusiasmo e vendo como se abriam novas portas e parecia realmente o novo Pentecostes. Esperámos tanto, mas as coisas na realidade revelaram-se mais difíceis”, pois, “inseri-lo na vida da Igreja, recebê-lo, de modo que se torne vida da Igreja, assimilá-lo nas diversas realidades da Igreja, é um sofrimento, e só no sofrimento se realiza também o crescimento. Crescer é sempre também sofrer, porque é sair de um estado e passar para outro”. Depois vieram dois grandes acontecimentos: o Maio de 68, “o início ou a explosão da grande crise cultural do Ocidente”, e a queda do comunismo (1989), mas à qual “a resposta não foi o regresso à fé, não foi a redescoberta de que a Igreja com o Concílio autêntico tinha dado a resposta”. Nestas palavras pressente-se o medo do mundo, tão longe do optimismo de João XIII (“&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;uma atitude que nos aproxima da forma de actuar do Senhor Jesus”, dizia)&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black; font-size: 10pt;"&gt; ou do realismo de Paulo VI (“o mistério do homem (desenvolve-se) n&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="color: black; font-size: 10pt;"&gt;um processo histórico e psicológico onde lutam e se alternam violências e liberdade, peso do pecado e sopro do Espírito” (OA 37)).&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 42.55pt; tab-stops: -1.0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;a href="" name="top"&gt;&lt;span style="color: black; font-size: 10pt;"&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;“E assim devemos redescobrir a grande herança do Concílio que não é um espírito reconstruído por detrás de textos, mas sim, precisamente, os grandes textos conciliares relidos agora com as experiências que fizemos e que deram fruto em tantos movimentos, tantas novas comunidades religiosas”. Portanto, não há um “espírito” do Concílio, apenas a “letra”, os documentos. Estranha forma de olhar um Concílio. Num recente Encontro sobre este acontecimento ímpar na Igreja, na &lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="color: black; font-size: 10pt;"&gt;Pontifícia Universidade de Latrão&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="color: black; font-size: 10pt;"&gt;, foi dito que &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="color: black; font-size: 10pt;"&gt;o Concílio não pode ser visto como um evento, “reduzido aos 16 documentos aprovados”, mas trata-se de "reconstruir um acontecimento histórico, considerando que existe um espírito do Concílio”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 42.55pt; tab-stops: -1.0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="color: black; font-size: 10pt;"&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;No primeiro discurso à Cúria, Bento XVI contrapôs a “uma hermenêutica (interpretação) de descontinuidade ou ruptura” a “hermenêutica da continuidade ou reforma”, rejeitando a primeira, porque “&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="color: black; font-size: 10pt;"&gt;uma causou confusão, a outra, silenciosamente mas de modo cada vez mais visível, produziu e produz frutos”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="color: black; font-size: 10pt;"&gt;. No Encontro referido, o reitor da Universidade defendeu a necessidade de “uma nova síntese interpretativa do Concílio, que possa superar a paralisia da hermenêutica parcial, seja de uma parte, desequilibrada totalmente sobre a descontinuidade, seja da outra, que insiste de maneira única e unilateral na continuidade”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 42.55pt; tab-stops: -1.0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="color: black; font-size: 10pt;"&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Os membros menos doutos da Igreja sentem que estes “altos” debates estão a fazer esquecer os desafios actuais, que não são tratados com determinação criativa, com fé, esperança e amor. Sentem-se&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="color: black; font-size: 10pt;"&gt; perdidos porque estão cansados, sem perspectivas inovadores.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="color: black; font-size: 10pt;"&gt; Vêem-se uma Igreja incapaz de avançar com a história e de fazer uma leitura profética dos sinais dos tempos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 42.55pt; tab-stops: -1.0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="color: black; font-size: 10pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;E, contudo, o Concílio continua a ser a Carta Magna da Igreja, o seu farol e guia. Ele proclamou que a hierarquia é um serviço ao Povo de Deus, não estrutura de poder; que todos, incluindo os leigos, somos corresponsáveis pela comunhão e missão, pois todos fomos ungidos pelo mesmo Espírito; que a Igreja católica não é a Igreja de Cristo (“subsiste nela”) mas “apenas” seu sacramento-sinal; que é na pobreza e na perseguição que deve testemunhar Jesus Cristo; que não tem a verdade toda, pois “fora dela há elementos de santificação e verdade” que são dons da Igreja de Cristo; que somos uma Igreja peregrina, “santa mas sempre necessitada de purificação”, como tantos outros na busca da Beleza Infinita, desde os que só “percebem aquela força oculta no curso das coisas” às religiões monoteístas passando pelo hinduísmo e budismo; que somos solidários com as alegrias e as angústias das pessoas, em especial dos pobres; que fora do mundo não há salvação: “o cristão que falta aos seus deveres temporais põe em perigo a sua salvação eterna”. E que o Centro não é o Papa mas a Eucaristia, “sacramento de piedade, sinal de unidade, vínculo de caridade, banquete pascal”: é a Eucaristia que faz a Igreja. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 42.55pt; tab-stops: -1.0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="color: black; font-size: 10pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Estas só não são transformações radicais porque não as assimilámos nem as praticamos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 42.55pt; tab-stops: -1.0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="color: black; font-size: 10pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ruptura/Continuidade, Letra/Espírito? Essas serão questões de poder; mas não de Amor.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Segoe UI&amp;quot;; mso-bidi-font-weight: bold; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19736506-7061454561941721210?l=feecompromisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://feecompromisso.blogspot.com/feeds/7061454561941721210/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19736506&amp;postID=7061454561941721210&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19736506/posts/default/7061454561941721210'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19736506/posts/default/7061454561941721210'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://feecompromisso.blogspot.com/2011/10/49-anos-depois.html' title='49 ANOS DEPOIS'/><author><name>Zé Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12611666981934870239</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19736506.post-5940196237219726818</id><published>2011-10-01T22:34:00.000Z</published><updated>2011-10-01T22:34:47.471Z</updated><title type='text'>PRECISAMOS DE UMA SOCIEDADE INJUSTA</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 42.55pt; mso-outline-level: 1; tab-stops: -1.0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: x-small;"&gt;Estamos a viver um tempo em que é urgente mudar de hábitos, de atitudes, enfim, de estilo de vida. Mas não temos força moral para o fazer. Isto é, só o faremos se formos obrigados. E como não quisemos fazê-lo a bem e a tempo vamos fazê-lo a mal e à pressão.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 42.55pt; mso-outline-level: 1; tab-stops: -1.0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: x-small;"&gt;E agora não vale a pena chorar sobre o passado, acusar os outros (os outros, sim, porque eu nunca tenho culpa; sou apenas uma infeliz vítima, que tenho de aturar os disparates dos outros), lavar as mãos, cruzar os braços.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 42.55pt; mso-outline-level: 1; tab-stops: -1.0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: x-small;"&gt;Temos um mundo novo a construir.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 42.55pt; mso-outline-level: 1; tab-stops: -1.0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: x-small;"&gt;Já todos estamos fartos de ouvir estas "banalidades".&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 42.55pt; mso-outline-level: 1; tab-stops: -1.0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: x-small;"&gt;De qualquer modo, aqui deixo a minha crónica desta semana.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 42.55pt; mso-outline-level: 1; tab-stops: -1.0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 42.55pt; mso-outline-level: 1; tab-stops: -1.0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: x-small;"&gt;PRECISAMOS DE UMA SOCIEDADE INJUSTA&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 13px;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 42.55pt; tab-stops: -1.0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Segoe UI&amp;quot;; mso-bidi-font-weight: bold; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;A vida é bela. Mesmo quando embrulhada em muitas dificuldades e problemas, vale a pena viver. Todas as épocas tiveram razões para dizer mal da vida que lhes era dado viver. Também agora muitos o poderão fazer. Todos o poderemos fazer. De qualquer modo, parece-me que hoje somos confrontados com duas “novidades” históricas. O tempo de vacas gordas, que cresceu exponencialmente a partir de meados do século passado, deixou-nos desarmados para as dificuldades que fazem parte da vida. A fartura amoleceu os espíritos e a nossa capacidade de resistência e de resiliência, como é chique dizer agora. Por outro lado, a informática revolucionou os modos de comunicação e sobretudo de relacionamento. Vivemos “uma viragem epistemológica, social e política, sem dúvida, mas também familiar e educativa” (Eduardo Sá), com o que tudo isto implica nomeadamente na educação dos nossos filhos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 42.55pt; tab-stops: -1.0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Segoe UI&amp;quot;; mso-bidi-font-weight: bold; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;E sobre esta revolução de fundo borbulha a crise que todos vamos vendo e sentindo. Não é fácil viver nela, mantendo os mesmos (não) critérios e o mesmo estilo de vida e os mesmos mecanismos organizacionais. Também não é fácil ser governante, por muito que as contas feitas na oposição ou em artigos de palpites apresentem soluções fáceis, brilhantes e imediatas. A dificuldade aumenta porque estamos imersos na tal crise que nos ultrapassa e que parece fazer de nós minúsculas marionetas, agitados por interesses outros que nos tentam manietar e controlar sob a permanente ameaça de abaixamentos de rating ou de incumprimentos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 42.55pt; tab-stops: -1.0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Segoe UI&amp;quot;; mso-bidi-font-weight: bold; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Mas temos de sacudir a juba. Temos de continuar a sentir-nos portugueses num contexto mais alargado, a lutar, em conjunto, por uma identidade mínima que é a nossa, assente num conjunto de valores dos quais nos querem escorraçar e até forçar abandonar. Não estou a criticar ninguém. Quero apenas, como todos somos chamados a fazer, a colaborar na nossa “salvação”. E, para isso, mesmo contra-corrente, gostaria de recordar alguns valores que são fundamentais, mesmo que a actual mudança de paradigma obrigue a vivê-los de outro modo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 42.55pt; tab-stops: -1.0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Segoe UI&amp;quot;; mso-bidi-font-weight: bold; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Como cristão, embora não precise de fazer apelo a esta condição, o valor primeiro é o da centralidade da pessoa: “&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt;"&gt;Nas intervenções em prol do desenvolvimento, há que salvaguardar o princípio da centralidade da pessoa humana, que é o sujeito que primariamente deve assumir o dever do desenvolvimento” (CinV 47). Reparece-se: a centralidade da pessoa é associada ao desenvolvimento e não apenas ao assistencialismo mais ou menos disfarçado. Apesar de n&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Segoe UI&amp;quot;; mso-bidi-font-weight: bold; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;ecessário, este é sempre uma esmola, um não-desenvolvimento, a exigir respostas a um nível “mais elevado”. O assistencialismo deixa o cliente sem opções, à mercê da decisão de outros, que, apesar da sua boa vontade, que só podemos louvar, não conseguem nem podem pôr-se no lugar do pobre. Por isso, nunca é suficiente, porque a pessoa só pode realizar-se através de um desenvolvimento integral e solidário. “São os povos (e as pessoas, acrescento eu) os autores e os primeiros responsáveis do próprio desenvolvimento” (PP 77). Não sou eu que escolho, muito menos posso impor a (minha) felicidade aos outros. São os próprios que a devem construir com a nossa colaboração, a nossa fraternidade, o nosso dom, a nossa gratuidade. Esta é a doutrina da Igreja; mas esta tem de ser a norma da sociedade: somos cidadãos a quem a Constituição confere iguais direitos e responsabilidades. Não estou a acusar ninguém. Estou a recordar que todo o cidadão, enquanto tal, tem o direito inalienável de viver dignamente na sociedade a que pertence. Mesmo que isso implique o contributo solidário ou forçado dos outros.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 42.55pt; tab-stops: -1.0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Segoe UI&amp;quot;; mso-bidi-font-weight: bold; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Um segundo valor fundamental é o trabalho. Nesta viragem “epistemológica” temos todos que repensar o significado do trabalho, as suas novas modalidades, as regras mais adequadas a um funcionamento libertador, mas há características que não se podem perder. Deixo para a próxima uma reflexão sobre o trabalho como criação, vocação, libertação, realização pessoal e comunitária, aplicação do destino universal de bens e não de mero meio de “sacar de dinheiro”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 42.55pt; tab-stops: -1.0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Segoe UI&amp;quot;; mso-bidi-font-weight: bold; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Hoje gostaria de recordar a parábola dos trabalhadores da vinha, que ouvimos há quinze dias. Foi dita por Jesus. Mas não tem nada a ver com religião nem com ateísmo. Tem a ver com a organização social para a qual todos, crentes e não centes, somos convocados. Muitos de nós recusamos aquele proprietário, porque é injusto e desincentiva o trabalho sério. Mas, tendo em conta que um denário era o mínimo diário para se viver com dignidade, vejamos o que faz o vinhateiro. Em primeiro lugar, procura dar trabalho a todos. É manifesta esta sua preocupação: vai passando pela praça várias vezes ao dia para ver se há alguém precisado de trabalho. Em segundo lugar, garante a todos o mínimo para viverem como pessoas. Todos, inesperadamente, recebem um denário: uns, por justiça, como ficara acordado; outros, porque essa a era a quantia mínima de que precisavam para viver de “cabeça levantada” e sem vergonha. Uns, porque a justiça do contrato o impunha; outros, porque a justiça do amor e o respeito pela vida o exigem. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 42.55pt; mso-outline-level: 1; tab-stops: -1.0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Segoe UI&amp;quot;; mso-bidi-font-weight: bold; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;Esta parábola aponta-nos uma solução para a crise à medida das pessoas e dos povos. “Basta” que todos, governantes e governados, ricos e pobres, mudemos de mentalidade e vejamos o mundo às avessas. Só assim seremos capazes de construir uma sociedade aparentemente injusta para torná-la efectivamente justa para todos. Até porque “u&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;ma sociedade onde as medidas de política económica não consintam aos trabalhadores ter níveis satisfatórios de ocupação, não pode conseguir nem a sua legitimação ética nem a paz social” (CA 43).&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 42.55pt; tab-stops: -1.0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Segoe UI&amp;quot;; mso-bidi-font-weight: bold; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19736506-5940196237219726818?l=feecompromisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://feecompromisso.blogspot.com/feeds/5940196237219726818/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19736506&amp;postID=5940196237219726818&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19736506/posts/default/5940196237219726818'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19736506/posts/default/5940196237219726818'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://feecompromisso.blogspot.com/2011/10/precisamos-de-uma-sociedade-injusta.html' title='PRECISAMOS DE UMA SOCIEDADE INJUSTA'/><author><name>Zé Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12611666981934870239</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19736506.post-3064994188553869699</id><published>2011-09-26T12:34:00.000Z</published><updated>2011-09-26T12:34:32.428Z</updated><title type='text'>O dom das mulheres</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;Não vou falar da beleza exterior das mulheres, que é tão bonita como passageira.&amp;nbsp;Mas vou falar de mulheres que me “surpreenderam” nestes dias.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;Depois de longos tempos à espera, finalmente &lt;b&gt;as mulheres sauditas&lt;/b&gt; vão poder votar. Nada sei das suas lutas em favor desta causa e deste direito fundamental. Também não interessa muito para o caso. O importante é que as mulheres possam começar a ser cidadãs na sua terra. O resto virá chegando por acréscimo. As conquistas na História são difíceis, lentas e geralmente dolorosas. Por isso, é indispensável que haja “sempre alguém que resista”. É certo que ainda não podem conduzir um carro ou viajar sem autorização do marido ou do pai. Mas o futuro constrói-se pedra a pedra e às vezes, grão de areia a grão de areia. Mas uma vez feito o arranque, nada o fará parar. Por isso, gosto do verso de Torga: “O importante é partir”. Sem partir não há viagem. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;Também na Igreja católica, há muito que fazer. Já aqui recordei a recusa de Bento XVI em comungar da opinião dos seus irmãos bispos, tão responsáveis como ele pelo governo da Igreja, em atribuir à mulher o ministério do Leitorado. Isto só irá obrigar um Papa futuro a escrever como João Paulo II fez na &lt;i&gt;Carta às Mulheres do Mundo Inteiro&lt;/i&gt; (29.6.1995): “&lt;/span&gt;&lt;span&gt;Não posso deixar de manifestar a minha admiração pelas mulheres de boa vontade que se dedicaram a defender a dignidade da condição feminina, através da conquista de direitos fundamentais sociais, económicos e políticos, e assumiram corajosamente tal iniciativa em épocas em que este seu empenho era considerado um acto de transgressão, um sinal de falta de feminilidade, uma manifestação de exibicionismo e, talvez, um pecado&lt;/span&gt;&lt;span&gt;” (6).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="background: white; color: black; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-ascii-theme-font: minor-latin; mso-hansi-font-family: Calibri; mso-hansi-theme-font: minor-latin;"&gt;Maria Elizabeth Macías&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="background: white; color: black; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-ascii-theme-font: minor-latin; mso-hansi-font-family: Calibri; mso-hansi-theme-font: minor-latin;"&gt;, redactora-chefe do jornal mexicano "Primera Hora de Nuevo"&lt;/span&gt;, foi decapitada por se atrever a denunciar n&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="background: white; color: black; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-ascii-theme-font: minor-latin; mso-hansi-font-family: Calibri; mso-hansi-theme-font: minor-latin;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="background: white; color: black; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-ascii-theme-font: minor-latin; mso-hansi-font-family: Calibri; mso-hansi-theme-font: minor-latin;"&gt;a Internet as acções de um grupo de criminosos.&lt;/span&gt; A sua cabeça foi encontrada num pote, juntamente com um teclado de computador, um rato, um cabo e uns auscultadores&lt;/span&gt;. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="background: white; color: black; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-ascii-theme-font: minor-latin; mso-hansi-font-family: Calibri; mso-hansi-theme-font: minor-latin;"&gt;A mensagem não pode ser mais clara. Mas a coragem desta mulher não pode ser desperdiçada. Espero que sirva de estímulo para que muitas mulheres e homens aprendam a viver numa sociedade sem o medo paralisante de quem nada denuncia nem nada põe em questão pois pode perder o estatuto social, o emprego, um bom negócio ou mesmo a vida. Se em vez de uma única mulher fossem todas as mulheres e homens a fazer denúncias não haveria suficientes criminosos para eliminar uma sociedade inteira. A cidadania não pode ser uma moeda completamente desvalorizada. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="background: white; color: black; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-ascii-theme-font: minor-latin; mso-hansi-font-family: Calibri; mso-hansi-theme-font: minor-latin;"&gt;Não sei o seu nome&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="background: white; color: black; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-ascii-theme-font: minor-latin; mso-hansi-font-family: Calibri; mso-hansi-theme-font: minor-latin;"&gt;. Apareceu num programa da RTP1. Tem 15 anos. É uma aluna inteligente. E também criativa. Decidiu que a sua aposta seria contribuir para que todos os colegas da sua turma passassem. Contribuir é pouco; assumiu isso como objectivo. E foi assim que se disponibilizou a acompanhar quem precisava: este e aquele, aqui e ali, hoje e amanhã. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="background: white; color: black; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-ascii-theme-font: minor-latin; mso-hansi-font-family: Calibri; mso-hansi-theme-font: minor-latin;"&gt;A sua genica mobilizou os próprios colegas que se sentiram, não mais inteligentes, mas mais motivados e trabalhadores. E acabou por, em conjunto, conseguir o seu objectivo: todos passaram.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="background: white; color: black; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-ascii-theme-font: minor-latin; mso-hansi-font-family: Calibri; mso-hansi-theme-font: minor-latin;"&gt;O que queria destacar eram dois ou três aspectos:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="background: white; color: black; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-ascii-theme-font: minor-latin; mso-hansi-font-family: Calibri; mso-hansi-theme-font: minor-latin;"&gt;- a importância de ter um objectivo ao serviço do bem comum e lutar por ele;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="background: white; color: black; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-ascii-theme-font: minor-latin; mso-hansi-font-family: Calibri; mso-hansi-theme-font: minor-latin;"&gt;- a capacidade de partilhar e ser solidária, sabendo que ao ajudar os colegas a passar estava a criar potenciais concorrentes futuros;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="background: white; color: black; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-ascii-theme-font: minor-latin; mso-hansi-font-family: Calibri; mso-hansi-theme-font: minor-latin;"&gt;- o efeito multiplicador que as coisas boas têm: tal como o mau tão noticiado se pega, também o bem, se fosse publicitado, se multiplicaria;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="background: white; color: black; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-ascii-theme-font: minor-latin; mso-hansi-font-family: Calibri; mso-hansi-theme-font: minor-latin;"&gt;- não é necessário fazer grandes gestos ou tomar grandes iniciativas: a vida constrói-se muito mais com os gestos pequenos do dia a dia, que não exigem grandes logísticas e que podem ser executados com a mobilização dos vizinhos próximos. &lt;span&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-ascii-theme-font: minor-latin; mso-bidi-font-family: Arial; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT; mso-hansi-font-family: Calibri; mso-hansi-theme-font: minor-latin;"&gt;A iraniana &lt;b&gt;Ameneh Bahramí&lt;/b&gt; recusara, há sete anos, uma proposta de casamento de um conterrâneo, cujo nome sei mas não merece publicidade. O enjeitado não esteve com meias medidas: atirou-lhe ácido à cara, desfigurando-a e cegando-a.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-ascii-theme-font: minor-latin; mso-bidi-font-family: Arial; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT; mso-hansi-font-family: Calibri; mso-hansi-theme-font: minor-latin;"&gt;Entretanto, o tribunal decidiu aplicar-lhe a lei do talião, ainda em vigor: “olho por olho, dente por dente”. Perante o espectáculo que seria a execução da pena pela própria vítima, além dos mirones, apareceu também a televisão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-ascii-theme-font: minor-latin; mso-bidi-font-family: Arial; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT; mso-hansi-font-family: Calibri; mso-hansi-theme-font: minor-latin;"&gt;Na sala de um hospital, o criminoso esperava, certamente angustiado, a execução da pena: umas gotas de ácido que Ameneh lhe colocaria nos olhos, cegando-o como ele a cegara.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-ascii-theme-font: minor-latin; mso-bidi-font-family: Arial; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT; mso-hansi-font-family: Calibri; mso-hansi-theme-font: minor-latin;"&gt;Mas Ameneh Bahramí não pôs gotas nenhumas nos olhos do seu carrasco. Fez um gesto muito simples mas imensamente lindo e incompreensível para muitos dos presentes: PERDOOU.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="background: white; color: black; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-ascii-theme-font: minor-latin; mso-hansi-font-family: Calibri; mso-hansi-theme-font: minor-latin;"&gt;Perdão. Como é difícil perdoar e ser perdoado. Há quem diga que essa capacidade já não é bem humana: é supra-humana. Isto é, exige de nós, humanos, uma violência, uma violentação interior para a qual não estamos muito preparados. Nem para ela fomos educados.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="background: white; color: black; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-ascii-theme-font: minor-latin; mso-hansi-font-family: Calibri; mso-hansi-theme-font: minor-latin;"&gt;No entanto, Jesus foi muito claro: o amor que ele propõe tem de incluir também o amor aos inimigos. E não há amor sem perdão. Perdão gratuito.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="background: white; color: black; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-ascii-theme-font: minor-latin; mso-hansi-font-family: Calibri; mso-hansi-theme-font: minor-latin;"&gt;Só a vítima pode verdadeiramente perdoar. Ao fazê-lo eleva o património moral da humanidade e torna este mundo mais habitável. O homem deixa de ser o lobo do homem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19736506-3064994188553869699?l=feecompromisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://feecompromisso.blogspot.com/feeds/3064994188553869699/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19736506&amp;postID=3064994188553869699&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19736506/posts/default/3064994188553869699'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19736506/posts/default/3064994188553869699'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://feecompromisso.blogspot.com/2011/09/o-dom-das-mulheres.html' title='O dom das mulheres'/><author><name>Zé Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12611666981934870239</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19736506.post-2702294220252730101</id><published>2011-09-12T16:21:00.000Z</published><updated>2011-09-12T16:21:40.096Z</updated><title type='text'>És como o Morais: uma moral para ti; outra para os (de)mais</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Este velho ditado ocorreu-me ontem quando ouvia o Evangelho deste domingo. Uma passagem muita rica, pois podia levar-nos por muitos caminhos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;O do &lt;b&gt;perdão&lt;/b&gt;, por exemplo. Esta exigência de Jesus de que devemos perdoar sempre - “setenta vezes sete” - é tramada. Nem sempre é fácil perdoar. A mágoa, que não conseguimos esquecer, não ajuda muito. Ou mesmo nada. Mas perdoar não é esquecer. Esquecer é sempre um risco, se não soubermos esquecer. Uma ofensa exige sempre um período de luto. Se não for feito com amor, o mais certo é irromper num momento (in)oportuno, saltar e fazer estragos. É um pouco como com a morte das pessoas queridas: ou fazemos o luto com sabedoria ou vivemos anos e anos angustiados com uma perda que sempre será uma perda. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Por outro lado, não sei se é mais fácil perdoar do que pedir perdão. Perdoar pode dar-nos uma satisfação interior mas também um ar de superioridade. Eu perdoo. Eu decido perdoar. Este perdão tem muito pouco de perdão, e muito muito de orgulho. Eu sou bom, até perdoo! Mas pedir perdão exige algo de humilhante, de abaixamento, de reconhecer a superioridade do outro a quem ofendi. Precisamente porque o ofendi, estou em dívida com ele. Pedir perdão com autenticidade é assumir as minhas limitações. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Mas eu gostaria de reflectir um pouco sobre o &lt;b&gt;comportamento dos dois devedores&lt;/b&gt;. Ambos devem. Ambos pedem o perdão de uma dívida. Um é atendido; o outro não. Ora o que não perdoa e é exactamente aquele que foi perdoado. Alguém achará estranha esta lógica. E é vista do ponto de vista teórico; mas na prática não é assim que funcionamos muitas vezes? O próprio Jesus nos recorda esta discrepância, quando fala da nossa acuidade visual de&amp;nbsp;conseguir ver,&amp;nbsp;através da trave do nosso olho, o argueiro no olho do outro. Ou recorrendo à mitologia grega, podemos rever a mesma ideia naquela decisão de Zeus de colocar nas nossas costas um alforge carregando os nossos defeitos e outro alforge à nossa frente cheio com os defeitos dos outros. Assim é muito fácil ver os defeitos dos outros: no meu alforge da frente e nos alforges que os outros carregam nas suas costas. E facilmente podemos ignorar os nossos defeitos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Esta maneira de funcionar é muito humana e muito nossa. E tem uma extensão que podemos aprofundar um pouco. Deixemos o problema concreto da disparidade nos comportamentos perante uma situação semelhante. Pensando um pouco, facilmente arranjamos uma boa desculpa: afinal vemos o mesmo acontecimento de pontos de vista diferentes. Não só de perspectivas diferentes, mas também de "locais" diferentes. É esta a razão por que geralmente não levamos os pobres realmente a sério, não os compreendemos. Como posso eu, que não sou pobre, perceber o pobre? Como posso ver a história a partir da sua perspectiva? E indo por aí fora. Como pode o legislador legislar a favor do pobre se ele não é pobre nem sabe o que isso é? Como pode o governante dar prioridade ao pobre se ele nunca foi pobre? É por isso que geralmente as legislações e a organização social não fazem opção pelos pobres mas sim muito pelos ricos e alguma coisa pelos remediados.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Mesmo na comunidade crsitã, como é possível não fazer a opção pelos pobres e assumir essa opção como uma característica estruturante da Igreja, quando o nosso Deus faz opção pelos pobres, quando o próprio Jesus nos mostrou com a sua vida essa sua opção prioritária, ao falar em público com as mulheres, ao sentar-se à mesa com os pecadores, ao tocar nos leprosos? Nada disso nós fazemos. E não fazemos porque não somos pobres nem sabemos o que isso é. Mais: interiorizamos que os pobres são pobres por culpa sua, porque são preguiçosos, porque em vez de trabalhar passam a vida a sobreviver com truques inaceitáveis. Cómodo, este raciocínio, não? O que seria dos pobres se eles não nos trapaceassem de vez em quando? Morriam à fome. Além disso, todos sabemos que a pobreza se auto-reproduz: são gerações e gerações que foram resvalando para o fundo do buraco e é preciso um enorme esforço para subir as suas paredes viscosas e escorregadias. O problema, no fundo, é que nenhum de nós que vamos à missa dominical e cumprimos os outros preceitos, como o fariseu, é pobre. Nenhum sabe o que é passar dias e dias sem comer. E, portanto, o que não sabemos, não podemos compreender.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Mas há um outro aspecto que me ocorreu, talvez de modo não muito linear. É a &lt;b&gt;disparidade entre o que pensamos e o que fazemos&lt;/b&gt;. Nós podemos saber a doutrina toda, mas depois não a pomos em prática. Há uma espécie de anacoluto entre o que penso e o que faço. E, o pior, é que nem dou por isso. Não é por mal. Certamente trata-se de um processo mais de natureza filosófica ou mesmo fisiológica. Eu ainda me recordo de que, nos meus tempos universitários, tive e dei umas aulas chamadas teórico-práticas. Nelas se fazia a ponte entre a teoria e a prática. Eram muito importantes. (Houve um tempo em que desapareceram do mapa, mas espero que tenham voltado). É que não bastava saber bem um teorema, ser capaz de o demonstrar. Uma coisa é saber o teorema matemático ou uma lei da física; outra é aplicá-los ao problema concreto que pode ser resolvido por essa teoria. Como é que eu aplico o teorema àquele problema concreto? Ensinar a fazer este trajecto era o objectivo das aulas teórico-práticas.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Também na vida e nas nossas convicções precisamos de aulas teórico-práticas. Quantas vezes repetimos palavras do Evangelho e, com uma aparente desfaçatez, pecamos contra elas no preciso momento que as proclamamos! Porquê? Porque o afirmar está a um nível diferente do fazer. E entre esses níveis não há, ou nem sempre há, comunicação. Eu penso que não se trata de uma maldade intrínseca, mas de uma deficiência, de uma limitação que precisamos de combater. O problema é que geralmente não damos por ela.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Desafio o leitor a descobrir pequenas ou grandes situações na sua vida em que isto possa estar a acontecer. Mas não parta do pressuposto de que isso só acontece aos outros. É que os nossos vícios estão no alforge detrás. Estamos tão habituados a este mecanismos que só com um esforço bem dirigido e uma especial atenção é que poderemos descobrir o que por ser tão óbvio se tornou obscuro. É que nós estamos tão mergulhados neste ambiente que estas coisas são tão naturais, que não damos por nada; estes gestos fazem já de tal maneira parte da “mobília da casa" que nem os vemos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19736506-2702294220252730101?l=feecompromisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://feecompromisso.blogspot.com/feeds/2702294220252730101/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19736506&amp;postID=2702294220252730101&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19736506/posts/default/2702294220252730101'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19736506/posts/default/2702294220252730101'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://feecompromisso.blogspot.com/2011/09/es-como-o-morais-uma-moral-para-ti.html' title='És como o Morais: uma moral para ti; outra para os (de)mais'/><author><name>Zé Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12611666981934870239</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19736506.post-8243692122708334082</id><published>2011-09-03T11:02:00.000Z</published><updated>2011-09-03T11:02:30.796Z</updated><title type='text'>Uma vida, mas uma vida em abundância</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Conhecia o &lt;b&gt;Fernando&lt;/b&gt; há muitos anos. Cruzávamo-nos por aí: eu, por acidente, nalguma intervenção teórica; ele, num dos intervalos, das suas andanças em favor dos outros, aqui, ali, além, onde houvesse pessoas carenciadas de ajuda.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;O Fernando tinha um coração enorme, um coração onde cabiam todas as vítimas da história e dos homens, um coração &lt;b&gt;Pró Mundo&lt;/b&gt;. Um coração quase infinito que estava sempre cheio porque as vítimas dos nossos atropelos dos direitos humanos são imensas. Com um coração assim ele não tinha mãos a medir. Não tinha mãos nem pés nem cabeça nem cabeça. As urgências eram tantas, que a primeira reacção de qualquer pessoa sensata era desistir. Mas o Fernando, felizmente, não era sensato. Os sensatos acomodam-se, dão uma ajudinha, isto é, uma esmola e deixam cada um amordaçado pelos seus problemas, com a consoladora desculpa de que “não posso mudar o mundo”. Mas o Fernando não procedia assim. Apesar da imensidão da tarefa nunca virou a cara. Lutava. Mobilizava. Chateava os conhecidos, amigos, alunos, colegas. Fazia. Com paixão, com dedicação, com amor pelos que sofriam.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;Num mundo tão marcado pela miséria e pelas imorais desigualdades só temos dois caminhos: &lt;span&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;- ou vivemos indiferentes ao sofrimento, passando de lado sem olhar, pondo assim em prática a nossa saborosa capacidade para “causar uma enorme infinidade de dor” porque “a dor é a única força que se cria do nada, sem custo nem trabalho: basta não olhar, não escutar, não fazer nada” (Primo Levi);&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- ou despertamos os corações, nos comovemos, como o samaritano, e então somos arrastados por um qualquer&lt;i&gt; daimon&lt;/i&gt; interior, que nos obriga a pôr mãos à obra para cuidar e acolher os necessitados.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;O Fernando fez a segunda opção. Transformou-a na razão de ser da sua vida. Para mim que sou crente, ele era a imagem límpida da compaixão do Deus em que acredito, que ama gratuitamente, ama sempre sem olhar aos méritos das pessoas, ama de um modo mais carinhoso aqueles que sofrem. Não se preocupa com os seus pecados (se não o que seria dos justos que pecam sete vezes ao dia?) mas com as dores e os sofrimentos. Os pecados esquece-os, ou melhor, “apaga-os da memória”; os sofrimentos comovem-no, como Jesus, Deus-homem, tão bem nos mostrou com as suas palavras e &lt;span&gt;com a sua vida. O nosso pecado mais grave, o verdadeiro pecado mortal, é causar sofrimento ou tolerá-lo com indiferença. João Paulo II explica isto muito bem através de uma dúzia de verbos que nos deveriam fazer pensar: “&lt;/span&gt;&lt;a href="" name="top"&gt;&lt;span&gt;Pois bem: a Igreja, quando fala de&amp;nbsp;&lt;i&gt;situações&lt;/i&gt;&amp;nbsp;de pecado ou denuncia como&amp;nbsp;&lt;i&gt;pecados sociais&lt;/i&gt;&amp;nbsp;certas situações ou certos comportamentos colectivos de grupos sociais, mais ou menos vastos, ou até mesmo de nações inteiras e blocos de nações, sabe e proclama que tais casos de&amp;nbsp;&lt;i&gt;pecado social&lt;/i&gt;&amp;nbsp;são o fruto, a acumulação e a concentração de muitos &lt;i&gt;pecados pessoais&lt;/i&gt;. Trata-se dos pecados pessoalíssimos de quem suscita ou favorece a iniquidade ou a desfruta; de quem, podendo fazer alguma coisa para evitar, eliminar ou, pelo menos, limitar certos males sociais, deixa de o fazer por preguiça, por medo e temerosa conivência, por cumplicidade disfarçada ou por indiferença; de quem procura escusas na pretensa impossibilidade de mudar o mundo; e, ainda, de quem pretende esquivar-se ao cansaço e ao sacrifício, aduzindo razões especiosas de ordem superior. As verdadeiras responsabilidades, portanto, são das pessoas. Uma situação - e de igual modo uma instituição, uma estrutura, uma sociedade - não é, de per si, sujeito de actos morais; por isso, não pode ser, em si mesma, boa ou má” (RP 16, citada em SRS 36, a propósito do pecado social e das “estruturas de pecado” que marcam o nosso mundo e, hoje, com esta crise de maneira mais profunda, visível e dolorosa). Fiz esta citação porque certamente não há nenhum leitor deste &lt;i&gt;post&lt;/i&gt; a começar pelo seu autor que não tenha cometido o crime de lesa próximo através de alguma daquelas acções descritas por tantos verbos e atitudes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;Mas o Fernando foi mais longe na visibilização desse rosto bondoso de Deus. Não só dedicou a sua vida em pleno a este “cuidar do outro”, como &lt;b&gt;deu a vida&lt;/b&gt; por essa causa. “Não há maior prova de amor do que dar a vida” (Jo 15,13). O Fernando deu a vida por esta causa. Morreu no meio de mais um gesto de amor, na “longínqua” Guiné. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;A nossa primeira reacção foi “que perda”, “estamos mais pobres” e as frases do costume, umas vezes verdadeiras ou hipócritas. Neste caso bem verdadeiras.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;Mas, num segundo momento, pensando melhor, não concordo, de todo. Porque o Fernando teve uma vida cheia de amor, não cabia mais. E uma vida mede-se pela qualidade do amor e não pela quantidade dos anos. Mesmo que o Fernando vivesse mais tempo ele faria sempre falta. Porque são muito poucos os que têm a coragem de viver como ele, nos limites, por amor dos outros. O Fernando só faz cá falta, só será uma perda se especialmente os seus colegas de projecto(s) não continuarem a sua obra. Nem caso, sim, faz falta, será uma grande perda. Mas se a obra continuar a desempenhar a sua missão, se for fiel ao espírito do Fernando, a sua falta não é falta, é estímulo; não é perda, é ganho. Mas é preciso muita coragem e determinação para quem fica “órfão” resistir à tentação de cruzar os braços. Não já, nestes próximos dias ou meses, mas depois sob a demolidora erosão dos dias que passam. Até porque estes trabalhos exigem uma persistência e uma teimosia a que estamos muto pouco habituados. Eu acredito que tudo irá continuar, mas é bom estar atento às tentações que insidiosamente surgem disfarçadamente: as tais “escusas na pretensa impossibilidade de mudar o mundo” e, ainda, as tentativas de nos “esquivarmos ao cansaço e ao sacrifício, aduzindo razões especiosas de ordem superior”, atrás citadas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;Mas a morte do Fernando é também um &lt;b&gt;dedo acusatório &lt;/b&gt;apontado aos ricos (países) do Norte, que gastam palavras a decidir ajudar, mas depois apenas ajudam de acordo com os seus interesses. O Fernando morreu porque, apesar de, desta vez, ter levado consigo a insulina de que precisava como diabético, esta se estragou porque num clima daqueles precisava de ser guardada em ambientes que só o Norte dispõe e porque não havia no hospital central de Bissau. O Fernando morreu porque na Guiné não havia insulina, por isso a qualificou de "longínqua". A insulina, pelos vistos, é um mais um medicamento de luxo. Como o são as vacinas, para nós são “ao preço da chuva”, mas inatingíveis para a maioria dos que vivem na “longínqua” Guiné ou noutras zonas tão “longínquas” porque pertencem a um outro planeta. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;A morte do Fernando é a morte de tantas vítimas da miséria, da falta de cuidados mínimos de sobrevivência, resultado da nossa incapacidade de partilhar os dons e os bens que deviam ser para todos. Um simples café pagava uma granjeia de vitamina A que evitaria a cegueira e até, nalguns casos, a morte de milhares de crianças, que, por isso, nunca poderão ter a qualidade de vida a que têm direito. Serão sempre “pessoas a meio”, porque lhes falta qualquer coisa de essencial para viver com dignidade. E isto pelo preço de uma bica. Tanta vida que se poderia salvar com os nossos gastos supérfluos, as nossas compras para descomprimir das nossas tensões, os nossos cosméticos para que a pele não se engelhe demasiado, os nossos ansiolíticos que temos de tomar porque a nossa vida não tem sentido, quando o sentido e a razão de ser da nossa vida estão exactamente na atenção, na preocupação, no cuidado do outro. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;Será que a morte do Fernando nos ajuda a ver tudo isto? É evidente que não. A maior parte das pessoas, mesmo os que o conheciam, talvez já tenham até começado a esquecê-lo. Porque a nossa memória é curta. Mas sobretudo porque ele é um “mau exemplo” neste mundo politicamente correcto, onde o que eu quero é que me deixem em paz com as minhas “coisinhas” e não que me desinquietem para mudar de vida. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;Obrigado, Fernando, pelo que fizeste e pelo que testemunhaste. Fica-me o consolo e a certeza de que, neste momento, já estás a receber “o cem por um” com que o teu e o meu Deus recompensa o “servo bom e fiel” que tu foste.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span&gt;&lt;/span&gt;  &lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19736506-8243692122708334082?l=feecompromisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://feecompromisso.blogspot.com/feeds/8243692122708334082/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19736506&amp;postID=8243692122708334082&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19736506/posts/default/8243692122708334082'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19736506/posts/default/8243692122708334082'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://feecompromisso.blogspot.com/2011/09/uma-vida-mas-uma-vida-em-abundancia.html' title='Uma vida, mas uma vida em abundância'/><author><name>Zé Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12611666981934870239</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19736506.post-8426568495983469564</id><published>2011-08-20T18:59:00.002Z</published><updated>2011-08-20T19:03:46.496Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ue apa'/><title type='text'>Bento XVI e as Jornadas Mundiais da Juventude</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 16px;"&gt;&lt;b&gt;NOTA PRÉVIA:&lt;/b&gt; Não sei o que se passa com os meus&lt;i&gt; posts&lt;/i&gt; ultimamente que aparecem com frases com letra mais pequena, o fundo vai variando, etc. Mas, como não sei resolver o assunto, aqui vai como sair. O essencial é o conteúdo. Obrigadinho e desculpem pelo mau jeito!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 16px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 16px;"&gt;A visita do Papa a qualquer ponto do mundo é sempre acompanhada da mesma “cassete”: manifestações contra os gastos que disfarçam a incapacidade congénita de aceitar os que pensam diferente. É bem triste que estes grupos não tenham mais nada para propor perante a mudança de paradigma por que passa a história contemporânea: algo de diferente, de criativo, de inovador, de subversivo desta ordem injusta, da qual certamente o Papa não será o verdadeiro modelo. Gente nova e idosa, mas tão velha de ideias e de ideais para a construção de uma sociedade mais humano, mais fraterna, mais solidária, que pratique a tolerância, que aposte no diálogo (não foi o papa impedido de falar numa universidade italiana; não é a universidade – &lt;i&gt;universitas&lt;/i&gt; – o espaço privilegiado para o confronto de ideias, de conceitos, de propostas de futuro?). Assim se percebe que não tendo nada de novo a não ser a habitual cassete, só tenham para propor condenações e anátemas, tentação a que a Igreja hierárquica também tem dificuldade em resistir, esquecendo que a misericórdia de Deus não é apenas uma bela doutrina, mas uma realidade, que se fosse praticada séria e continuamente, decerto seduziria muito mais gente do que condenações.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Quanto à JMJ, o papa deu algumas respostas interessantes &lt;b&gt;aos jornalistas&lt;/b&gt; no avião. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Classificou-as "como u&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial; color: black;"&gt;m sinal, uma cascata de luz (que) dão visibilidade à fé, visibilidade à presença de Deus no mundo e, assim, dão a coragem para ser crentes”. Reconheceu uma realidade bem real que a própria Igreja não tem discutido com a devida solicitude e urgência: “Com frequência, os crentes sentem-se isolados neste mundo, quase perdidos”. Alguém sabe porquê? O que se tem feito para responder a esta situação de diáspora angustiante pelo menos para pequenos grupos que tentam comprometer-se segundo o Evangelho de Jesus de Nazaré? Por isso, o papa vê uma resposta nestas Jornadas: “Aqui, vêem que não estão sozinhos, que existe uma grande rede de fé, uma grande comunidade de crentes no mundo, que é belíssimo viver nesta amizade universal e, dessa maneira, nascem amizades que superam as fronteiras das diferentes culturas, dos diversos países. O nascimento de uma rede universal de amizade que une o mundo com Deus é uma importante realidade para o futuro da humanidade, para a vida da humanidade de hoje”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial; color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Mas ele próprio bem sabe isto não basta, até porque não estamos a assistir ao nascimento de "uma rede universal de amizade", como ele próprio reconheceu na última encíclica: "A sociedade cada vez mais globalizada torna-nos vizinhos, mas não nos faz irmãos" (CinV 18). Foi, p&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial; color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;or isso certamente, que, quando lhe perguntam que frutos espera, deu a resposta clássica que também é verdadeira: "A&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial; color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&amp;nbsp;sementeira de Deus sempre é silenciosa, não aparece imediatamente nas estatísticas”. E explicitou melhor: “A semente que o Senhor semeia com a JMJ é como a semente de que o Evangelho fala: uma parte cai no caminho e perde-se; uma parte cai na pedra e perde-se; uma parte cai nos espinhos e perde-se; mas uma parte cai em terra boa e dá muito fruto. É precisamente isso o que acontece com a sementeira: muito se perde e isso é humano”. Para concluir: “Certamente que muito se perde: não podemos dizer que, a partir de amanhã, recomeça um grande crescimento da Igreja. Deus não age assim. Cresce em silêncio. Com outras palavras do Senhor, a semente de mostarda é pequena, mas cresce e converte-se numa grande árvore. Para muitas pessoas, será o começo de uma amizade com Deus e com os outros, de uma universalidade de pensamento, de uma responsabilidade comum que realmente mostra que estes dias dão fruto”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial; color: black;"&gt;Mas também sabe que não são as grandes multidões que dão a medida da fé da Igreja: nem pela quantidade exterior nem pela qualidade interior. O importante foi há muito definido por Paulo VI: “&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;A finalidade da evangelização, portanto, é precisamente esta mudança interior; e se fosse necessário traduzir isso em breves termos, o mais exacto seria dizer que a Igreja evangeliza &lt;i&gt;quando, unicamente firmada na potência divina da mensagem que proclama, procura converter ao mesmo tempo a consciência pessoal e colectiva dos homens, a actividade em que eles se aplicam e a vida e o meio concreto que lhes são próprios&lt;/i&gt;. Estratos da humanidade que se transformam: &lt;i&gt;para a Igreja não se trata tanto de pregar o Evangelho a espaços geográficos cada vez mais vastos ou populações&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="color: black; font-size: 13.5pt;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;maiores em dimensões de massa, mas de chegar a atingir e como que a modificar pela força do Evangelho os critérios de julgar, os valores que contam, os centros de interesse, as linhas de pensamento, as fontes inspiradoras e os modelos de vida da humanidade, que se apresentam em contraste com a Palavra de Deus e com o desígnio da salvação&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;. Poder-se-ia exprimir tudo isto dizendo: &lt;i&gt;importa evangelizar, não de maneira decorativa, como que aplicando um verniz superficial, mas de maneira vital, em profundidade e isto até às suas raízes, a civilização e as culturas do homem,&lt;/i&gt; no sentido pleno e amplo que estes termos têm na Constituição&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;Gaudium et Spes&lt;/i&gt;, a partir sempre da pessoa e fazendo continuamente apelo para as relações das pessoas entre si e com Deus.” (&lt;i&gt;Evangelii Nuntiandi&lt;/i&gt;, 18-20; o &lt;i&gt;itálico&lt;/i&gt; é meu).&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black; font-size: 13.5pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial; color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Deixo aqui algumas passagens do &lt;b&gt;discurso aos jovens&lt;/b&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial; color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;“Há palavras que servem apenas para entreter e passam como o vento; outras instruem, sob alguns aspectos, a mente. As palavras de Jesus, pelo contrário, têm de chegar ao coração, radicar-se nele e modelar a vida inteira. Sem isso, ficam estéreis e tornam-se efémeras; não nos aproximam dele. E, deste modo, Cristo continua distante, como uma voz entre muitas outras que nos rodeiam e às quais estamos habituados. Queridos jovens, escutai verdadeiramente as palavras do Senhor, para que sejam em vós «espírito e vida» (&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial; color: black; font-size: 12pt;"&gt;Jo&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial; color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial; color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;6, 63), raízes que alimentam o vosso ser, linhas de conduta que nos assemelham à pessoa de Cristo, sendo pobres de espírito, famintos de justiça, misericordiosos, puros de coração, amantes da paz. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial; color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Aproveitai estes dias para conhecer melhor a Cristo e inteirar-vos de que, enraizados nele, o vosso entusiasmo e alegria, os vossos anseios de crescer, de chegar ao mais alto, ou seja, a Deus, têm futuro sempre assegurado, porque a vida em plenitude já habita dentro do vosso ser. Fazei-a crescer com a graça divina, generosamente e sem mediocridade, propondo-vos seriamente a meta da santidade. Perante as nossas fraquezas, que às vezes nos oprimem, contamos também com a misericórdia do Senhor, sempre disposto a dar-nos de novo a mão e que nos oferece o perdão no sacramento da Penitência. &lt;/span&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial; color: black;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial; color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Assim&lt;/span&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial; color: black;"&gt;) &lt;/span&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial; color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;mostrareis uma alternativa válida a tantos que viram a sua vida desmoronar-se, porque os alicerces da sua existência eram inconsistentes: a tantos que se contentam com seguir as correntes da moda, se refugiam no interesse imediato, esquecendo a justiça verdadeira ou se refugiam em opiniões pessoais em vez de procurar a verdade sem adjectivos. Há muitos que, julgando-se deuses, pensam que não têm necessidade de outras raízes nem de outros alicerces para além de si mesmo. Desejariam decidir, por si sós, o que é verdade ou não, o que é bom ou mau, justo ou injusto; decidir quem é digno de viver ou pode ser sacrificado nas aras de outras preferências; em cada momento dar um passo à sorte, sem rumo fixo, deixando-se levar pelo impulso de cada instante. Estas tentações estão sempre à espreita. É importante não sucumbir a elas, porque na realidade conduzem a algo tão fútil como uma existência sem horizontes, uma liberdade sem Deus. Pelo contrário, sabemos bem que fomos criados livres, à imagem de Deus, precisamente para ser protagonistas da busca da verdade e do bem, responsáveis pelas nossas acções e não meros executores cegos, colaboradores criativos com a tarefa de cultivar e embelezar a obra da criação. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial; color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Sede prudentes e sábios&lt;span class="apple-style-span"&gt;, edificai as vossas vidas sobre o alicerce firme que é Cristo&lt;/span&gt;. Esta sabedoria e prudência guiarão os vossos passos, nada vos fará tremer e, em vosso coração, reinará a paz. Então sereis bem-aventurados, ditosos, e a vossa alegria contagiará os outros. Perguntar-se-ão qual seja o segredo da vossa vida e descobrirão que a rocha que sustenta todo o edifício e sobre a qual assenta toda a vossa existência é a própria pessoa de Cristo, vosso amigo, irmão e Senhor, o Filho de Deus feito homem, que dá consistência a todo o universo.”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial; color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Com vão reagir os jovens cristãos a estas palavras. A resposta é evidente e foi dada aos jornalistas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial; color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;E os não crentes? O que tiram daqui? Talvez a passagem das Bem-aventuranças. Mas que linguagem para os jovens de hoje sem futuro, desintegrados, sem sentidos de vida, abandonados pelas políticas sociais e hostilizados e por vezes ostracizados pela sociedade e pela opinião pública? Seriam estas palavras que precisavam de ouvir? Ou o discurso era só para dentro? Se era, não devia ser, pois aquelas são Jornadas Mundiais da Juventude. E a juventude é formada por crentes, não crentes, desesperados e esperançosos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial; color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Não sei dar lições, muito menos ao papa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial; color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Mas pressinto que ou a Igreja encontra as palavras apropriadas para esta juventude e esta sua dura realidade, bem mais dura que a dos adultos, ou então não a reconquista, porque não a seduz com palavras libertadoras que ela entenda.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial; color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;E este é um desafio sobre o qual todos mandam palpites, mas ninguém se senta a procurar soluções adequadas. Onde está a verdadeira pastoral da Juventude? Como se prepara?&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="background-color: white; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 16px;"&gt;Com quem? Parte-se desta realidade e constrói-se nesta realidade?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19736506-8426568495983469564?l=feecompromisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://feecompromisso.blogspot.com/feeds/8426568495983469564/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19736506&amp;postID=8426568495983469564&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19736506/posts/default/8426568495983469564'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19736506/posts/default/8426568495983469564'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://feecompromisso.blogspot.com/2011/08/bento-xvi-e-as-jornadas-mundiais-da.html' title='Bento XVI e as Jornadas Mundiais da Juventude'/><author><name>Zé Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12611666981934870239</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19736506.post-5307362267333447385</id><published>2011-08-11T12:32:00.006Z</published><updated>2011-08-11T12:39:55.102Z</updated><title type='text'>Cogito, ergo sum (2)</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;Embora tenha passado algo despercebido na comunicação social (o que será caso para tentar perceber o porquê), D. José Policarpo, cardeal da Igreja católica e patriarca de Lisboa, foi chamado a uma audiência com o secretário de Estado do Vaticano, Tarcisio Bertone, por causa da afirmação sobre a ordenação das mulheres que fez numa entrevista à revista da Ordem dos Advogados, publicada em meados de Junho: "Penso que não há nenhum obstáculo fundamental. É uma igualdade fundamental de todos os membros da Igreja". Antes recebera uma carta do prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, cargo anteriormente ocupado pelo cardeal Ratzinger.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;Sabe-se que estas palavras do nosso Patriarca surgiram mês e meio depois de um bispo australiano ter sido&amp;nbsp;&amp;nbsp;obrigado pelo Vaticano, a abandonar o seu múnus&amp;nbsp;por causa de igual posição que tomara em 2006, sob o argumento de Bento XVI de que a doutrina da Igreja sobre o tema é "infalível".&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;Já, em 1999, D. José Policarpo afirmara numa entrevista que “as razões pelas quais a Igreja Católica não se abriu ainda a essa hipótese são sobretudo as da tradição apostólica, que foi sempre de homens... teologicamente, não há nenhum obstáculo fundamental; há esta tradição, digamos assim... Nunca foi de outra maneira”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;Não vou discutir o problema da ordenação das mulheres, até porque já desenvolvi aqui o que penso e quais as minhas dúvidas e perplexidades.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;Bom mas passemos a algumas questões, para mim, muito importantes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;1) Tanto quanto sei a declaração de algo infalível exige um formalismo específico que, suponho, nunca foi utilizado para este caso. Além disso, tanto quanto sei, desde que foi “aprovada” a doutrina da infalibilidade no concílio Vaticano I, esta só foi utilizado duas vezes (dois dogmas sobre Nossa Senhora): por Pio IX, em 1854, sobre a Imaculada Conceição (Concepção) de Nossa Senhora (constituição apostólica &lt;i&gt;Ineffabilis Deus&lt;/i&gt;) e por Pio XII, em 1950, sobre a Assunção (constituição apostólica &lt;i&gt;Munificentissimus Dei&lt;/i&gt;). Portanto&lt;span class="apple-converted-space"&gt;, não basta Bento XVI escrever numa carta que se trata de doutrina infalível.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;2) Bento XVI é um grande teólogo e filósofo, mas D. Policarpo também é um grande teólogo e filósofo (não sei quantificar este grande, mas posso dizer que são ambos “grandes”). Assim sendo, o que devemos pensar teologicamente sobre a ordenação das mulheres? E posso lembrar aqui o pedido que Häring fez a João Paulo II para que juntasse todos os principais moralistas e instituições de ensino sobre o assunto para que discutissem a moral, nomeadamente sexual. E... naturalmente, João Paulo II não aceitou.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;3) Isto leva-me à terceira observação. Vamos fazer um “supônhamos”. Suponhamos que, em vez de Bento XVI, tinha sido eleito Papa D. José Policarpo. Qual passava a ser o “estado da questão”: podia ou não discutir-se “normalmente” o problema da ordenação das mulheres, já que ambos têm opiniões diferentes? Será apenas uma questão de opinião pessoal, não eclesial, de quem é Papa? E, a pergunta que se segue, as opiniões pessoais do Papa tornam-se infalíveis por ele ser papa? E os teólogos, qual é o seu papel: serem os fazedores de argumentos para defender as posições do papa? Se assim, é evidente que tem de haver tensões, a menos que os teólogos “vendam a alma”. Mas parece que é mesmo assim, pois o teólogo sente-se dividido&amp;nbsp;entre a fidelidade à sua consciência na procura da verdade e a exigência do Magistério de que “cabe aos teólogos moralistas expor a doutrina da Igreja, dando, no exercício do seu ministério, o exemplo de uma leal adesão, interna e externa, ao ensinamento do Magistério, tanto no campo do dogma como da moral” (&lt;i&gt;Veritatis Splendor&lt;/i&gt;, 110). Aliás, uma afirmação análoga é feita relativamente aos Bispos: “A comunhão hierárquica com o bispo de Roma requer também que os bispos, no magistério da sua própria diocese, manifestem um zelo fiel de adesão ao magistério do Papa, mesmo se ordinário, o difundam nas formas mais apropriadas, contribuam para ele de vários modos … e, quando necessário, o defendam” (&lt;i&gt;Lineamenta&lt;/i&gt; para a X Assembleia geral ordinária do Sínodo dos Bispos, 46).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;Claro que já nem falo dos leigos. Mas nós também não ligamos nada: não lemos nem estudamos nem fundamentamos teologicamente a nossa fé nem os nossos compromissos sócio-políticos. Assim como podemos participar honestamente na edificação da Igreja? Como podemos “&lt;span class="apple-style-span"&gt;cooperar de boa vontade com os homens que prosseguem os mesmos fins (da justiça e da solidariedade)”? Como podemos, “reconhecendo quais são as exigências da fé, e por ela robustecidos”, hesitar, “quando for oportuno, em idear novas iniciativas e em levá-las à prática” (&lt;i&gt;Gaudium et Spes&lt;/i&gt;, 43)? Como podemos responder, com seriedade, aos raríssimos apelos a que colaboremos na elaboração do normativo moral: “Para a elaboração de um autêntico discernimento evangélico nas várias situações e culturas em que o homem e a mulher vivem o seu matrimónio e a sua vida familiar, os esposos e os pais cristãos podem e devem oferecer um seu próprio e insubstituível contributo. A esta tarefa habilita-os o carisma ou dom próprio, o dom do sacramento do matrimónio&lt;/span&gt;” (&lt;i&gt;Familiaris Consortio&lt;/i&gt;, 5)?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;4) Depois não podemos esquecer (uma certa dose) de misoginia de muitos hierarcas, nomeadamente Bento XVI. É possível (!?) que nem todos tenham lido a última exortação apostólica &lt;i&gt;Verbum Domini&lt;/i&gt;, publicada a partir das propostas (&lt;i&gt;propositones&lt;/i&gt;) de cerca de 200 bispos reunidos no Sínodo sobre “A Palavra de Deus na Vida e na Missão da Igreja”. Vejamos a proposta 17 feita pelos Bispos: “&lt;span class="hps"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: whitesmoke; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;Os padres sinodais&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: whitesmoke; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="hps"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: whitesmoke; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;reconhecem e incentivam&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: whitesmoke; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="hps"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: whitesmoke; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;o serviço&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: whitesmoke; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="hps"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: whitesmoke; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;dos leigos&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: whitesmoke; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="hps"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: whitesmoke; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;na transmissão da&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: whitesmoke; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="hps"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: whitesmoke; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;fé.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: whitesmoke; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;&amp;nbsp;As m&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="hps"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: whitesmoke; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;ulheres,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: whitesmoke; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="hps"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: whitesmoke; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;em particular, têm&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: whitesmoke; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="hps"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: whitesmoke; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;um papel indispensável&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: whitesmoke; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="hps"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: whitesmoke; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;a este respeito&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: whitesmoke; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;, especialmente&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: whitesmoke; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="hps"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: whitesmoke; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;na família e&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: whitesmoke; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="hps"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: whitesmoke; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;na catequese&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: whitesmoke; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: whitesmoke; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="hps"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: whitesmoke; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;Na verdade,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: whitesmoke; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="hps"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: whitesmoke; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;elas sabem como&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: whitesmoke; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="hps"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: whitesmoke; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;despertar a&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: whitesmoke; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="hps"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: whitesmoke; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;escuta da Palavra&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: whitesmoke; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="hps"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: whitesmoke; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;e do&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: whitesmoke; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="hps"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: whitesmoke; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;relacionamento pessoal com Deus&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: whitesmoke; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="hps"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: whitesmoke; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;e comunicar&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: whitesmoke; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="hps"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: whitesmoke; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;o sentido&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: whitesmoke; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="hps"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: whitesmoke; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;do perdão e da&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: whitesmoke; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="hps"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: whitesmoke; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;partilha&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: whitesmoke; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="hps"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: whitesmoke; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;do Evangelho.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="hps"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: whitesmoke; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;É desejável que&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: whitesmoke; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="hps"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: whitesmoke; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;o ministério de&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: whitesmoke; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="hps"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: whitesmoke; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;leitor&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: whitesmoke; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="hps"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: whitesmoke; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;seja aberto&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: whitesmoke; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="hps"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: whitesmoke; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;também às mulheres&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: whitesmoke; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;, para que &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="hps"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: whitesmoke; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;na comunidade cristã&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: whitesmoke; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;&amp;nbsp;seja &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="hps"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: whitesmoke; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;reconhecido&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: whitesmoke; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="hps"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: whitesmoke; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;o seu papel&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: whitesmoke; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="hps"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: whitesmoke; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;de anunciadoras da&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: whitesmoke; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="hps"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: whitesmoke; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;Palavra".&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&lt;span class="hps"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: whitesmoke; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;O Papa, baseado nesta proposta, escreveu: “&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;De modo especial, o Sínodo deteve-se sobre o papel indispensável das mulheres na família, na educação, na catequese e na transmissão dos valores. Com efeito, elas «sabem suscitar a escuta da Palavra, a relação pessoal com Deus e comunicar o sentido do perdão e da partilha evangélica» (&lt;i&gt;Propositio&lt;/i&gt;&amp;nbsp;17),&amp;nbsp;como também ser portadoras de amor, mestras de misericórdia e construtoras de paz, comunicadoras de calor e humanidade num mundo que demasiadas vezes se limita a avaliar as pessoas com os critérios frios da exploração e do lucro” (85). Fez alguma referência ao ministério do Leitorado extensível às mulheres como os Bispos, a quem ele pediu a opinião, tanto desejavam? Interessa ao Papa a opinião dos seus Bispos corresponsáveis com ele no governo da Igreja? Aceita ele a doutrina da colegialidade aprovada no Vaticano II? Pode suspeitar-se que não porque ignora liminarmente a opinião dos Bispos e porque se trata de uma ruptura com o passado de monarquia absoluta papal (desvalorização ou recusa da "hermenêutica da ruptura" frente à "hermenêutica da continuidade", como recordei no último &lt;i&gt;post&lt;/i&gt;).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;Mas tenhamos muita atenção. Estes dois exemplos são manifestações pouco mais que epifenoménicas: sendo importantes, não constituem a essência da crise da Igreja.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;Eu penso que a crise está hoje instalada na Igreja porque nos perdemos em muitas coisas secundárias e fugimos (propositadamente, me parece) ao essencial. A Igreja quer pregar-se a si própria, ela que é apenas um instrumento e não pregar, testemunhar e procurar viver Jesus Cristo e os valores do Reino que ele nos veio ensinar. Por isso, a Igreja é tão normativa e tão pouco misericordiosa, vista no seu conjunto e sobretudo nas suas cúpulas. Não sabe, não pode ou não quer ensinar e formar para “captarmos” a presença, simultaneamente escondida e presente, do Reino de Deus, que, segundo as palavras de Jesus, é como uma semente (e propositadamente escolheu a semente de mostarda, do tamanho de uma pulga, que vai crescendo sem sabermos como nem quando), como o fermento que a mulher mistura na massa para a levedar "silenciosamente", como um tesouro tão precioso que leva o seu descobridor a vender tudo o que tem para comprar o campo onde a escondeu.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;E termino com algumas passagens do IV capítulo do livro de Pagola, “O Profeta do Reino de Deus”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;“A sua resposta era desconcertante: “O Reino de Deus não vem de maneira ostensiva. Ninguém poderá afirmar ‘Ei-lo aqui?' ou ‘Ei-lo ali’, pois o Reino de Deus está entre vós” (Lc 17,20-21)…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;Por vezes, traduziram-se de maneira errónea, como, por exemplo: “O Reino de Deus está &lt;i&gt;dentro&lt;/i&gt; de vós”. Isto levou, infelizmente, à desfiguração do pensamento de Jesus reduzindo o Reino de Deus a uma coisa privada e espiritual que se produz no íntimo de uma pessoa quando se abre à acção de Deus. Jesus não pensava nisto quando falava aos camponeses da Galileia. O que ele pretendia era convencer toda a gente de que a chegada de Deus para impor a sua justiça não era uma intervenção terrífica e espectacular, mas uma força libertadora, humilde mas eficaz, que estava ali, no meio da vida, ao alcance de todos os que o acolhessem com fé… O &lt;i&gt;Evangelho (apócrifo) de Tomé&lt;/i&gt; atribui a Jesus estas palavras: “O Reino de Deus está dentro de vós e fora de vós”. E é verdade. O acolhimento do Reino de Deus começa no interior das pessoas, em forma de fé em Jesus, mas realiza-se na vida dos povos na medida em que o mal vai sendo vencido pela justiça salvadora de Deus.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;A chegada de Deus era uma coisa boa. Assim pensava Jesus: Deus aproximava-se porque era bom, e era bom para todos que Deus se aproximasse. Não vinha defender os seus direitos nem pedir contas a quem não cumprisse os seus mandamentos. Não chegava para impor o seu “domínio religioso”. De facto, Jesus não pedia aos camponeses que cumprissem melhor a sua obrigação de pagar os dízimos e as primícias; não se dirigia aos sacerdotes para que observassem com maior pureza os sacrifícios de expiação no templo; não incentivava os escribas para que fizessem cumprir com maior fidelidade a lei do Sábado e outros preceitos. O Reino de Deus era outra coisa. O que mais preocupava Deus era libertar a gente de tudo aquilo que a desumanizava e a fazia sofrer…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;Era isso que precisavam de ouvir: que Deus se preocupava com eles. O Reino de Deus que Jesus proclamava correspondia aquilo que mais desejavam: viver com dignidade…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;Era, por isso, que Jesus não falava da “ira de Deus” como o Baptista, mas da sua “compaixão”. Deus não vinha como juiz irado, mas como pai de amor comunicativo…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;(Jesus) nunca se pôs do lado do povo judeu contra os pagãos: o Reino de Deus não consistiria num triunfo de Israel contra os gentios. Também não se colocou nunca do lado dos justos em detrimento dos pecadores: o Reino de Deus não consistiria na vitória dos santos para fazer pagara os maus pelos seus pecados. Ele era sempre a favor dos que sofriam e contra o que era mal, pois o Reino de Deus consistia me libertar a todos daquilo que os impedia de viver de maneira digna e feliz…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;Por isso, Jesus não pensava só na cura das pessoas doentes. Toda a sua actividade se desenvolvia no sentido de fazer surgir uma sociedade mais saudável. Daí a sua alergia a comportamentos patológicos de raiz religiosa tais como o legalismo, o rigorismo e o culto vazio de justiça; o seu esforço em prol de uma convivência mais justa e solidária; o acolhimento que fazia aos deserdados da vida ou da sociedade; o seu empenhamento em libertar toda a gente do medo e da insegurança a fim de que vivesse com absoluta confiança em Deus. Curar, libertar do mal, tirar do desânimo, sanear a religião, construir uma sociedade mais amável, eram os caminhos que ele indicava para se acolher e promover o Reino de Deus, e eram também os caminhos que Jesus trilharia”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;É isto que nos ensinam na catequese? Nas homilias? Nas notas episcopais? Nas encíclicas pontifícias?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19736506-5307362267333447385?l=feecompromisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://feecompromisso.blogspot.com/feeds/5307362267333447385/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19736506&amp;postID=5307362267333447385&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19736506/posts/default/5307362267333447385'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19736506/posts/default/5307362267333447385'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://feecompromisso.blogspot.com/2011/08/cogito-ergo-sum-2.html' title='Cogito, ergo sum (2)'/><author><name>Zé Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12611666981934870239</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19736506.post-2744126728918424283</id><published>2011-08-07T12:42:00.064Z</published><updated>2011-08-08T07:26:40.681Z</updated><title type='text'>Cogito, ergo sum (1)</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;div style="line-height: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Um dos livros que trouxe para ler e meditar nestes dias foi “&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;Jesus uma abordagem histórica&lt;/b&gt;” de José António Pagola, um livro cuja leitura me está a dar um gozo interior muito intenso. Ainda li só uma parte, mas é notável o seu estilo tão simples e carregado de tanta informação que a maior parte de nós não conhece. Para os mais sabidos está cheio de notas de rodapé onde remete para vários autores e resume as suas teses. &amp;nbsp;Escreveu este livro porque ama profundamente Jesus Cristo e escreveu-o com teólogo católico, tendo em conta os estudos das últimas décadas, pois, como escreve Bento XVI, no seu Jesus de Nazaré, “o método histórico … é e continua a ser um aspecto do trabalho exegético a que não se poderá renunciar”. Portanto é uma espécie de “&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;compêndio admirável da investigação crítica&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;sobre Jesus, tal como tem sido realizada nos últimos cinquenta anos, na Europa e na América, tanto entre católicos como entre protestantes e judeus” (Pikaza). &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Pagola explica: “&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Quis apresentar Jesus aos homens e às mulheres de hoje de maneira simples, sem com isso desvirtuar ou desfigurar os resultados da investigação. A minha opção por este género narrativo deve-se ao meu desejo de aproximar o leitor de hoje, crente ou não, daquela experiência que tiveram os que encontraram Jesus, para os ajudar a sintonizar a Boa Nova que descobriram nele. Se Jesus foi captado e recordado como qualquer coisa de “novo” e de “bom” por quem se encontrou com ele, será que não há-de poder trazer-nos também hoje qualquer coisa capaz de gerar renovação, libertação e e esperança? Recuperar de maneira rigorosa e viva a dimensão humana de Jesus não poderá ser hoje uma Boa Notícia para crentes e descrentes? É difícil aproximar-se dele e não ficar fascinado pela sua pessoa. Jesus dá uma nova perspectiva à vida, uma dimensão mais profunda, uma verdade mais essencial! A sua vida converte-se num apelo a viver a existência desde a raiz mais profunda que é Deus, o qual só deseja para os seus filhos e filhas uma vida mais digna e mais feliz. Contactar com ele obriga a deixar atitudes rotineiras e artificiais, liberta de enganos, medos e egoísmos que paralisam as nossas vidas; insere me nós coisas tão importantes como a alegria de viver, a compaixão pelos últimos da sociedade, ou o trabalho incessante por um mundo mais justo. Jesus ensina a viver com simplicidade e dignidade, com orientação e com esperança. Mas, há mais. Jesus pode elevar a crer em deus sem fazer do seu mistério não um ídolo ou uma ameaça, mas uma presença amigável e próxima que é uma fonte inesgotável de vida e de compaixão para com todos. Infelizmente, vivemos, por vezes, rodeados de imagens doentias de Deus que se vão transmitindo de geração em geração sem que se meçam os seus efeitos deletérios. Jesus convida a fazer a experiência de um Deus Pai mais humano e maior que todas as nossas teorias: um Deus salvador e amigo&lt;/i&gt;”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Longa citação, mas que lindo e que amor a Jesus! Não é bonito e estimulante ter oportunidade de fazer esta reflexão que nos fundamente e ajude cada vez mais a fazer esta vivência cada vez mais da Pessoa de Jesus de nazaré? É um livro encantador, sedutor, que nos estimula a amar cada vez mais Jesus, que nos informa pormenorizadamente da sua vida entre os camponeses da Galileia que eram duplamente explorados, pelos impostos romanos e pelo dízimo para o Templo, que nos mostra como a paixão do “Reino de Deus”, que referiu 120 vezes, o abrasava (“Eu vim lançar o fogo sobre a terra”: Lc 12,49), como o "Reino" era de tal maneira o núcleo central da sua pregação, a sua convicção mais profunda, a paixão que animava toda a sua actividade” que se sentiu obrigado a andar de terra em terra para mostrar que “Deus era um boa notícia”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Pois este livro maravilhoso tem uma história que é &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;uma verdadeira odisseia, exemplo de tantas outras dentro da nossa santa madre Igreja (católica). E conto-a com as palavras de um teólogo muito conhecido,&lt;span class="apple-style-span"&gt; J.I. González Faus&lt;/span&gt;: “Ultimamente estamos assistindo ao seguinte absurdo: um livro que o cardeal Ravassi &lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;elogia publicamente, que um bispo português, entusiasmado, mandou traduzir, que o autor aceitou corrigir de acordo com as sugestões que lhe fez uma pequena comissão de teólogos nomeada, para o efeito, pela Conferência episcopal espanhola, recendo o “nihil obstat” do seu bispo; um livro sobre o qual o actual secretário da Congregação da Doutrina da Fé confessou ao antigo bispo de San Sebastián que não continha nada de heterodoxo… um livro destes termina com um processo aberto contra o autor e com Roma a obrigar a editora a tirá-lo do &lt;/span&gt;catálogo e a destruir todos os exemplares que ainda tenha”.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;Não sei o que está a suceder em Roma, pois só sabia do que se passou em Espanha sobretudo com o bispo de Tarazona e um grupo de teólogos, de grande peso oficial, que condenaram o livro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Para uma rápida explicitação destas confusões, quero apenas deixar duas rápidas notas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;A tradução portuguesa, por razões apresentadas pelo editor, fora feita (e estava pronta para distribuição) a partir do livro “antes das sugestões”; a editora espanhola avisou que a tradução tinha que ser feita a partir do “novo” livro com “as sugestões”. Mas, como o livro estava praticamente pronta para a distribuição, o editor português deixou ficar o original anterior às sugestões e associou-lhe um Suplemento com o título “Uma explicação ao meu livro Jesus uma abordagem histórica”. Penso que foi muito bom que isto acontecesse, pois de posse do livro e do Suplemento podemos ver o que foi sugerido. As principais modificações referem-se ao cap. 14 e a uma rescrita do cap. 15, que ainda não li nem comparei. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;E agora vou apenas dar um exemplo, que é bem mais significativo do que parece à primeira vista: a nota 11 do II Capítulo “Um vizinho mais de Nazaré”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Antes das sugestões:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Segundo Mc 6,3, os habitantes de Nazaré desabafam assim: “Não é ele o carpinteiro, o filho de Maria e irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão?” E as suas irmãs não estão aqui entre nós?”. O termo &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;adelfós&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt; utilizado pelo evangelista significa normalmente “irmão” no sentido estrito, não primo ou parente. Do ponto de vista puramente filológico e histórico, a posição mais comum entre os especialistas é a de que se trata de verdadeiros irmãos e irmãs de Jesus. Meier, talvez o investigador católico de maior prestígio neste momento, após um estudo exaustivo conclui que “a opinião mais provável é que fossem realmente irmãos e irmãs de Jesus”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Depois das sugestões&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Segundo Mc 6,3, os habitantes de Nazaré desabafam assim: “Não é ele o carpinteiro, o filho de Maria e irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão?” E as suas irmãs não estão aqui entre nós?”. Na Igreja antiga, já se davam várias respostas quando se tratava da interpretação deste texto e de outros que falam de “irmãos” e “irmãs” de Jesus (cf. Mc 3,31-32; 1Cor 9,5; Gl 1,19). A interpretação mais difundida até aos dias de hoje foi a de S. Jerónimo que os considera “primos ou parentes próximos”. Actualmente, os estudos de Meier e de outros exegetas rejeitam essa interpretação por razões filológicas, e pensam que estes textos falam de verdadeiros “irmãos” de Jesus. No entanto, é preciso situar tais conclusões no contexto de uma cultura patriarcal baseada na &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;agnatio&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt; (descendência definida através dos varões); nesta cultura, quando se diz que duas pessoas são “irmãs”, a única coisa que se afirma é que têm o mesmo pai. A Igreja católica sempre entendeu que os referidos textos não se referem a outros filhos da Virgem Maria.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Não quero comentar, pois isto é muito claro. Mas não resisto a um desabafo: José, um “homem justo”, tem as costas bem largas; teria de ser viúvo, do que nada se diz nos Evangelhos ou então não seria tão justo como isso! &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Mas o que realmente é chocante é que mesmo depois destas emendas todas e da franca aceitação por altos representantes da hierarquia, Roma o censure e o queira “colocar o Index”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Do que nós, cristãos, estamos necessitados é de livros que nos apaixonem por Jesus e pelo “Reino de Deus e a sua justiça”. Este é um deles, como refere o cardeal Ravassi, Presidente do Pontifício Conselho para a Cultura: “A melhor forma para guiar o leitor não especialista no meio desta selva (de interpretações cristológicas) parece-me ser a narrativa realizada em Espanha por dois teólogos, Armand Puig i Tarrech (Jesús. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span lang="ES-TRAD" style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Respuesta a los enigmas. San Pablo) e José Antonio Pagola (Jesús. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Una aproximación histórica. PPC)”. Mais: não existe cristianismo sem o encontro amoroso com Jesus, como diz o Papa: “No &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo” (&lt;i&gt;Deus caritas est, 1&lt;/i&gt;)&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Por isso, num tempo de profunda crise na Igreja, da qual uma das principais causas é o nosso profundo desconhecimento de Jesus Cristo, não se percebe á tentativa de silenciamento e a condenação deste livro tão apaixonado por Jesus. Como é possível que uma Igreja, que deve testemunhar Jesus Cristo, tome atitudes como estas que são a negação da misericórdia amorosa do nosso Deus, do seu amor por todos? Neste caso concreto, depois de tanto cuidado do autor, há altos representantes oficiais que acham que devem mostrar a sua autoridade e impor a sua doutrina, uma no meio de muitas, pois vivemos numa “selva de interpretações cristológicas”. Não é possível testemunhar e fomentar o Reino de Deus a partir e por meio do poder, quando o próprio Jesus recomenda a este respeito: “Sabeis que os senhores das nações governam-nas como seus senhores e que os grandes exercem sobre elas o seu poder. Não seja assim entre vós; pelo contrário, quem quiser fazer-se grande entre vós, seja vosso servo “ (Mt 20,25-26). E também não se pode impor pelo medo. Contudo os responsáveis, que avaliam os outros (mas quem avalia os avaliadores?), são sempre alguém que, mesmo sem querer, utiliza o medo para impor a sua doutrina ou a doutrina que acha que deve proteger. Também esta “pastoral do medo” vai contra as palavras de Jesus, que lemos no Evangelho deste domingo: “Não temais… Homens de pouca fé, por que duvidastes?” (Mt 14,27,31). Jesus repete estas mesmas palavras: “Porque temeis, homens de pouca fé?” (Mt 6,25). É difícil acreditar quando o nosso Deus não se manifesta no vendaval, nem no tremor de terrena, nem no incêndio, mas na brisa suave que acaricie quase sem se dar por isso, como recorda a primeira leitura de hoje (&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;1Rs 19,12).&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 16px;"&gt;Além disso, que custos pode ter para a já débil credibilidade da Igreja (mesmo entre os cristãos), esta falta de testemunho “superior” &amp;nbsp;da solicitude e do serviço am&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 16px;"&gt;orosos para com todos? Que credibilidade pode ter uma Igreja quando os seus principais responsáveis se preocupam mais por aumentar o centralismo e “piramidalismo” do que em pôr em prática de modo sério e eficaz a vivência da eclesiologia da comunhão? O que nos resta a nós, os outros membros da Igreja, que não seja obedecer cegamente, aceitar a doutrina dos actuais detentores do poder sem qualquer espírito crítico? Não corremos o risco de nos tornarmos numa seita de fundamentalistas em que os chefes mandam e o resto obedece? Somos o rebanho de Deus ou o Povo de Deus? O que foi feito desse modelo tão rico e tão profundo da Igreja como “Povo de Deus”? Podemos pensar pelas nossas cabeças ou somos meros receptáculos e repetidores de sons sem sentido que nos chegam do “alto” baixo?&lt;/span&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: 'Times New Roman', serif; line-height: normal; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;E já nem refiro o que se está a fazer da força do Espírito que soprou no Vaticano II, pois desse Concílio parece que apenas é aproveitável o que nele se repete dos concílios anteriores, como o demonstra Bento XVI, no seu discurso aos cardeais pouco depois da sua “tomada de posse”, ao contrapor a bondade da “hermenêutica da continuidade” aos inaceitáveis desvios da “hermenêutica da ruptura”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: 'Times New Roman', serif; line-height: normal; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;div style="line-height: normal;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 18px;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 115%;"&gt;Deus quis criar-nos com a capacidade de pensar. Só o ser humano pensa. Se deixarmos de pensar nunca seremos pessoas a sério nem cristãos autênticos. Se não penso, não posso, não consigo fazer opções. Não posso nem consigo ouvir a voz da minha consciência, “o centro mais secreto e o santuário do homem, no qual se encontra a sós com Deus, cuja voz se faz ouvir na intimidade do seu ser” (&lt;i&gt;Gaudium et Spes, 16&lt;/i&gt;). E é pela minha consciência que irei ser julgado: não é pelo que os outros mandam; é pelo que eu faço. Quantos crimes se cometeram e cometem porque as pessoas não pensam e obedecem cegamente às ordens superiores?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 16px;"&gt;Quem acredita que Deus está na brisa que a todos acaricia, que sopra onde e quando quer, só pode respeitar o que Deus pensa através de cada um, mesmo que cada um não seja capaz de o traduzir com rigor. Porque só Deus tem A Verdade.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 16px;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;É a este contexto que o caso de D. José Policarpo vem acrescentar algo de pouco interessante.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19736506-2744126728918424283?l=feecompromisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://feecompromisso.blogspot.com/feeds/2744126728918424283/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19736506&amp;postID=2744126728918424283&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19736506/posts/default/2744126728918424283'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19736506/posts/default/2744126728918424283'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://feecompromisso.blogspot.com/2011/08/cogito-ergo-sum-1.html' title='Cogito, ergo sum (1)'/><author><name>Zé Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12611666981934870239</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19736506.post-5393525612129204285</id><published>2011-07-31T01:11:00.141Z</published><updated>2011-07-31T09:35:45.522Z</updated><title type='text'>Palavras baralhadas pelos ventos do tempo que passa</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Ontem já noite adiantada coloquei este post, mas com um erro grave que me apresso a emendar.&lt;br /&gt;Vivemos um tempo que nos apanha um pouco (um pouco, é só para ser simpático) perdidos. E curiosamente, ou não, esta sensação de insegurança parece não nos estimular a sermos construtores de um mundo mais humano, portanto mais seguro, nem a unirmos esforços por um futuro que ou é comum ou não é. De pouco valem as desculpas de que não podemos pensar todos da mesma maneira, de que temos de ser diferentes como se isso fosse&lt;span style="color: red;"&gt; &lt;/span&gt;apenas uma dificuldades e não antes um incentivo. A diferença não faz inimigos faz complementaridades que só podem ser enriquecedoras, com a condição de cada um não absolutizar as suas opiniões.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;No mundo, todas as soluções são relativas e até carregam consigo sempre algo de perverso que obriga a rectificações sucessivas com decisões novas e também elas provisórias. Por isso, o nosso caminho não é um trajecto linear mas uma rede de nós, que nos abrem para muitos caminhos e nos obrigam a opções contínuas.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;O drama é que tomar opções exige dispor de critérios, ter princípios norteadores. Ora a facilidade de vida que estas últimas décadas nos trouxeram desarmaram-nos não só psicologicamente mas também moralmente. Este contexto de facilitismos foi gerador de pluralismos e facilitou a tomada de posições diferentes, a maior parte das vezes, sem darmos por isso. E surgiram vários modelos de olhar a vida e o mundo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;1. Os dançarinos &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;Uns foram-se arrastando para o comodismo do “dolce far niente”: deixaram de se sentir cidadãos e construtores da &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;polis&lt;/i&gt;, deixando-se converter alegremente em consumidores. Quando muito delegaram noutros as suas responsabilidades: trocaram o “quentinho” da consciência que não os incomoda muito pela perda de uso da liberdade que, por vezes, se torna um fardo demasiado pesado para quem não quer ter problemas de decisão. Dançam ao toque do “Maria vai com as outras”. Para onde? Só saberão quando lá chegarem.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;2. Os nostálgicos&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;Outros ficaram agarrados a um passado que garantia a segurança interior com os seus critérios e valores. Era tão libertador que valia a pena continuar a mantê-lo sem levantar problemas mesmo quando se suspeitava que cada época tem os seus contextos e exige respostas específicas adequadas. Por isso, ficaram armadilhados na sua nostalgia do “paraíso perdido”, angustiados com um futuro incerto e, portanto, inseguro, e incapazes de se abrir à novidade da história ou do Espírito: o medo limita a sua intervenção. E aqui estou a ver tantos católicos, especialmente muita da sua hierarquia, que parece que não acreditam no Espírito, que sempre sopra onde e quando quer e que sempre&amp;nbsp;está&amp;nbsp;a convidar-nos para a novidade libertadora dos novos céus e da nova terra. Mas não são capazes, mesmo com a fé no Espírito, de cortar com as amarras enferrujadas do passado e ficar apenas com as palavras de vida eterna. São os "homens de pouca fé", que tanto desagradavam a Jesus.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;3. Os fracturantes&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;Outros caíram no extremo oposto e não só abandonaram todo o passado como até o hostilizaram e combateram, conscientes que a história só se pode fazer olhando o futuro e ostracizando o passado. Mas ficaram sem identidade, porque ninguém se identifica a partir do zero. Por isso, não se pode pôr uma pedra sobre o passado, fazer de contas que ele não existe, porque ele sempre deixa marcas, bem no fundo de cada um de nós, que nos definem e influenciam decisivamente. Ao ficarem sem identidade, tentaram arranjar uma &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;à la minuta&lt;/i&gt; até ver onde param as modas, à espera de uma qualquer “refundação” que retome um caminho novo e libertador capaz de tornar a humanidade mais humana. Até que isso aconteça, vão vivendo fora da realidade, cheios de boas ideias, mas tão irrealistas como as enferrujadas do passado. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;Estes grupos&lt;/b&gt; vão vivendo uma vida normalizada. O que mais os distingue são as palavras, não são os actos. Palavras proferidas por uns e por outros com tanta facilidade que possivelmente já só saem das cordas vocais; algumas talvez ainda comandadas pelo cérebro; mas muito pouquíssimas pelo coração. Vivem bem. Em paz consigo mesmos, consciente ou inconscientemente. Uns fechados em si; outros guiados por uma consciência manipulada e outros ainda comprometidos com uma cidadania inexistente. Há felizmente várias excepções, mas que vivem numa diáspora desesperante que exige um esforço para não cair na tentação de agradar ao sistema que tudo controla e manipula.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;A crise não os atinge gravemente, pelo menos até ver, como aliás revela um inquérito do Expresso: cerca de 60% não se sentem pouco ou nada afectados pela crise. Terão de ir limitando algumas extravagâncias, mas até ver poucos entraram em falência "física". Pelo contrário, a falência" ética há muito que os retirou de circulação por falta de liquidez existencial. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;4. Os profissionais da crise&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;Cerca de um quinto, com tendência a ultrapassar rapidamente um quarto da população, estão aqueles que não sofrem com esta crise, porque a sua vida é uma crise constante. É o seu estilo de vida, pois nunca saíram dela mesmo no tempo das vacas gordas. Como irão continuar nela quando as coisas se recompuserem. Sentem certamente os seus efeitos a nível de redução de alguma ajuda. Mas as ajudas já eram tão limitadas que mal davam para sobreviver. E para sobreviver tiveram de inventar truques que os bem-comportados, do alto da sua moralidade balofa, sempre condenaram por serem eticamente inaceitáveis: é uma ética (“a dos bem-comportados”) contra outra ética (“a da sobrevivência”). É por isso que é muito mais fácil um juiz mandar para a cadeia uma pessoa que “rouba” meia dúzia de euros de comida para poder matar a fome aos filhos do que uma pessoa que “desvia” milhões de euros em corrupções bem montadas. Mas esta lei é imoral porque “&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;aquele que se encontra em extrema necessidade tem o direito de tomar, dos bens dos outros, o que necessita (para sobreviver). Sendo tão numerosos os que no mundo padecem fome, o sagrado Concílio insiste com todos, indivíduos e autoridades, para que, recordados daquela palavra dos Padres – «alimenta o que padece de fome, porque, se o não alimentaste, mataste-o» – repartam realmente e distribuam os seus bens, procurando sobretudo prover esses indivíduos e povos daqueles auxílios que lhes permitam ajudar-se e desenvolver-se a si mesmos” (Gaudium et Spes, 69).&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Mas estas são palavras inaceitáveis para a boa organização social dos bem-comportados, pois introduz um elemento incontrolável e subversivo.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;5. Os “estrangeiros”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;Há aqueles que vêm "de fora" e acampam no meio de nós. Hoje a palavra estrangeiro tem uma conotação mais negativa que positiva. Mas eu gosto dela. Parece-me até que é a que melhor descreve a nossa vida. Para mim, que sou crente, todos somos estrangeiros nesta terra, todos estamos de passagem (somos "passageiros" da vida), vivemos numa situação&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt; provisória a caminho da definitiva. Esta transitoriedade não me tira, antes pelo contrária aumenta, a minha responsabilidade por deixar esta terra melhor que antes. Ao nascer, entro, como todos, na posse&amp;nbsp;de um duplo património da humanidade: o dos recursos da natureza, que são destinados para uso e benefício de todos, e dos conhecimentos e técnicas elaborados por todos os que me antecederam (cf.&amp;nbsp;&lt;a href="http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/encyclicals/documents/hf_jp-ii_enc_14091981_laborem-exercens_po.html"&gt;LE&lt;/a&gt; 12). Mas entro nessa posse não para delapidar ou destruir esse património único, mas para o acrescentar com o meu contributo, pequeno ou grande. Sendo o contributo de cada um sempre único e irrepetível, se alguém se recusar a dá-lo, toda a humanidade fica mais pobre.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Os tempos modernos geraram enormes movimentações de pessoas pelas mais diversas razões. Ao deslocar-se cada uma transporta consigo a sua identidade, a sua cultura, os se&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;us hábitos e costumes. Todos sabemos os problemas que podem resultar de uma deficiente integração (a "hospitalidade", conceito e atitude tão caros aos povos antigos). Se já não é fácil viver com os vizinhos, como vamos fazê-lo com os "estrangeiros"? E, no entanto, o "estrangeiro" é um outro "eu", que devo acolher, com quem devo praticar a "hospitalidade".&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Como vamos os europeus construir uma sociedade pluralista saudável e libertadora perante a multiplicidade de “estrangeiros” que estão entre nós e que são seres humanos como nós? Como vamos lidar com os que não querem assumir, no meio de nós, a nossa cultura porque querem permanecer fiéis à sua, para poderem preservar a sua identidade originária? Como conciliar estes dois interesses culturais &lt;i&gt;legítimos&lt;/i&gt; para construir um bem comum &lt;i&gt;necessário &lt;/i&gt;para todos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;6. Os demolidores&amp;nbsp;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Há outros, embora poucos mas ainda demasiados, que vivem um nó interior tão complexo que conseguem parecer pessoas normais (“normalizadas”), mas que, sem se saber bem porquê, basta um qualquer clic exterior ou sobretudo interior para tomarem posições mais ou menos sociopatas. Um bom modelo bem recente é o do norueguês Breivik, exemplo e metáfora dos nossos complexos interiores e do modo como lidamos com eles. A diversidade de atitudes e comportamentos pode ser só superficial, não passando de variações de um profundo “samba de uma nota só”. Esta modalidade, porque só aparentemente é que será multifacetada, torna-se um desafio permanente e sempre novo e inesperado para as nossas sociedades e para a nossa democracia. Não é só pelo facto de ser norueguês de nacionalidade que Breivik não é um “estrangeiro”, um “outro” com ideias totalmente ao arrepio da mentalidade e da cultura dos noruegueses. Como vão os noruegueses reagir? O que podem e devem fazer?&amp;nbsp;Como vamos fomentar e reinventar a democracia perante estes seus “pontos fracos” que fazem dela simultaneamente forte e fraca? Como vamos responder, concretamente nós os portugueses, se nos acontecer uma situação destas?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;7. Os profetas&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;Finalmente há também uns outros, embora muito poucos, que sabem o que querem, que procuram ser coerentes com as sua convicções e utopias, que ainda as há, que são vozes proféticas, mas cujo discurso é tão fora do tempo que ninguém os entende ou quer entender, olhados como “aves raras” em vias de extinção. Sentem-se vozes que pregam no deserto: no deserto das ideias criativas e geradoras de novos rumos, no deserto dos sentidos de vida coerentes e comprometidos com uma organização social mais justa, fraterna e gratuita, no deserto geográfico criado pelos enormes espaços comuns, verdadeiros “sem-lugares”, porque neles nos cruzamos quase sem nos vermos, quase sem nos falarmos, sempre a correr atrás de nadas para poder encher um vazio interior que nos corrói.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;Mas é este “resto”, este “restinho” que tem os gérmenes do futuro libertador que, quando a tempestade acalmar, acabará por ser ouvido e, esperemos, seguido. Assim um pouco como os Profetas de Israel no Exílio: não só esperaram contra toda a esperança (visível ou expectável), como conseguiram que a esperança contaminasse um povo e o levasse a não cair no desânimo colectivo nem na descrença assassina.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;Conclusão&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;Ou tomamos o nosso futuro nas mãos ou ficamos sem futuro humano. Porque um futuro humano não existe; temos de o construir. Se nada fizermos, algum futuro virá, pois a evolução não acabou: neste caso, não será uma evolução humana, mas apenas biológica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;"&gt;Mas antes disso, se nada fizermos, continuaremos todos a ser controlados pelos senhores do mercado financeiro, perfeitamente desregulado, com acesso totalmente livre a todo o espaço e lugar, porque para eles as fronteiras não existem, pois para as saltar basta um teclado ligado a um computador ou uma tablet. A apoiá-los estão a inevitável falta de legislação universal (a grande ajuda dos nossos egoísmos nacionais e da nossa recusa em ceder solidariamente autonomias que já não temos), as imorais agências de rating, verdadeiras prostitutas de luxo sempre abertas ao serviço de quem lhes paga mais, a incapacidade que os governantes têm de ver que já não se trata de questões casuístas nem de castigar os mal-comportados (e quem são os mal-comportados neste contexto!?), mas de problemas globais que ou são assumidos na sua real dimensão ou só servirão para nos afundar ainda mais. A EU tem aqui um papel contagioso e só esperamos que seja em prol do bem comum continental, que também será planetário. A última Cimeira &lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;deixou algumas indicações, mas lá vamos nós cair nas palavras. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&amp;nbsp;E o tempo das palavras já passou.&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19736506-5393525612129204285?l=feecompromisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://feecompromisso.blogspot.com/feeds/5393525612129204285/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19736506&amp;postID=5393525612129204285&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19736506/posts/default/5393525612129204285'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19736506/posts/default/5393525612129204285'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://feecompromisso.blogspot.com/2011/07/palavras-baralhadas-pelos-ventos-do.html' title='Palavras baralhadas pelos ventos do tempo que passa'/><author><name>Zé Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12611666981934870239</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19736506.post-3540198199944747044</id><published>2011-07-24T14:59:00.001Z</published><updated>2011-08-01T00:14:38.695Z</updated><title type='text'>Trátátátátás que assassinam e chius que matam</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Há um mês que não venho visitar os meus amigos. Mas não estou zangado com ninguém. Apenas umas idas ao hospital, uns tratamentos pouco estimulantes, alguns compromissos sociais e também uma certa preguiça que o calor de verão sempre exerce nas minhas proteínas, desnaturando muitas delas, têm sido algumas das causas da minha ausência. E também o meu outro blog que me dá muito gozo!!!&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Entretanto aconteceu muita coisa, algumas das quais penso agora retomar, mesmo com algum atraso.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;De qualquer modo, antes de isso, não posso deixar de pensar na &lt;b&gt;Noruega.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Há uns anos tive oportunidade de visitar a Noruega, concretamente Oslo. Paisagens lindíssimas, no meio de uma natureza cuidada. Lembro-me de acordar num bungalow tipo palafita em que as bases de suporte assentavam na água dos fiordes e de acordar com o ritmado marulhar das mini-ondas a bater nos pilares da nossa casa. Da janela via-se a extensão da água até longe apertada pelos enormes montes que as bordejavam. Já não era os pobretanas como nós, graças ao petróleo, que souberam gerir como juizinho e não como novos ricos como fizeram muitos portugueses com ao chorudos subsídios europeus convertidos em BMWs e palacetes em vez de servirem para reconverter as nossas indústrias tradicionais. O “Fundo do Petróleo” norueguês foi criado, em 1990, por decisão do Parlamento para não só contrariar os efeitos &lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;nocivos das grandes flutuações do preço do petróleo, mas também como solidariedade para com as gerações futuras. Em 2008, era de cerca de 350 mil milhões de euros.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;De repente, aquele país tão pacífico e a sua capital tão amena, onde era habitual cruzarmo-nos com o primeiro-ministro ou um qualquer ministro a tomar um café ao virar da esquina, estremeceram com o estrondo inaudito de um ou vários carros armadilhados. Primeiro foi o estrondo, em quem ninguém queria acreditar. Depois foram as paredes danificadas, os vidros estilhaçados e, pior ainda, alguns mortos, inocentes que tiveram o azar de estar no sítio errado no momento errado. De repente era poeira, estilhaços e o espanto dos vivos. Mas aquilo era só uma amostra. A exibição e a violência gratuita e psicopata só aguardavam uns minutos. E então aí sim, no meio de um acampamento de jovens que celebravam a vida e a cidadania, começa o tiroteio. Rajadas e mais rajadas de balas que duraram cerca de hora e meia. Malta que foge como e para onde pode, mas uma centena ficou ali estendida, com os amigos incapazes de lhe acudir e se ds salvar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;De repente, um país inteiro olha e não quer acreditar. Não tem palavras. Nunca acontecera nada daquilo. Como era possível!? Quanto tempo terão demorado a acordar e a perceber que aquela era a realidade, crua e dura, cruenta e assassina. Aos primeiros entrevistados que ouvi, segundo me pareceu, o que mais os chocou, para lá das mortes, era o facto de ter sido um norueguês, “alguém com quem andei na escola”. Ficava quase uma súplica: “Se ao menos fosse estrangeiro!”. Mas não. Era o fim da inocência daquele povo. Afinal todos podemos dormir com o inimigo. Afinal o inimigo pode ser o meu melhor amigo e eu não me aperceber de nada. Afinal… afinal… Como é difícil percebermos todos, noruegueses ou outros, que é do coração da pessoa, como ensinara Jesus, que nascem estas atitudes mais desumanas, estas reacções mais animalescas, este “matei porque me apeteceu”. &amp;nbsp;Afinal a pessoa continua a ser um mistério, um mistério muito mais complexo e denso que a maior parte dos mistérios que nos rodeiam e que são muitos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Afinal era norueguês. Devo dizer que a violência desta frase me atingiu como um murro no estômago. E agora a Noruega tem de fazer o luto pelos mortos e a catarse dos vivos. Como aliás todos os outros povos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Entretanto… a milhares de quilómetros de distância, todos os dias morrem de fome mais dos que os que morreram de balas na Noruega. Em países como a &lt;b&gt;Somália&lt;/b&gt;, o cortejo da morte é enorme, mas é silencioso, não precisa de tiros nem de carros armadilhados, Vão caindo mortos pela falta de água, pela falta de pão. Condenados não pelas balas assassinas de um psicopata norueguês, mas pelas balas da indiferença de milhões de assassinos civilizados que gastam mais num jantar de restaurante do que o suficiente para alimentar uma criança ou um adulto durante um mês, que gastam mais num maço de tabaco do que numa vacina salvadora.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Não devemos lamentar os noruegueses? Com certeza e tudo fazer para que gestos tresloucados destes não se voltem a repetir. Mas devemos também evitar tantas mortes que dependem de um “quase nada”, de “cinco cêntimos de amor” para que milhões de crianças e adultos ternha uma vida com um mínimo de dignidade. E estas só dependem do comportamento de pessoas normais e não de comportamentos psicopatas de “messias” alienados.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;A diferença entre estes dois tipos de mortes está no que poderia ser a Europa: a Europa da solidariedade e não dos egoísmos, a Europa que pensa nas convergências monetárias mas não nas fraternas, a Europa que defende os seus interesses mas não na gratuitidade e no dom.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19736506-3540198199944747044?l=feecompromisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://feecompromisso.blogspot.com/feeds/3540198199944747044/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19736506&amp;postID=3540198199944747044&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19736506/posts/default/3540198199944747044'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19736506/posts/default/3540198199944747044'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://feecompromisso.blogspot.com/2011/07/tratatatatas-que-assassinam-e-chius-que.html' title='Trátátátátás que assassinam e chius que matam'/><author><name>Zé Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12611666981934870239</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19736506.post-8328741782914038948</id><published>2011-06-22T10:08:00.000Z</published><updated>2011-06-22T10:08:49.388Z</updated><title type='text'>A emigrante NAFISSATOU DIALLO</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 13pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; mso-bidi-font-family: Arial;"&gt;Por estes dias falou-se pouco dos Migrantes, que até têm um Dia e a eles foram dedicadas algumas mensagens e também um ou outro gesto "simbólico".&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 13pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; mso-bidi-font-family: Arial;"&gt;O problema é, já de si, muito complicado e não tem sido abordado da melhor maneira. Um mundo globalizado como o nosso, globalizado de modo injusto, estruturalmente injusto, &amp;nbsp;as complicações multiplicam-se e parece que cada vez mais vemos neles pessoas ou então pessoas menores porque vêm de outras culturas, que não sendo a nossa , "naturalmente" terão se der inferiores. Viva o etnocentrismo europeu!&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 13pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; mso-bidi-font-family: Arial;"&gt;Aqui deixo um artigo que escrevi para o próximo número da revista Além-Mar&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 13.0pt; mso-outline-level: 2;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; mso-bidi-font-family: Arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 13.0pt; mso-outline-level: 2;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; mso-bidi-font-family: Arial;"&gt;NAFISSATOU DIALLO&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&amp;nbsp;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt;"&gt;Não sei se à leitora ou ao leitor este nome diz alguma coisa. É uma pessoa que nunca &lt;/span&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; mso-bidi-font-family: Tahoma;"&gt;sonhou com a fama. Filha de um comerciante da etnia peule, a maior da Guiné, emigrou com o marido para os Estados Unidos. Divorciada, vive com a filha e ganha a vida a limpar as suites do hotel Sofitel em Nova York. Tem fama de trabalhadora e séria. Uma prima definiu-a como “uma boa muçulmana. Realmente é bonita, como várias mulheres peules, mas não aceitamos esse tipo de &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; mso-bidi-font-family: Tahoma;"&gt;comportamento na nossa cultura. Strauss-Kahn atacou a pessoa errada”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-line-height-alt: 9.2pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; mso-bidi-font-family: Tahoma;"&gt;Agora já estão a perceber quem é. Foi a mulher “anónima” que o ex-d&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; mso-bidi-font-family: Arial;"&gt;irector do FMI, Strauss-Kahn (DSK), na sua busca obsessiva por sexo, perseguiu e violou na suite 2806 do Sofitel. Para ele não foi nenhuma tragédia. Foi mais um pormenor logo esquecido. Além do mais, nunca esperaria que uma reles mulher negra o denunciasse. Lê-se nos jornais que ele tinha já um razoável currículo neste campo. Mas esta é a vantagem dos hotéis.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-line-height-alt: 9.2pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 13px;"&gt;Um quarto de um hotel é uma espécie de “não-lugar”. A sua ocupação esporádica entre os muitos afazeres é um pequeno hiato na vida, que logo se esquece: esquece-se o lugar (não-lugar), esquecem-se as pessoas de que nos servimos (figuras esfumadas na paisagem). São tão anónimos e solitários que nos transportam para um mundo muito diferente do nosso. São, por isso, espaços que facilitam e até convidam à transgressão das regras normais da nossa vida. Foi possivelmente o que se terá passado com DSK. Do alto do seu estatuto social, ainda por cima branco, nunca imaginou que uma humilde serviçal, preta africana, se atrevesse a acusá-lo. Estava fora da sua lógica de poderoso que uma simples camareira, sem estatuto, emigrante, se atrevesse a desafiar o homem omnipotente, que apenas satisfizera as suas “necessidades naturais”, servindo-se do que tinha à mão. Aliás, é bem possível que a mulher não o conhecesse.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-line-height-alt: 9.2pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; mso-bidi-font-family: Tahoma;"&gt;Aquela mulher, contudo, e&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; mso-bidi-font-family: Arial;"&gt;ra apenas uma vítima mais entre tantas outras que DSK fez pelo mundo fora (algumas sexuais mas muitas sócio-económicas) e que são apenas números, sem rosto e sem história, numa estatística dos organismos internacionais que nos governam. Por isso se vestiu calmamente e foi para o aeroporto. O governo do mundo não podia esperar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-line-height-alt: 9.2pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; mso-bidi-font-family: Tahoma;"&gt;As notícias centraram-se no homem, nos trâmites legais, na presunção de inocência, na justificação de amigos, como o respeitado &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; mso-bidi-font-family: Arial;"&gt;Jacques Lang (ex-ministro da cultura) que tudo desdramatizou com um simples "afinal não morreu ninguém". Que importância tem que um “senhor do mundo” deixe psicologicamente destruída uma desconhecida mulher, triplamente pobre: mulher, africana e emigrante? Tão insignificante era “objecto” ideal para todo o serviço.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-line-height-alt: 9.2pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; mso-bidi-font-family: Arial;"&gt;Propositadamente tentei descrever o que se foi escrevendo, sempre centrado no homem, no rico. Mas de Nafissatou, do pobre, quantos falaram? Fiz este exercício para mostrar o que não é a opção pelos pobres que, para os crentes, é a prioridade da atenção, do cuidado, do amor. Mas, para isso,&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; mso-bidi-font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt; temos que olhar a história a partir da situação e da pessoa da vítima. Por isso, Jesus na parábola do rico epulão, não deu nome ao rico, apenas ao pobre, Lázaro. Dar nome a alguém é aceitá-la como pessoa, com um projecto próprio, como construtor da história. Sem esta conversão do ponto de vista, nunca teremos uma sociedade humana onde todos tenham um lugar, possam dar o seu contributo e receber o que lhes pertence dos bens da Terra que “Deus criou para uso de todo o género humano, sem exclui nem privilegiar ninguém” (CA 31).&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-line-height-alt: 9.2pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 13px;"&gt;Nafissatou incarna, no seu sofrimento e humilhação, a Cruz de todos os seres humanos que são violados, vilipendiados e excluídos de um mundo que é tanto seu como nosso. Por isso, somos chamados a ser a voz e a vez das “vítimas da injustiça silenciadas e silenciosas” (JM 20).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-line-height-alt: 9.2pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19736506-8328741782914038948?l=feecompromisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://feecompromisso.blogspot.com/feeds/8328741782914038948/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19736506&amp;postID=8328741782914038948&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19736506/posts/default/8328741782914038948'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19736506/posts/default/8328741782914038948'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://feecompromisso.blogspot.com/2011/06/emigrante-nafissatou-diallo.html' title='A emigrante NAFISSATOU DIALLO'/><author><name>Zé Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12611666981934870239</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19736506.post-8886782809256354098</id><published>2011-06-19T18:29:00.000Z</published><updated>2011-06-19T18:29:14.589Z</updated><title type='text'>Deus compassivo e clemente</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 16px; line-height: 18px;"&gt;O Antigo Testamento é atravessado por várias concepções de Deus: umas terríveis e inaceitáveis para a nossa sensibilidade, mesmo não cristã; outras libertadoras de quem está sempre atento ao clamor dos mais débeis e toma a sua defesa e lhes oferece a libertação. Mas esta que refere hoje a Liturgia da Palavra, aborda a sua essência, a sua “maneira de ser”, a sua natureza, com as palavras que as nossas limitações humanas podem utilizar para descrever o Indiscritível: “compassivo e clemente, sem pressa para se indignar, cheio de misericórdia e fidelidade, que mantém a sua graça até à milésima geração, que perdoa a iniquidade, a rebeldia e o pecado” (Ex 34, 6-7). Como na eternidade não há tempo, “sem pressa” só poderá significar “nunca”, pois é a pressa que nos transporta do presente para o futuro. Compassivo, isto é, que se compadece, que “sofre” connosco, que sente as nossas tristezas e alegrias, as nossas vitórias e os nossos fracassos. E perante essas nossas realidades ele é clemente: tudo perdoa, “tudo desculpa, tudo espera, tudo suporta”, as características com que S. Paulo define a caridade, o amor (1Cor 13,7).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 115%;"&gt;Por outro lado, Deus aparece descrito como uma &lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;nuvem&lt;/b&gt;, algo indefinido, que cobre e descobre, que engloba e que tapa a visão. Linda imagem para descrever o mistério de Deus. Deus sempre será um mistério, o Grande Mistério, que nós nunca poderemos compreender em toda a sua plenitude, porque é infinito. Mas sabemos que esse infinito é compassivo e clemente, infinitamente compassivo e infinitamente clemente. A imagem da nuvem é muito bonita. Eu sei que há as teorias todas sobre cúmulos, nimbos, cirros, que explicam o mecanismo e a natureza das várias formas de nuvens. Mas isso é compreender, é um mero exercício intelectual. Mas as nuvens, eu posso e gosto muito de contemplar sem saber nada dessas teorias. Deus não é para mim um exercício intelectual (eu até sou herético porque me marimbo para as cinco vias (intelectuais) para fundamentar a existência de Deus). Para mim, Deus é um exercício contemplativo, algo de muito místico. Como sou um fraco crente não terei chegado ainda ao primeiro degrau dos muitos que só os místicos e os monásticos primitivos conseguem percorrer: os vários graus de compunção (&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;catányxis&lt;/i&gt; ou &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;penthos&lt;/i&gt;) do coração, a renúncia radical (&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;apótaxis&lt;/i&gt;) material e espiritual, a secessão (&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;anachóresis&lt;/i&gt;) como desejo de obter a salvação fora do mundo corrompido (este degrau não o quero subir!), que pode chegar ao “deserto absoluto (&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;panéremos&lt;/i&gt;), o exílio voluntário para terras desconhecidas (&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;xeniteia&lt;/i&gt;) como abandono da minha situação física que pode conduzir à tranquilidade (&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;hesychía&lt;/i&gt;), a vivência num espaço reduzido e despido de adereços (&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;stenochoría&lt;/i&gt;) a antítese da nossa sociedade de consumo. Depois ainda vêm os vários graus da “ascensão espiritual”, o longo e esforçado caminho da perfeição até chegarmos à “noite escura” profunda resultante do intenso brilho de Deus que cegou os santos como João da Cruz ou Teresa de Calcutá. Mas já estou farto de falar de coisas que não conheço e cujos termos gregos, entre parênteses, nada me dizem, mas que G.M. Colombás explica e analisa no seu livro de quase oitocentas páginas, &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;El monacato primitivo&lt;/i&gt;. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 115%;"&gt;Não compreendo, mas gosto de contemplar. Contemplo e essa contemplação enche-me de vida, de fé, de esperança, de amor… às vezes, poucas vezes, porque sou um “homem de pouca fé”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 115%;"&gt;É por isso que a segunda Leitura nos convida: “sede alegres, trabalhai pela vossa perfeição, animai-vos uns aos outros, tende os mesmos sentimentos, vivei em paz e o Deus do amor e da paz estará convosco” (2Cor 13,11). Ter os mesmos sentimentos não é um exercício de “carneirada”; é ter as mesmas atitudes interiores com que descrevemos o nosso Deus – compassivo e clemente, lento na indignação, misericórdia e fidelidade – e vivê-las cada um à sua maneira, com as suas sensibilidades, emoções, sentimentos, vontades, intelectualidades. Mas sem viver aquelas atitudes interiores nunca seremos cristãos, dignos de ser chamados discípulos de Cristo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 115%;"&gt;E tudo isto acontece e tudo isto nos é exigido porque “Deus amou de tal maneira (com tanta intensidade) o mundo que lhe entregou o seu Filho Unigénito para que todo o que nele acreditar não pareça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus não enviou o seu Filho ao mundo para o condenar, mas para que o mundo fosse salvo por Ele” (Jo 3,16-17). Um Deus compassivo e clemente nunca pode condenar ninguém. Seria renegar a sua essência, a sua maneira de ser. Deus só pode ser amor, bondade e compaixão. Se não o for, não será Deus. Será uma máscara de Deus, que pode ser adorado e até amado, mas que por detrás da máscara nada tem: é o vazio dos nossos muitos ídolos que não só têm pés de barro como não têm coração nem entranhas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 115%;"&gt;E para fechar com uma “chave de ouro” esta reflexão de “latão” basta voltar à segunda Leitura: “A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus (Pai) e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos nós” (2Cor 13,13)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 115%;"&gt;Ámen!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19736506-8886782809256354098?l=feecompromisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://feecompromisso.blogspot.com/feeds/8886782809256354098/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19736506&amp;postID=8886782809256354098&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19736506/posts/default/8886782809256354098'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19736506/posts/default/8886782809256354098'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://feecompromisso.blogspot.com/2011/06/deus-compassivo-e-clemente.html' title='Deus compassivo e clemente'/><author><name>Zé Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12611666981934870239</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19736506.post-4233467809653010787</id><published>2011-06-12T23:30:00.000Z</published><updated>2011-06-12T23:30:14.302Z</updated><title type='text'>Pentecostes</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;1. Páscoa e Pentecostes&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Antigamente era como se a Páscoa e o Pentecostes (do grego, quinquagésimo (dia)) fosse tudo Páscoa. "O tempo pascal era um período de cinquenta dias que começava no domingo da ressurreição: todos os dias tinham o mesmo valor e a mesma função. Por várias circunstâncias, pouco a pouco, foram-se autonomizando várias festas. Talvez, por influência do relato dos Actos dos Apóstolos, o quinquagésimo dia configurou-se como a descida do Espírito Santo (com a sua vigília, na qual, a partir do século IV, se celebravam os baptismos) e o quadragésimo dia como a Ascensão de Jesus aos céus. Seguindo o exemplo das festas judaicas e seguindo a lógica da iniciação cristã (tempo da “mistagogia”, o último tempo da caminhada catecumenal da iniciação cristã), a Páscoa passou a ter a sua oitava. Por tudo isto, o carácter unitário deste tempo litúrgico, claríssimo na sua origem, não se manteve com nitidez no decorrer dos séculos; em particular a progressiva autonomia das diversas celebrações e a ampliação do Pentecostes, com uma oitava pouco lógica, são os sintomas mais evidentes disso" (Brovelli).&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Apesar dessa autonomização, o Pentecostes é o corolário da Páscoa. Faltava qualquer coisa depois da Ressurreição, pois Jesus prometera na Última Ceia: “Não vos deixarei órfãos; Eu voltarei a vós. Fui vos revelando estas coisas enquanto tenho permanecendo convosco. Mas o Paráclito, o espírito santo que o Pai enviará em meu nome, esse é que vos ensinará tudo e há-de recordar-vos tudo o que Eu vos disse” (Jo 14,18.25-26).&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Portanto, é o Paráclito, o Espírito Santo que nos fará compreender tudo, melhor, ir compreendendo tudo o que Jesus nos disse. Sem o Paráclito, o Pentecostes, a Páscoa não estaria completa. Por isso, diz a segunda leitura: “quero que saibais que ninguém pode dizer “Jesus é o Senhor” senão pelo Espírito Santo” (1Cor 12,3).&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-IyLt8-6iZ08/TfVKPv11GyI/AAAAAAAACnk/XAkIvmn6RZg/s1600/Esp%25C3%25ADritoSantoDescida+MiniaturaHorasTurim-Mil%25C3%25A3o.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="640" src="http://2.bp.blogspot.com/-IyLt8-6iZ08/TfVKPv11GyI/AAAAAAAACnk/XAkIvmn6RZg/s640/Esp%25C3%25ADritoSantoDescida+MiniaturaHorasTurim-Mil%25C3%25A3o.jpg" width="516" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://www.30giorni.it/articoli_id_10923_l6.htm"&gt;Descida do Espírito Santo (Miniatura do livro das Horas Turim-Milão; séc. XV)&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;2. A “liberdade” do Espírito Santo&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;O Espírito Santo foi muito esquecido, eu diria até, muito “maltratado” pela Igreja católica do Ocidente (Roma). É que o Espírito Santo é “perigoso” por várias razões.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;1) Porque é a Anarquia em estado puro, divino. Ele “sopra onde e quando quer e tu ouves a tua vós mas não sabes de onde vem nem para onde vai” (Jo 3,8). Assim quem o pode controlar. Qual a instituição, por mais organizada que seja, que pode pôr-lhe talas e marcar-lhe o caminho? Quantas vezes não têm a Igreja a tentação (inconsciente!?) de O pôr ao seu serviço? &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Apetece-me citar a parte final do “Cântico negro” de José Régio:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Ninguém me peça definições!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Ninguém me diga: "vem por aqui"!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;A minha vida é um vendaval que se soltou,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;É uma onda que se alevantou,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;É um átomo a mais que se animou...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Não sei por onde vou,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Não sei para onde vou&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Sei que não vou por aí!&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;2) Porque, como proclamou o Vaticano II, “o Espírito Santo suscita, de muitos modos, na Igreja de Deus, o espírito missionário, e não poucas vezes se anteceda à acção dos que governam a vida da Igreja” (AdG 29). O Espírito não espera pelos governantes da Igreja, pois é Ele que “dirige o curso dos tempos e renova a face da terra” (GS 26). Se os responsáveis e os seus membros se distraem e não acompanham o curso da história, o Espírito não se preocupa e vai socorrer-se de outros, que não sendo oficialmente cristãos, estão mais disponíveis para estar ao seu serviço e realizar aquilo que faz parte do Seu programa. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Mas também não espera pelos cristãos bem comportados que procuram ter bem organizados e sempre impecáveis todos os serviços e actividades pastorais mas não têm um ponta de criatividade, sempre receosos de não estarem a ser fiéis às instruções superiores, em quem delegam a decisão de toda a sua actividade eclesial e sobretudo cívica. Esquecem a recomendação do Vaticano II (ou será que alguma vez a leram?): “As tarefas e actividades seculares competem como próprias, embora não exclusivamente, aos leigos. Por esta razão, sempre que, sós ou associados, actuam como cidadãos do mundo, não só devem respeitar as leis próprias de cada domínio, mas procurarão alcançar neles uma real competência. Cooperarão de boa vontade com os homens que prosseguem os mesmos fins. Reconhecendo quais são as exigências da fé, e por ela robustecidos, não hesitem, quando for oportuno, em tomar novas iniciativas e em levá-las a realização. Compete à sua consciência previamente bem formada, imprimir a lei divina na vida da cidade terrestre. Dos sacerdotes, esperem os leigos a luz e força espiritual. Mas não pensem que os seus pastores estão sempre de tal modo preparados que tenham uma solução pronta para qualquer questão, mesmo grave que surja, ou que essa seja a sua missão. Antes, esclarecidos pela sabedoria cristã, e atendendo à doutrina do magistério, tomem por si mesmos as próprias responsabilidades” (GS 43).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;3) Porque unge “a totalidade dos fiéis que (por isso) não pode enganar-se na fé; e esta sua propriedade peculiar manifesta-se por meio do sentir sobrenatural da fé do povo todo, quando este, «desde os Bispos até ao último dos leigos fiéis», manifesta consenso universal em matéria de fé e costumes. Com este sentido da fé, que se desperta e sustenta pela acção do Espírito de verdade, o Povo de Deus, sob a direcção do sagrado magistério que fielmente acata, já não recebe simples palavra de homens mas a verdadeira palavra de Deus, adere indefectivelmente à fé uma vez confiada aos santos, penetra-a mais profundamente com juízo acertado e aplica-a mais totalmente na vida.” (LG 12). É a totalidade dos fiéis que deve, portanto, contribuir para a edificação da Igreja e para a obtenção de um “consenso universal em matéria de fé e costumes”. Todos, pela graça do Baptismo e da Confirmação, que nos vem do Espírito Santo, somos chamados a dar o nosso contributo “único e irrepetível” para ajudar a Igreja a testemunhar uma imagem cada vez mais perfeita do Pai. Todos somos chamados, até porque todos vivemos em diferentes situações – e todas as situações da vida são local de salvação –, a partilhar a nossa experiência num diálogo dialéctico com o Magistério e com os teólogos e pastoralistas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;4) Porque “não faz acepção de pessoas” (Act 10,34), todas, independentemente da sua cor, cultura, religião, são sempre bem acolhidas. Apenas se lhes exige que amem, que amem gratuitamente, que vejam no outro, especialmente o mais débil, o verdadeiro rosto de Jesus, de Deus. Não é preciso ser crente para se salvar. As portas do Reino de Deus exigem apenas duas condições para se abrir:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;- dar prioridade ao outro na nossa prática de vida: são os que dão de comer, de beber, de vestir, os que visitam os doentes e os reclusos os únicos que entram no Reino dos Céus (Mt 25,40) e não os que continuamente “dizem “Senhor, Senhor” mas não cumprem a vontade de meu Pai” (Mt 7,21) “nem os que profetizam, expulsam os demónios e fazem milagres” (Mt 7,22), nem os que carregam sucessivas oferendas para o altar mas não estão em paz com os seus irmãos (Mt 5,23-24);&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;- ser como criança na nossa atitude perante Deus: “Em verdade vos digo: quem não receber o Reino de Deus como um pequenino, não entrará nele” (Mc 10,15), porque “quem receber um menino como este é a Mim que recebe” (Mt 18,5).&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-6blc_aNlIqw/TfVLk0psdpI/AAAAAAAACno/lBQL6Z7u1hg/s1600/Esp%25C3%25ADritoSantoDescida.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="640" src="http://2.bp.blogspot.com/-6blc_aNlIqw/TfVLk0psdpI/AAAAAAAACno/lBQL6Z7u1hg/s640/Esp%25C3%25ADritoSantoDescida.jpg" width="456" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://marcosfrater.blogspot.com/2010_05_01_archive.html"&gt;Descida do Espírito Santo&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;3. Pentecostes modelo para uma Globalização mais humana&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-family: Tahoma;"&gt;Vou servir-me de uma ideia já antiga da Comissão Justiça e Paz francesa apresentada na sua avaliação ética sobre a Globalização(1999).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-family: Tahoma;"&gt;Os cristãos encontram-se entre os mais antigos “mundialistas” pelo que não têm nenhuma razão para se angustiarem perante um mundo novo que nasce, nem para fugirem à mundialização em curso ou para a rejeitarem &lt;st1:personname productid="em bloco. Pelo" w:st="on"&gt;em  bloco. Pelo&lt;/st1:personname&gt; contrário, devem assumir um papel importante e até decisivo na sua orientação para uma efectiva unidade das pessoas e dos povos no respeito pela sua diversidade: a unidade não é uniformidade mas sempre pluralidade, diferenciação dos sujeitos, comunicação entre eles.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-family: Tahoma;"&gt;Os episódios bíblicos da torre de Babel (Gn 11,1-9) e do Pentecostes (Act 2,1-13) tipificam dois modelos de universalismo, que têm em comum o facto de envolverem e unirem todas as pessoas e povos, mas assentam em diferentes concepções de unidade:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-family: Tahoma;"&gt;- na &lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;Torre de Babel&lt;/b&gt;, a unidade reduz as diversidades humanas a uma única situação (&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;todos falam uma mesma língua e todos constroem uma mesma obra&lt;/i&gt;): trata-se, portanto, de uma uniformidade totalitária que não distingue a Terra do Céu (é o que significa a metáfora da torre) e ignora a diversidade dos participantes; no limite, conduz à negação do sujeito e tem como consequência não só a dispersão das pessoas em vez da sua união mas também a impossibilidade de comunicarem em vez de se entenderem;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-family: Tahoma;"&gt;- no &lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;Pentecostes&lt;/b&gt;, a unidade apoia-se na diversidade e na diferenciação dos sujeitos e na sua autonomia (&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;cada um ouve a Palavra de Deus na sua língua&lt;/i&gt;): é, portanto, uma unidade (&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;todos são capazes de entender&lt;/i&gt;) que respeita e valoriza a diversidade de cada pessoa e de cada povo (&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;na sua própria língua&lt;/i&gt;) e que permite que cada um entenda e se possa abrir aos outros sem deixar de ser ele próprio numa perspectiva de unidade orientada para o desenvolvimento autêntico de todos os homens e do homem todo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19736506-4233467809653010787?l=feecompromisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://feecompromisso.blogspot.com/feeds/4233467809653010787/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19736506&amp;postID=4233467809653010787&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19736506/posts/default/4233467809653010787'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19736506/posts/default/4233467809653010787'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://feecompromisso.blogspot.com/2011/06/pentecostes.html' title='Pentecostes'/><author><name>Zé Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12611666981934870239</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-IyLt8-6iZ08/TfVKPv11GyI/AAAAAAAACnk/XAkIvmn6RZg/s72-c/Esp%25C3%25ADritoSantoDescida+MiniaturaHorasTurim-Mil%25C3%25A3o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19736506.post-8266794220851663362</id><published>2011-06-11T12:31:00.002Z</published><updated>2011-06-11T12:31:45.409Z</updated><title type='text'>Está a nossa sociedade preparada para as crianças?</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 16px; line-height: 18px;"&gt;Vivemos numa sociedade em que sentimos que cada vez menos se valoriza e considera a pessoa, seja ela qual for. Mas há faixas etárias mais ignoradas: os idosos, apesar do seu muito saber de experiência feito já não têm qualquer estatuto e as crianças, a quem ninguém dá o estatuto devido. Algumas são verdadeiramente amadas pelos pais e tenho a sensação de que são cada vez mais; outras são compradas pelos pais sobretudo quando estão divorciadas. Mas quando olhamos para a nossa legislação vemos que não há grande consideração legal por elas. Outros valores mais altos se “alevantam”, como aliás referia o artigo que aqui reproduzi no último &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;post&lt;/i&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 115%;"&gt;Falta referir o outro colectivo – os jovens licenciados – que andam por aí a poluir esquinas porque não há espaço para eles. Mas aqui, também quero fazer uma ressalva. É evidente que o nosso ensino não estimula a criatividade nem a capacidade de arriscar nem utiliza o velho método socrático – a arte maiêutica – que consistia em fazer desabrochar, dar à luz (a sua mãe era parteira) os muitos talentos em potência que os jovens têm e só esperam por ser estimulados e trazidos à luz do dia. Dito isto e reconhecida esta dificuldade quase congénita, também verificamos que muitos ficam de braços cruzados à espera que a banana lhes caía da bananeira. Conheço alguns que se atiraram para a frente, puxaram pelos seus galões, tomaram a iniciativa, sonharam projectos, converteram-nos em realidade concreta, tiveram dificuldades, mas a maior parte singra na vida e até, com meia dúzia de amigos, estão a exportar o produto do seu trabalho.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 115%;"&gt;Mas voltemos às crianças. Aqui deixo o meu último artigo, onde desafio a sociedade e a Igreja a tomarem a sério as crianças.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; mso-outline-level: 1; tab-stops: -1.0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 115%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;TODA A CRIANÇA É PESSOA&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; tab-stops: -1.0cm; text-align: justify; text-indent: 22.7pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-weight: bold; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;Nesta última semana em que a cavalgada eleitoral trouxe a alguns as últimas alegrias antes de entráramos na real realidade dura e violenta que nos espera, aconteceu, como por acaso, o Dia da Criança. Das várias iniciativas, queria destacar a criação, por especialistas em direito da família, de uma&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 115%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt; associação inédita para dar voz às crianças na barra dos tribunais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; tab-stops: -1.0cm; text-align: justify; text-indent: 22.7pt;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 115%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;Congratulo-me vivamente com esta iniciativa, pois tenho a sensação, como muitos outros, que as crianças não estão na primeira linha das opções, mesmo jurídicas, muito mais preocupadas em defender o direito dos pais, em “fazer variações” sobre o direito paternal, a responsabilidade parental, a guarda parental, em guiar-se pelas emoções na luta entre os pais biológicos e os pais adoptivos, os longos e imorais processos de adopção, a custódia de filhos de casamentos entre pessoas de diferentes nacionalidades que entretanto se divorciam ou fogem com os filhos, um direito que parece favorecer quem adopta, mas ignora quem devia ser adoptado. Uma salgalhada legislativa que nunca honra a criança. Por isso, bem-vindo seja um Código da Criança, que pense prioritariamente na criança, no seu bem, nos seus interesses, já que, pelo que se li na altura, tal Código não existe, no ordenamento jurídico português.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; tab-stops: -1.0cm; text-align: justify; text-indent: 22.7pt;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 115%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;Depois há a própria (in)sensibilidade dos pais que se divorciam e para quem as crianças são um encargo de que se devem desfazer ou um troféu por que devem lutar até à morte. Encargo ou troféu que não são coisas, mas pessoas com igual dignidade dos pais e com igual ou maior direito a serem defendidos pela sociedade de um conjunto de egoístas, que convocam testemunham, pagam bem a advogados para ganhar em termos de propriedade. Como denuncia um advogado: "Há testemunhas dos pais e das mães, mas quem é a voz da criança? É preciso uma participação maior do menor, quer de forma directa, através da sua audição em tribunal, quer através das pessoas que estão em contacto com ela, como professores ou educadores". Depois vemos movimentos tipos Pró-Vida, para quem a vida, por vezes, parece só ter valor na “barriga da mãe”. Desde que saiam “cá para fora”, o resto seja o que Deus quiser.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; tab-stops: -1.0cm; text-align: justify; text-indent: 22.7pt;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 115%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;Trata-se no fundo de continuar uma longa tradição melhorada lentamente. A mentalidade greco-romana dava o poder absoluto ao pai, que dispunha até da vida dos filhos. Não fora a sua necessidade para garantir a continuação da espécie possivelmente eram todos eliminados. A cultura judaica, embora considerassem os filhos uma bênção de Deus, não lhe atribuía nenhuma importância social nem sequer religiosa, a não ser para algum sacrifício de fundação do Templo, como os filhos de Hilel em Jericó &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 115%;"&gt;(1Rs 16,34) ou para garantir a sobrevivência do trono como o filho do rei Acab que, quando subiu ao trono, “imitando o comportamento de outros reis de Israel, sacrificou o seu filho na fogueira, conforme os costumes abomináveis das nações que o Senhor expulsara diante dos israelitas” (2Rs 16,2-3). Não seria a regra geral, mas o que é certo é que Deus teve que pôr cobro a essa situação dos pais sacrificarem os filhos, como mostra o episódio de Abraão e Isaac (Gn 22,13).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 22.7pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 115%;"&gt;Jesus introduziu uma verdadeira ruptura no modo como entender as crianças. “Quem não receber o reino dos céus como uma criança não entrará nele” (Mc 10,15). Portanto, as crianças são o modelo, indicam o modo como cada cristão pode entrar no Rein&lt;span style="mso-bidi-font-weight: bold;"&gt;o de Deus. Não porque as crianças possam assumir propositadamente uma posição a favor do Reino, mas porque diante do Deus só o estado de “menoridade” é que conta. É este aspecto que Jesus quer destacar: como o Reino de Deus é graça (gratuidade&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;)&lt;/i&gt; é dom, só as crianças têm um coração suficientemente livre para acolher o gratuito. Como o Reino de Deus nunca é “merecido”, isto é, não depende dos nossos méritos, só um coração de criança é capaz de o acolher sem reservas nem condições. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 22.7pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-weight: bold;"&gt;É esta disponibilidade que os torna não só capazes de entrar no Reino de Deus mas também de receber a revelação de Deus: “&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 115%;"&gt;Bendigo-te, ó Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelastes aos pequeninos” (Lc 10,21). &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 22.7pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 115%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;Ora, como aconteceu por vezes, a própria Igreja preferiu às palavras de Jesus as recomendações dos “códigos domésticos” das Epístolas, que &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 115%;"&gt;exortam as crianças a obedecerem aos pais e os pais a não provocarem a ira de seus filhos (por ex., Col 3.20-21; Ef 6.1-4), parecendo esquecer que &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 115%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;Deus as ama especialmente e que as devemos acolher como acolhemos Deus: “Quem acolhe uma criança a Mim acolhe”. É urgente retomar &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 115%;"&gt;a radicalidade do ensino de Jesus. As crianças não estão apenas subordinadas aos adultos, partilham com eles a sua vida e a sua fé; não devem ser apenas formadas, mas imitadas; não são apenas ignorantes, mas capazes de discernimento espiritual; não são “apenas” crianças, mas representantes de Cristo. “O que torna o desafio tão difícil é que Jesus requer a mudança não apenas da forma como os adultos se relacionam com as crianças, mas do modo como concebemos nosso mundo social. Ele não apenas ensinou como fazer um mundo adulto mais justo e agradável para as crianças; ele também ensinou o nascimento de um mundo social em parte definido e organizado em relação às crianças. Ele pôs em julgamento o mundo adulto porque não é o mundo das crianças” (Gundry-Volf)&lt;/span&gt;&lt;u&gt;&lt;span style="color: #5e5b5b; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 115%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 115%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="newsp1" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19736506-8266794220851663362?l=feecompromisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://feecompromisso.blogspot.com/feeds/8266794220851663362/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19736506&amp;postID=8266794220851663362&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19736506/posts/default/8266794220851663362'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19736506/posts/default/8266794220851663362'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://feecompromisso.blogspot.com/2011/06/esta-nossa-sociedade-preparada-para-as.html' title='Está a nossa sociedade preparada para as crianças?'/><author><name>Zé Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12611666981934870239</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19736506.post-5206243846278273783</id><published>2011-06-01T23:16:00.000Z</published><updated>2011-06-01T23:16:59.014Z</updated><title type='text'>Dizem que 1 de Junho é o Dia da Criança</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Não consigo deixar de escrever três notas: duas negativas e uma positiva.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="mso-ascii-font-family: Calibri; mso-ascii-theme-font: minor-latin; mso-hansi-font-family: Calibri; mso-hansi-theme-font: minor-latin;"&gt;1. O vídeo da violência&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-ascii-font-family: Calibri; mso-ascii-theme-font: minor-latin; mso-hansi-font-family: Calibri; mso-hansi-theme-font: minor-latin;"&gt;Passei uns dias no hospital, onde os doentes não dispensam a TVI o dia todo e, embora me tenha refugiado nalguma leitura e na preparação de uns apontamentos que me pediram, ia ouvindo (ainda bem que o som estava baixo e eu ouço mal) coisas muito apropriadas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-ascii-font-family: Calibri; mso-ascii-theme-font: minor-latin; mso-hansi-font-family: Calibri; mso-hansi-theme-font: minor-latin;"&gt;Embora não sejam propriamente crianças (não sei bem qual é a idade em que deixa de se ser considerado criança), a TVI (e nas outras não deve ter sido muito diferente) passou em programas de entretenimento e no Telejornal várias vezes aquele vídeo famoso – que já deve ter corrido o mundo inteiro espalhando o nosso bom nome – a mostrar miúdas a pontapear uma colega enquanto o fotógrafo machão registava tudo com o devido pormenor. Que o idiota deste fotógrafo se divirta com estas imagem em vez de acabar com aquela barbaridade é já de uma gravidade indescritível, mas que uma TV explore o tema, repetindo, repetindo, repetindo, repetindo até à exaustão aquele espectáculo, o mínimo que merecia era que os cidadãos fizessem tudo para acabar com esta canalhada. Não encontro palavras para classificar a imoralidade de quem manda passar aquilo. Faca e alguidar é o que dá, não é meus senhores? Pensaram, ao menos, um segundo, no exemplo que estão a dar a meia dúzia de miúdos desequilibrados e que com esse vosso esforço e dedicação, não tardarão muito a repetir a cena? &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;Mas vocês e&lt;/span&gt;stão lá preocupados com isso. O que é preciso é audiência. E como parece que somos um povo de papalvos, apenas preocupados com o pão e o circo, está tudo de acordo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-ascii-font-family: Calibri; mso-ascii-theme-font: minor-latin; mso-hansi-font-family: Calibri; mso-hansi-theme-font: minor-latin;"&gt;EU NÂÂÂÔOOOO!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="mso-ascii-font-family: Calibri; mso-ascii-theme-font: minor-latin; mso-hansi-font-family: Calibri; mso-hansi-theme-font: minor-latin;"&gt;2. Os dinheiros do TGV&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-ascii-font-family: Calibri; mso-ascii-theme-font: minor-latin; mso-hansi-font-family: Calibri; mso-hansi-theme-font: minor-latin;"&gt;Também assisti a um anúncio muito colorido, este com criancinhas, em que uma delas diz qualquer coisa relacionada com o que se poderia fazer se se usasse o dinheiro do TGV para outros fins. Não ouvi bem, mas pareceu-me que a criancinha até estava a dizer uma verdade que é necessário denunciar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-ascii-font-family: Calibri; mso-ascii-theme-font: minor-latin; mso-hansi-font-family: Calibri; mso-hansi-theme-font: minor-latin;"&gt;Mas uma criança, Senhor! Quem é que lhe encomendou o sermão? Tem medo de dar a cara? Não me admiraria nada numa sociedade de não cidadãos onde proliferam cobardes que só falam pelas costas e estão sempre a “engraixar” o chefe que detestam mas com quem estar bem!&amp;nbsp;&lt;/span&gt;Usar crianças para reclames destes? Ao que nós chegámos!&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-ascii-font-family: Calibri; mso-ascii-theme-font: minor-latin; mso-hansi-font-family: Calibri; mso-hansi-theme-font: minor-latin;"&gt;Mas eu quero denunciar sobretudo toda a crescente exploração das crianças no campo da publicidade. Qualquer dia, destronam as “boazonhas” quase despidas e também alguns “bonzões”, que aparecem em qualquer produto tenha ou não a ver com a beleza exterior.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-ascii-font-family: Calibri; mso-ascii-theme-font: minor-latin; mso-hansi-font-family: Calibri; mso-hansi-theme-font: minor-latin;"&gt;Estamos numa desmoralização tal que até as crianças estamos a conspurcar, certamente com o aplauso dos papazinhos e mamãzinhas que devem receber “algum” e sobretudo vêm os seus lindos meninos na televisão. Que felicidade lá em casa ver as vedetas, escravos da ganância dos publicitários e da imoralidade dos pais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-ascii-font-family: Calibri; mso-ascii-theme-font: minor-latin; mso-hansi-font-family: Calibri; mso-hansi-theme-font: minor-latin;"&gt;Como é possível chegarmos a este ponto e não gritarmos BASTA! Deixem as crianças ser crianças, deixem-nas crescer normalmente, ajudem-nas a desenvolver as suas qualidades naturais, mas não façam delas objectos de exploração comercial.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="mso-ascii-font-family: Calibri; mso-ascii-theme-font: minor-latin; mso-hansi-font-family: Calibri; mso-hansi-theme-font: minor-latin;"&gt;3. Associação de Advogados para defender as crianças&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-ascii-theme-font: minor-latin; mso-bidi-font-family: Arial; mso-bidi-font-weight: bold; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT; mso-hansi-font-family: Calibri; mso-hansi-theme-font: minor-latin;"&gt;Citação literal do &lt;b&gt;jornal i&lt;/b&gt; de 1.Junho.2011&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-ascii-theme-font: minor-latin; mso-bidi-font-family: Arial; mso-bidi-font-weight: bold; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT; mso-hansi-font-family: Calibri; mso-hansi-theme-font: minor-latin;"&gt;Cinco advogados especialistas em Direito da Família fundaram associação inédita para dar voz às crianças na barra dos tribunais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-ascii-theme-font: minor-latin; mso-bidi-font-family: Arial; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT; mso-hansi-font-family: Calibri; mso-hansi-theme-font: minor-latin;"&gt;É uma associação dedicada à&amp;nbsp;&lt;span style="mso-bidi-font-weight: bold;"&gt;protecção das crianças&lt;/span&gt;, mas dentro dos tribunais. Um grupo de advogados especialistas em&amp;nbsp;&lt;span style="mso-bidi-font-weight: bold;"&gt;Direito da Família&lt;/span&gt;&amp;nbsp;juntou-se para criar um organismo de defesa dos direitos da criança.&amp;nbsp;&lt;span style="mso-bidi-font-weight: bold;"&gt;Rui Alves Pereira&lt;/span&gt;,&amp;nbsp;&lt;span style="mso-bidi-font-weight: bold;"&gt;Alexandre de Sousa Machado&lt;/span&gt;,&amp;nbsp;&lt;span style="mso-bidi-font-weight: bold;"&gt;Rita Sassetti&lt;/span&gt;,&amp;nbsp;&lt;span style="mso-bidi-font-weight: bold;"&gt;Leonor Vicente Ribeiro&lt;/span&gt;&amp;nbsp;e&amp;nbsp;&lt;span style="mso-bidi-font-weight: bold;"&gt;Cristina de Sousa&lt;/span&gt;&amp;nbsp;querem envolver magistrados, professores, psicólogos e pais numa organização "inédita" em Portugal, que garanta a defesa dos menores diante da Justiça. "Porque, por vezes, a legislação protege mais os pais do que as crianças", justifica Rui Alves Pereira.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-ascii-theme-font: minor-latin; mso-bidi-font-family: Arial; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT; mso-hansi-font-family: Calibri; mso-hansi-theme-font: minor-latin;"&gt;A primeira batalha da&lt;span style="mso-bidi-font-weight: bold;"&gt;&amp;nbsp;associação&lt;/span&gt;&amp;nbsp;- que já tem nome mas ainda está a aguardar confirmação de registo - será pela criação de um Código da Criança. Um documento que, explica o advogado, não existe no ordenamento jurídico português e serviria para congregar toda a legislação referente aos menores. "Enquanto advogados apercebemo-nos que há pessoas que não têm noção de toda a legislação, porque o que existe são decretos--lei avulsos", diz. Outro dos objectivos será promover conferências e debates - envolvendo profissionais das várias áreas ligadas às crianças - para reflectir sobre matérias jurídicas que levantem dúvidas, como a guarda conjunta, exemplifica o advogado. "Tem havido alguma confusão depois de, em 2008, se ter deixado de falar em poder paternal ou guarda para se passar a falar em responsabilidades parentais", diz Rui Alves Pereira. "Confunde-se responsabilidade parental conjunta com guarda conjunta, quando não é isso que resulta da lei. É uma questão controversa que está a preocupar juízes, procuradores e advogados", garante o advogado. Reflectir antecipadamente sobre estas questões é "fundamental, antes que qualquer dia, por força de um decreto, se imponha uma decisão desse género a uma criança, sem se saber se é o mais acertado", acrescenta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-ascii-theme-font: minor-latin; mso-bidi-font-family: Arial; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT; mso-hansi-font-family: Calibri; mso-hansi-theme-font: minor-latin;"&gt;O rapto internacional de crianças ou a alteração de residência do progenitor que detém a guarda do menor são outros assuntos a pedir debate. "O número de casamentos entre pessoas de nacionalidades diferentes está a aumentar e há casos em que depois do divórcio o membro do casal que detém a guarda dos filhos quer regressar ao seu país, o que levanta muitas questões jurídicas", sublinha Rui Alves Pereira.&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-ascii-theme-font: minor-latin; mso-bidi-font-family: Arial; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT; mso-hansi-font-family: Calibri; mso-hansi-theme-font: minor-latin;"&gt;O número crescente de divórcios também preocupa os advogados. "Importa mostrar à sociedade e aos pais que não podem confundir os papéis de marido e mulher com o de progenitores. Há pais que partem para o litígio sem compreenderem o que isso faz aos filhos. O casal acha que se assumir determinados comportamentos está a atingir a outra parte, mas está é a atingir a criança", avisa o advogado, que defende uma participação maior dos menores nos tribunais. "Há testemunhas dos pais e das mães, mas quem é a voz da criança? É preciso uma participação maior do menor, quer de forma directa, através da sua audição em tribunal, quer através das pessoas que estão em contacto com ela, como professores ou educadores", defende.&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-ascii-theme-font: minor-latin; mso-bidi-font-family: Arial; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT; mso-hansi-font-family: Calibri; mso-hansi-theme-font: minor-latin;"&gt;A associação de advogados deve começar a trabalhar "em breve", remata Rui Alves Pereira.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-ascii-theme-font: minor-latin; mso-bidi-font-family: Arial; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT; mso-hansi-font-family: Calibri; mso-hansi-theme-font: minor-latin;"&gt;APPLLLAAAAUUUUUDDDDDDOOOOOOOO!!!!!!!!!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19736506-5206243846278273783?l=feecompromisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://feecompromisso.blogspot.com/feeds/5206243846278273783/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19736506&amp;postID=5206243846278273783&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19736506/posts/default/5206243846278273783'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19736506/posts/default/5206243846278273783'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://feecompromisso.blogspot.com/2011/06/dizem-que-1-de-junho-e-o-dia-da-crianca.html' title='Dizem que 1 de Junho é o Dia da Criança'/><author><name>Zé Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12611666981934870239</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19736506.post-2869807227923006866</id><published>2011-05-11T23:50:00.000Z</published><updated>2011-05-13T20:43:46.957Z</updated><title type='text'>SERMOS UNS COM OS OUTROS</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 42.55pt; mso-outline-level: 1; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Segoe UI&amp;quot;; mso-bidi-font-weight: bold; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;Depois da minha parábola de Auschewitz, pareceu-me que seria oportuno referir um outro aspecto que marca a nossa mentalidade e que arranquei (intelectualmente!!!) as suas raízes na nossa herança grega. Não sei se tem alguma razão de ser este meu raciocínio até porque somos um povo velho onde se cruzam múltiplas influências e se guardam cicatrizes de muitas feridas mal curadas e de muitas vitórias deixadas a meio.&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 42.55pt; mso-outline-level: 1; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Segoe UI&amp;quot;; mso-bidi-font-weight: bold; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;Apesar de tudo gosto de ser português, mesmo com os nossos defeitos (até porque "quem não tem uma telha tem duas") e as nossas virtudes, que temos, às vezes, tanta preguiça para as fazer desabrochar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 42.55pt; mso-outline-level: 1; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Segoe UI&amp;quot;; mso-bidi-font-weight: bold; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;Feita a introdução aí vai o artiguinho.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 42.55pt; mso-outline-level: 1; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Segoe UI&amp;quot;; mso-bidi-font-weight: bold; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 42.55pt; mso-outline-level: 1; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: x-small;"&gt;SERMOS UNS COM OS OUTROS&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 13px;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 42.55pt; mso-outline-level: 1; text-align: justify; text-indent: 22.7pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Segoe UI&amp;quot;; mso-bidi-font-weight: bold; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;A última crónica nasceu de uma revolta contra o facto de só se falar propostas centradas nos números frios e impessoais. Por isso falei de uma sociedade “nosista”, na qual cada um – pessoas e os grupos tribais – só vê nevoeiro à sua volta, “líquida”, que se molda a qualquer forma, e “gasosa” assimétrica, porque apenas os ricos e o capital se movem livremente por onde querem enquanto os pobres são engaiolados por muros e barreiras intransponíveis. Faz-me falta, muita falta, ouvir poetas, místicos, profetas, gente que vê para lá da fachada do imediato.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 42.55pt; mso-outline-level: 1; text-align: justify; text-indent: 22.7pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Segoe UI&amp;quot;; mso-bidi-font-weight: bold; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;Neste contexto, quero partilhar duas ideias herdadas do mundo grego e do judaico-cristão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 42.55pt; mso-outline-level: 1; text-align: justify; text-indent: 22.7pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Segoe UI&amp;quot;; mso-bidi-font-weight: bold; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;Sem esquecer o quanto de bom recebemos da cultura grega, há dois aspectos que, penso, nos marcam negativamente: a “evidência” e o relacionamento com o outro. Da evidência física (não é evidente que “o Sol anda em volta da Terra”?) passámos à evidência como critério de avaliação do outro – “Parece que ele é assim! Dizem que ele disse isto!” – acreditando piamente na evidência do “diz-se que disse”. Do segundo, recordaria o mito platónico dos “seres andróginos”. No início, os seres humanos eram redondos e tinham tudo em duplicado (braços, pernas, cabeça). Fortes e arrogantes, Zeus teve que parti-los ao meio para os dominar. Ficaram, ficámos, assim, incompletos. Para recuperar a sua identidade, “o semelhante sempre do semelhante se aproxima”. É que “a nossa antiga natureza era assim e nós éramos um todo; é ao desejo e procura desse todo que se dá o nome de amor (eros)”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 42.55pt; mso-outline-level: 1; text-align: justify; text-indent: 22.7pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Segoe UI&amp;quot;; mso-bidi-font-weight: bold; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;Esta mentalidade marca a nossa convivência e está na origem da nossa relação com os outros. Como seres incompletos procuramos a nossa outra parte, a que mais se assemelha a nós. Esta busca da parte perdida, que dá sentido à nossa vida, apenas se encontra entre os meus semelhantes, os que se identificam comigo. No limite, deixa-me sem espaço para o outro, para o diferente, que, assim, perde a sua importância para mim.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 42.55pt; mso-outline-level: 1; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Segoe UI&amp;quot;; mso-bidi-font-weight: bold; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;A tradição judaico-cristã, pelo contrário, condena o julgamento pelas aparências e pelo que se ouve dizer (Is 11,3). A procura do semelhante é substituída pela eleição entre vida e morte, bem e mal, bênção e maldição (Dt 30,15.19), que passa pelo “amarás o próximo como a ti mesmo” (Lev 19,18). Pode ainda subsistir a dúvida legítima, de se esta atitude é muito diferente da grega, já que “próximo” é o que pertence ao meu grupo. Mas Jesus termina com as dúvidas: contrapõe ao “odiarás o inimigo” a exigência do “amai os vossos inimigos” (Mt 5,43.44) e denuncia o sacerdote e o levita, por trocar o serviço ao outro pelo serviço à Lei e ao Templo. O modelo não está na fidelidade cultual desumana, mas na atitude do samaritano, herético mas humano, porque abandona tudo, para cuidar do outro. Esta parábola torna-nos próximos de todos, estilhaçando as fronteiras da nossa tribo ou grupo de amigos. Aquele farrapo humano à beira do caminho é sempre o Outro cujo acolhimento, ou não, define o sentido da minha vida. As vítimas da História são a chave do progresso da Humanidade e da sua libertação definitiva.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 42.55pt; mso-outline-level: 1; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Segoe UI&amp;quot;; mso-bidi-font-weight: bold; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Na tradição grega, o critério da “humanidade”, da felicidade, é a semelhança. Isto é, “o segredo da felicidade está em encontrar o (meu) semelhante, o outro como projecção de mim mesmo” (J.G. Roca), como a metade que me falta para me completar. E, porque só me realizo através dos semelhantes, os outros só vêm baralhar e destruir a minha identidade e felicidade. Portanto, passo a ignorá-lo, a combatê-lo e até a excluí-lo. Esta é a base real do “racismo”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; margin-right: 42.55pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Segoe UI&amp;quot;; mso-bidi-font-weight: bold; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;A tradição cristã assume do eros a capacidade de busca, mas mostra a necessidade de sair de si mesmo e se transformar em ágape: “&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt;"&gt;Eros e ágape nunca se deixam separar completamente um do outro. Quanto mais os dois encontrarem a justa unidade, embora em distintas dimensões, na única realidade do amor, tanto mais se realiza a verdadeira natureza do amor em geral. Embora o eros seja inicialmente sobretudo ambicioso — fascinação pela grande promessa de felicidade — depois, à medida que se aproxima do outro, far-se-á cada vez menos perguntas sobre si próprio, procurará sempre mais a felicidade do outro, preocupar-se-á cada vez mais dele, doar-se-á e desejará «existir para» o outro. Assim se insere nele o momento da agape; caso contrário, o eros decai e perde mesmo a sua própria natureza. Por outro lado, o homem também não pode viver exclusivamente no amor oblativo. Não pode limitar-se sempre a dar, deve também receber.” (DCE 7). É assim que o agape, amor gratuito e oblativo, “salva” o eros.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; margin-right: 42.55pt; text-align: justify; text-indent: 22.7pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Segoe UI&amp;quot;; mso-bidi-font-weight: bold; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;Ficar-se pela semelhança, como faz o eros, é acreditar que a felicidade só pode acontecer no encontro com os iguais, fazendo dos diferentes silhuetas que atiro para o nevoeiro em que me embrulho e põe em perigo o casulo onde me fecho com os meus semelhantes. Mas ao transcender o eros com o ágape, “&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt;"&gt;o amor torna-se cuidado do outro e pelo outro. Já não se busca a si próprio, não busca a imersão no inebriamento da felicidade; procura, ao invés, o bem do (outro) amado: torna-se renúncia, está disposto ao sacrifício, antes procura-o” (DCE 6).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; margin-right: 42.55pt; text-align: justify; text-indent: 22.7pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt;"&gt;Tempo de crise, tempo de encruzilhadas, tempo de opções: ou nos abrimos, com confiança, à riqueza e à pluralidade dos talentos de todos os outros, os diferentes, ou ficamos confinados à fortaleza tão débil e mesquinha do nosso clã e, cada vez mais empobrecidos, acabamos por nos cobrir com a poeira da inutilidade e da incapacidade de contribuir para a construção da História.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19736506-2869807227923006866?l=feecompromisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://feecompromisso.blogspot.com/feeds/2869807227923006866/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19736506&amp;postID=2869807227923006866&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19736506/posts/default/2869807227923006866'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19736506/posts/default/2869807227923006866'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://feecompromisso.blogspot.com/2011/05/sermos-uns-com-os-outros.html' title='SERMOS UNS COM OS OUTROS'/><author><name>Zé Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12611666981934870239</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19736506.post-7423781714456384485</id><published>2011-05-02T11:27:00.001Z</published><updated>2011-05-02T11:27:57.099Z</updated><title type='text'>João Paulo II</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Foi uma cerimónia deslumbrante: um milhão de pessoas. Nas vésperas, outra cerimónia deslumbrante: dois milhões de pessoas. E quantos milhões terão visto em casa? Mas dois acontecimentos muito diferentes. Ou não, se nos remetermos apenas à perspectiva “informativa”?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Dizem que a monarquia inglesa saiu reforçada no seu prestígio. Ninguém sabe o quanto saiu reforçada a imagem da Igreja. Mas a imagem que a Igreja deve dar ou deve ter é muito diferente da imagem que a monarquia deve ter.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;João Paulo II foi um papa único. Foi criado com dificuldades: a morte da mãe, a mão de ferro do regime comunista, o trabalho braçal em vários locais que lhe permitiram perceber &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;in loco&lt;/i&gt; o que é a realidade, actor de teatro e desportista que amava e precisava de respirar a natureza. Em resumo, alguém que foi forjado na dureza da vida e não em berços dourados de outros papas anteriores. Mais: viveu e cresceu no meio de um sistema comunista, enquanto todos os outros nasceram no meio de um sistema capitalista. Não veio do frio, mas de outro mundo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Certamente que este contexto o marcou muito. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A perda da mãe pode ter sublimado o amor a sua mãe no amor a outra Mãe, Maria, celebrada em tantos santuários que visitaria. E até o deve ter convencido que Nossa Senhora terá desviado a bala assassina que lhe fora dirigida. Quem sou eu para julgar esta interpretação, mas, do ponto e vista da fé, coloca-me alguns problemas. Mas o problema é meu, porque acreditando que Deus é o Senhor da história, tenho dificuldade em vê-lo como Alguém que controla cada acto do ser humano que Ele quis criar livre e a quem deu autonomia para fazer tanto o bem como o mal. Que nos criou limitados física, psicológica, metafísica e espiritualmente e que não está a interferir nessas limitações para as eliminar. Mas isto é o que eu penso. Não é o que muito católico pensa. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;O ter vivido na clandestinidade deu-lhe uma convicção profunda da necessidade de manter a fé na sua pureza tradicional, pois sentia que a Polónia só sobreviveu porque foi fiel a essa fé católica que forjou a sua identidade e a sua capacidade de resistir a tanta intempérie histórica. Esta convicção tornou-o um profundo defensor das posições “tradicionais” da moral cristã. Isto é mau? Não, enquanto elas são fruto das “palavras de vida eterna” que Jesus nos deixou. Mas pode ser negativo, se não tivermos em conta as profundas mutações que estão a acontecer, se não formos capazes de as iluminar, de maneira nova, com a mensagem libertadora de Jesus de Nazaré. João Paulo II fez um esforço nesse sentido, mas estava muito amarrado à sua formação “moral”. E apesar de sempre nos dizer “Não temais”, ele recusou a proposta de Häring para reunir Institutos e Moralistas para discutir alguns dos problemas fracturantes de modo a que a Igreja fosse capaz de ter uma palavra credível e sedutora, tão indispensável, para um mundo sem norte nestes tempos, um mundo que trivializou o amor e generalizou o sexo como mero meio de comunicação pessoal e de glorificação do prazer sem limites.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Mas por outro lado tornou-o um defensor acérrimo da “dignidade inviolável de cada pessoa” que se manifesta no “respeito, defesa e promoção dos direitos humanos” fundamentais. E neste capítulo, foi o que melhor traduziu a evolução que a Igreja foi percorrendo tão lentamente desde a Revolução Francesa. Do ataque descabelado às liberdades de pensamento, de opinião, etc., tão massacradas por papas anteriores, que colocaram os direitos humanos em contraposição como os direitos de Deus, numa espécie de guerra sem quartel, João Paulo II afirmou: “O homem é criatura de Deus e, por isso, os direitos humanos têm a sua origem nele, baseiam-se no desígnio da criação e entram no plano da Redenção. Pode dizer-se, com uma expressão audaz, que os direitos humanos são também direitos de Deus. Por isso, a sua tutela e promoção pertencem ao núcleo central da missão da Igreja” (&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Disc. ao 31º Congresso internacional UNIV98&lt;/i&gt;: 7.Abr.1998).&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;O ter sido operário fez dele um papa capaz de falar do trabalho como nunca ninguém falara. A encíclica &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Laborem Exercens&lt;/i&gt; e os inúmeros discursos sobre o tema trouxeram uma doutrina e conceptualizações novas, cujo filão não foi nunca devidamente explorado nem dele tiradas as devidas consequências práticas: o primado da pessoa sobre o trabalho (“o trabalho foi feito para o homem e não o homem para o trabalho”); o primado do trabalho sobre o capital.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Foi verdadeiramente audaz na defesa dos direitos humanos ou, de um modo, geral, na divulgação e na valorização da Doutrina Social da Igreja, que os católicos só não desprezavam porque a ignoravam completamente. A centralidade da pessoa esteve sempre presente nas suas intervenções de tal modo que estabeleceu uma regra que poucos (cristãos e comunidades) conhecem e ainda menos põem em prática: “Descobrir e ajudar a descobrir a dignidade inviolável de cada pessoa é a tarefa essencial, central e orientadora do serviço que a Igreja é chamada a prestar à família dos homens”. Os planos pastorais obedecem a esta regra básica!?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Muito haveria para dizer: a sua convicção, a sua alegria, a sua coragem.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Mas uma das coisas que mais me marcou foi a sua decisão de aparecer, quase até às vésperas da morte, na sua fragilidade. Foi uma lição para um mundo que exalta o corpo, mas apenas os corpos belos dos modelos, dos desportistas: a beleza física. Ele que era um desportista, que escalava montanhas, ele, que era um jovem que vendia saúde, foi-se degradando, pelas causas conhecidas, em alguém que nos últimos anos se arrastava, mas se arrastava com coragem. Era a antítese do estilo de beleza publicitada e publicada. Desmitificou esta beleza balofa que dura meia dúzia de anos. Mas também desmitificou o papa como um super-homem, mostrou a sua humanidade e fragilidade. Assumiu publicamente o seu sofrimento e dor. Mostrou as suas limitações. Não as escondeu. Não as quis esconder. Fez do Papa um ser humano como nós. Muitos o terão criticado por isso, mas para mim foi uma das grandes lições deste papa.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Se merece ser beato e santo? Não sei, porque “essas coisas” não me dizem muito. Até porque não é por ele ser beato e depois santo que será recordado. Talvez eu tenha alguma costeleta de “protestante”, mas sempre me incomodaram as pessoas que, ao visitar uma igreja, correm as capelas laterais todas, têm uma oração específica para cada santo nelas venerado, mas depois vão-se embora sem dizerem um “olá” que seja ao “patrão”, ao Deus presente que está no sacrário, que quis ficar connosco até ao fim dos tempos e que é a razão de ser da nossa fé. Talvez me falta a “cultura da cunha” e prefira dirigir-me directamente a Deus, tratá-lo como o Amor que me sustenta, discutir com Ele quando não gosto do que me acontece, tratá-lo com o à vontade de um filho a quem foi dada a permissão, pelo Filho ("Jesus Cristo”), de o tratar por Abba (Pai). &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;João Paulo II, o homem conservador da moral tradicional e da organização da Igreja, o homem revolucionário da moral social, o homem que arrastava multidões pelos mais variados motivos, o homem que governou uma Igreja que está fragmentada, e que ele quis unir, que não sabe responder adequadamente aos desafios de hoje, e que ele quis actualizar e actualizou em alguns aspectos. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;João Paulo santo? Certamente. Até porque santos são todos os que vivem coerentemente a sua fé e procuram cumprir a “vontade do Pai que está nos céus”. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19736506-7423781714456384485?l=feecompromisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://feecompromisso.blogspot.com/feeds/7423781714456384485/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19736506&amp;postID=7423781714456384485&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19736506/posts/default/7423781714456384485'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19736506/posts/default/7423781714456384485'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://feecompromisso.blogspot.com/2011/05/joao-paulo-i.html' title='João Paulo II'/><author><name>Zé Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12611666981934870239</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19736506.post-3174958357958625026</id><published>2011-04-23T11:55:00.001Z</published><updated>2011-04-23T22:36:35.528Z</updated><title type='text'>Dia Mundial das Vítimas da História</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Sexta-feira Santa é, devia ser, o Dia Mundial das Vítimas da História. Os inventores dos Dias de Qualquer Coisa só não inventaram nem lhes interessa inventar este Dia porque as vítimas não consomem, só sofrem; não têm dinheiro, só fome em abundância; vivem no meio dos outros, mas são excluídos; não têm poder e, por isso, os poderosos ignoram-nos; não têm voz e os tribunos, quando falam deles, é quase sempre de modo abstracto e, (muitas) vezes para se servirem deles para fins outros e, de um modo geral, as legislações não fazem opção pelas vítimas e, quando o fazem, obrigam as vítimas a ter bons advogados para evitar as armadilhas das leis e virá-las a seu favor. Finalmente, para nós, os católico, as vítimas são sempre o próprio Cristo, mas nós não sabemos ou não queremos saber e muito menos acreditar.&amp;nbsp;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 14px;"&gt;Uma prostituta é Jesus? Escândalo. Um drogado é Jesus? Heresia. Um sem abrigo é Jesus? Blasfémia.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 14px;"&gt;Por isso preferimos&amp;nbsp;&lt;/span&gt;deixá-los fora das paredes das igrejas onde Cristo Crucificado sofre neles, para ir encontrar-nos com o mesmo Cristo, agora triunfante, dentro das igrejas, porque é bom estar lá dentro no quentinho do Monte Tabor e longe, muito longe, da violência da Cruz que tantos Cristos sofrem cá fora.&amp;nbsp;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 14px;"&gt;Se pensamos que é escândalo, heresia ou blasfémia ver Jesus crucificado nas vítimas, estamos a ir por muito maus caminhos, caminhos perigosíssimos porque garantidamente não conduzem ao Reino de Deus. Fo&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 14px;"&gt;i Jesus quem o disse.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 14px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 14px;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Há dias escrevi uma crónica de "raiva" porque a nossa sociedade nem sequer é capaz de se entender neste momento tão difícil e, também por causa disso, as vítimas vão aumentar. Alguém fica incomodado com elas?A crónica é de raiva, mas não de ódio; é de indignação, mas não de desespero. Escrevi-a de um jacto e nem me dei ao trabalho de a polir fonética, morfológica, sintacticamente nem de lhe dar um arzinho de politicamente correcta. Acho que em quase trinta anos de cronista nunca escrevi assim. Escrevo, leio e releio. Emendo, acrescento, corto. E ainda peço a opinião à minha consultora privativa. Procuro dizer o que acho, criticando às vezes com dureza mas quase sempre com palavras demasiado macias. Desta vez fiquei-me pela primeira versão, sem aumentos nem anotações nem rectificações. Mas anda bem que o fiz.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Se alguém quiser lê-la aqui a deixo. Mas não pense que vai encontrar um tipo armado de metralhadora. Apenas uma vozinha ingénua e irrealista que, se não fosse blasfémia, diria que às vezes se sente a pregar no deserto. &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 42.55pt; mso-outline-level: 1; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;AUSCHWITZ, UMA PARÁBOLA DE PORTUGAL?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 42.55pt; mso-outline-level: 1; text-align: justify; text-indent: 22.7pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Para preparar uma recente “conferência” que fiz, li vários artigos e houve dois conceitos tão pouco habituais que vou tentar aplicá-los à nossa situação, também tão pouco habitual. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 42.55pt; mso-outline-level: 1; text-align: justify; text-indent: 22.7pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;G. Faus, no seu livro “Outro mundo é possível… desde Jesus” tem uma afirmação quase aterradora: olhar a realidade com honradez “obriga-nos a apresentar, como ponto de partida de todo o pensamento teológico (e não só, diria eu), a visão de Auschwitz como uma parábola do nosso mundo. Um mundo povoado por uma infinidade de “campos de extermínio” cuja enumeração nunca mais acabava”. E depois apresenta sucessivos exemplos em quase todos os continentes por causa de matérias-primas, de milhares de guerra, dos inúmeros genocídios, terminando “na crise económica mundial que quase não afecta os maus mas apenas as suas vítimas”. Apesar de tanta desigualdade, e cada vez maior, objectivamente não poderemos ir tão longe com Portugal. Mas escolhi esta palavra maldita para chocar e acordar a inconsciência colectiva em que parece que estamos mergulhados. Pois, apesar de algumas bolsas de extermínio, o que impressiona é a nossa assumida falta de atenção e de compromissso, preferindo ignorar uma real realidade mais profunda. Não basta que se tenham multiplicado as esmolas ou o número de pessoas com maior consciência de situações degradantes sempre ignoradas, excepto pelas centenas de voluntários que persistem em levar-lhes pão, esperança e amor. O que choca é que, apesar de estarmos a afundar-nos a olhos vistos, o egoísmo, individual ou tribal, esteja ainda tão presente, que não sejamos capazes de prescindir de “privilégios adquiridos”, para sermos mais iguais, e de interesses partidários para dar prioridade ao bem comum, que continuemos a cultivar um clima quase de ódio ao outro para o abater ou de medo do outro porque nos pode tirar benesses que não dão para todos. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 38.2pt; tab-stops: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Utilizei esta palavra maldita para fazer uma ponte com as reflexões de um famoso sobrevivente de Auschwitz, como explicação para a indiferença colectiva perante tão descomunal barbaridade. Refiro-me a Primo Levi, que chamou ao seu código moral de sobrevivência “nosismo”, isto é, um egoísmo tão feroz que se estendia apenas aos que estão junto de mim, a um pequeno círculo geográfico e humano, para lá do qual só havia bruma e nevoeiro pelo qual passavam, de quando em vez, silhuetas difusas e irreconhecíveis, que não faziam parte do seu mundo. Isto gerava uma espécie de “zona cinzenta” que impossibilitava de julgar, de traçar uma distinção moral absoluta entre os assassinos e as suas vítimas (T. Judt).&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;Por isso, ao ser libertado, sentiu vergonha de si. Mas sentiu uma vergonha ainda maior, a vergonha do mundo, que deixa que isto aconteça e nem sequer quer saber o que se passa: “há quem perante a dor dos outros vire as costas”. Começa por acusar os alemães por, durante anos, viverem na ilusão de que não ver significava não saber e que não saber era uma boa desculpa para sossegar a sua consciência da cumplicidade e da conivência. Mas é inútil fechar os olhos, voltar as costas ou varrer os esqueletos para debaixo do tapete. O ter acontecido isto, uma vez que fosse, demonstra que “o homem, o género humano, isto é, nós próprios, éramos (somos, digo eu) potencialmente capazes de causar uma enorme infinidade de dor e que a dor é a única força que se cria do nada, sem custo nem trabalho. Basta não olhar, não escutar, não fazer nada”.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 38.2pt; tab-stops: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Chamei aqui estas palavras, porque me parece que também neste país vivemos numa espécie de consciência cinzenta, sem distinção nítida entre claro e escuro, esbatida pela neblina com que nos envolvemos para ignorar a realidade, onde os outros não existem ou são marionetes mas não pessoas que sofrem, que riem, que amam, que têm sentimentos. Vivemos numa “sociedade líquida”, que não mantém nenhum rumo determinado e vai tomando as formas mais moldáveis. E isto marca as nossas vidas com a precariedade e a incerteza constantes e leva-nos a aceitar sem protestos a falta de rumo e sentido (Z. Bauman). Hoje já se fala de uma sociedade gasosa: nos gases, as moléculas estão muito afastadas, chocam pouco e aleatoriamente, parece que nada as liga entre si e espalham-se por todo o espaço sem qualquer ordem. Mas a expressão parece-me imprópria. Porque, numa sociedade gasosa só os ricos se deslocam como querem e só os capitais atravessam incólumes o espaço virtual. Os pobres, contudo, não podem viver nesta liberdade de movimentos, não podem circular livremente. Esta sociedade, tão gasosa para a riqueza, torna-se uma verdadeira fortaleza para os pobres. Há muros sólidos por todo o lado: muros legislativos (espaços de Schoengen, …) mas também muros de pedra e cal, como as paredes que separavam os lautos banquetes do rico epulão do esfomeado Lázaro cheio de feridas e de exclusões.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 38.2pt; tab-stops: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A consciência cinzenta e anestesiante, a liquidez de uma vida sem norte nem rumo, uma organização social ambivalente – gasosa para a difusão livre da riqueza e sólida como fortaleza contra a invasão dos pobres – estão a asfixiar-nos moralmente e a degradar as nossas relações humanas, suprimindo “a capacidade de sentir o outro como irmão, como um que faz parte de mim, e incapacitando-nos para criar espaço para o outro e para nos ajudar a levar os fardos uns dos outros, rejeitando as tentações egoístas, que sempre nos ameaçam e geram competição, arrivismo, suspeitas, ciúmes” (NMI 43).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-right: 38.2pt; tab-stops: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Não custa nada ser criminoso cívico e moral: basta não olhar, não escutar, não fazer nada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;É o que a maior parte de nós faz, mesmo hoje, com o barco a afundar-se. Afundamo-nos com os olhos fechados. Que ao menos a água fria nos acorde e nos empurre para a superfície.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19736506-3174958357958625026?l=feecompromisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://feecompromisso.blogspot.com/feeds/3174958357958625026/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel
